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"Ele queria me matar", diz irmã de mulher assassinada pelo ex no ES

Muito abalada com a morte da irmã, a faxineira Iracilda Cruz de Souza revelou que Zenilda era agredida pelo companheiro Romério da Silva

Publicado em 15/06/2018 às 21h11

Muito abalada com a morte da irmã, a faxineira Iracilda Cruz de Souza revelou que Zenilda era agredida pelo companheiro Romério da Silva e que isso foi determinante para a separação do casal. Agora, espera que a Justiça seja feita e afirma que vai lutar pela irmã.

Como que tudo aconteceu?

Eles moravam juntos há cerca de um ano. A Zenilda foi no apartamento que eles viviam só para buscar as roupas dela, mais nada. Os móveis são da minha irmã, mas ela nem ia pegar. Quando chegamos estava tudo normal, tanto que pedimos para o genro da Zenilda e o irmão dele esperarem no carro. Um pouco depois o Romério ficou possesso, pegou uma faca e atacou a minha irmã. Eu tentei impedir, fiquei com as mãos cortadas, estou toda machucada. Levei 15 pontos na área da costela, cinco pontos em outro ferimento, mais cinco em outro e quatro em mais um. Ele queria me matar, só não conseguiu porque eu pulei pela escada e uma vizinha me ajudou, entrei no apartamento dela e trancamos a porta. Senão, ele teria me matado.

Como você está se sentindo?

Fica um sentimento de revolta. Alguns tempos atrás a Zenilda já estava reclamando dele e eu estava apoiando ela na separação. Por causa disso, ele tinha raiva de mim. Ela separou porque não aguentava mais viver dessa forma.

Zenilda era agredida?

Sim, ela já era agredida antes. Ele também pegava o celular dela, escondia para ela não mexer, então ele lia e depois apagava todas as mensagens. Romério era bastante ciumento. Eu falava pra ela largar dele para não virar estatística, mais uma pessoa agredida ou até morta pelo companheiro. Acompanhamos a Zenilda no lugar que eles moravam porque ela estava com medo do Romério. Mas a gente não imaginou que ele faria algo assim.

Como era sua irmã? Quais os sonhos dela?

Ela era uma pessoa muito esforçada. Estava desempregada, mas fazia faxina para conseguir viver. Assim que eles separaram, a Zenilda me falou que ia procurar emprego de carteira assinada, como sempre teve. Falei até para nós duas morarmos juntas. Um dia antes (do crime) ela dormiu na minha casa. Ela era cheia de sonhos, era muito minha amiga, certamente a irmã mais próxima a mim. A gente era muito apegada.

Vocês duas tinham muita amizade, então.

Sim, ela nunca escondeu nada de mim. Ela contava tudo o que aquele homem fazia com ela. Eu dizia para ela separar logo, para evitar uma tragédia.

Agora qual é o desejo da família?

Desejo de Justiça. Vou procurar um advogado, quero que ele fique preso, vou lutar por Justiça. Nunca vou desistir. Ele que começou tudo, a gente foi lá na casa dele em paz, só para buscar as roupas da minha irmã e ele reagiu dessa forma violenta, matou minha irmã e quase me matou. Que esse caso não fique impune. Aconteceu comigo, com alguém do meu sangue. Tentei proteger a Zenilda, fiquei toda machucada… se eu não tivesse virado em um dos momentos, ele teria me dado uma facada na barriga. Acabou acertando a costela e levei 15 pontos só nesse lugar. Ele não estava para brincadeira, estava para matar mesmo.

O CASO

Zenilda de Souza. Crédito: Facebook
Zenilda de Souza. Crédito: Facebook

Um homem matou a ex-esposa a facadas e feriu a cunhada em Colatina, no Noroeste do Estado, no momento em que as duas vítimas subiram no apartamento para buscar o restante dos pertences que ficaram no imóvel após a separação. Revoltados com o crime, vizinhos tentaram linchar o acusado, Romério da Silva Sales, 39 anos, que está sob escolta policial no Hospital Silvio Avidos.

De acordo com a Polícia Militar, o crime aconteceu na noite de quinta-feira (14), no bairro Martinelli. Quando os militares chegaram ao local, encontraram as duas mulheres machucadas e sendo amparadas por moradores vizinhos. Romério estava caído no chão e a polícia precisou conter as pessoas que, revoltadas, tentavam matar o acusado.

As irmãs foram levadas na viatura da PM ao pronto-socorro do Hospital Silvio Avidos. Após o atendimento inicial, os militares foram informados que Romério havia esfaqueado a ex-esposa, Zenilda de Souza, 52 anos e a irmã dela, Iracilda Cruz de Souza, de 47 anos.

Zenilda não resistiu aos ferimentos provocados pela perfuração da faca e morreu no hospital. Ela sofreu perfurações na mandíbula esquerda e no abdômen, além de uma lesão na coxa esquerda. A irmã dela sofreu perfurações na coxa esquerda, na cabeça, na lombar e na mão esquerda. Iracilda, que  já recebeu alta, contou à polícia que o agressor estava muito nervoso e, quando ela tentou acalmá-lo, também foi agredida.

Romério Sales. Crédito: Divulgação | Polícia
Romério Sales. Crédito: Divulgação | Polícia

Ferido, Romério Sales foi detido e encaminhado ao pronto-socorro do Hospital Silvio Avidos, onde estava sob cuidados médicos e escolta policial. O acusado foi autuado pelo delegado de plantão por feminicídio e tentativa de homicídio.

Na manhã desta sexta-feira (15), ele teve alta e foi encaminhado para prestar depoimento na delegacia de Colatina.

TESTEMUNHA

Uma testemunha, moradora do prédio, informou à polícia que o casal estava em processo de separação. A vizinha, de 43 anos, disse que viu o momento em que a Zenilda de Souza subiu para o apartamento junto com a irmã para pegar o restante de seus pertences que estavam na casa, quando escutou uma gritaria e pedidos de socorro.

A testemunha também contou aos militares que, em certo momento, Zenilda chegou a pular de uma janela de aproximadamente quatro metros para tentar fugir das facadas do agressor. 

Zenilda não havia registrado nenhuma ocorrência anterior ao crime contra o ex-marido. A Delegacia Especializadas de Atendimento à Mulher(DEAM) de Colatina irá investigar o caso.

SEPARAÇÃO

O genro de Zenilda de Souza, o motoboy Euzílio Washington Pitaguia Esmério contou que Romério e Zenilda tinham um relacionamento há quase um ano e moravam juntos no apartamento. Quando ele decidiu que queria a separação, sofreu ameaça.

“Eles moravam juntos há quase um ano. Ele estava devendo algumas pessoas, aluguel, e a minha sogra disse que ele a estava mantendo presa e nem podia trabalhar. Ela quis separar porque não estava aguentando mais viver com ele e saiu de casa na terça-feira (12). Ela me falou que ele chegou a dizer no outro dia que iria pegar ela pelo cabelo”, disse.

GENRO TENTOU SALVAR A SOGRA

Euzílio Esmério contou que a sogra pediu para ser levada até a casa para pegar alguns pertences que havia deixado no local.

“A Zenilda pediu para eu e meu irmão, junto com a irmã dela, irmos lá na casa dela de carro, para pegar as roupas que ela havia deixado. Quando chegamos lá à noite, minha sogra pediu para esperarmos no carro e entrou somente com a irmã dela”.

Ao chegar no apartamento, o genro contou que a irmã da vítima, Iracilda de Souza, chegou a ligar para dizer que estava tudo bem, mas logo em seguida ligou novamente para pedir socorro e dizer que as duas estavam sendo agredidas.

“Iracilda me ligou quando chegou lá dentro para falar que estava tudo certo. Depois ligou de novo dizendo que ele estava esfaqueando minha sogra. Eu tentei segurá-la quando ela pulou a janela para se salvar, mas ela bateu no meu braço e caiu. Depois, eu meu irmão entramos na casa, lutamos com ele até que fosse desarmado. Ele tentou fugir, mas não deixamos até a chegada da polícia. Ele não falou nada com a gente. Até agora não sabemos o motivo dele ter feito isso”, disse.

DEMORA NA LIBERAÇÃO DO CORPO

O genro, que foi realizar o reconhecimento da vítima com outros familiares, reclamou da demora na liberação do corpo da vítima.

“O fato foi ontem (quinta) por volta de 19h e minha sogra foi levada para o SML e até agora, ao meio-dia, não foi liberada. É uma falta de respeito. Não tinha médico legista de plantão e, até as 9h30 de hoje, ainda não tinha chegado ninguém. Dói bastante, a gente fica vivendo essa angústia”, finalizou.

Procurada, a Polícia Civil informou que a equipe do SML foi acionada na noite de quinta-feira (14) para realizar o transporte de um corpo no Hospital Silvio Avidos. Porém, ao chegar no local, foi informada que a documentação necessária para o procedimento ainda não estava concluída.

“A Polícia Civil informa que o procedimento para liberação de corpos são realizados das 7h às 22h. Informa ainda que a família da vítima compareceu ao SML às 10h desta sexta-feira (15) e o médico legista já estava realizando os procedimentos de liberação de outros corpos que estavam sendo aguardamos pelas famílias”, explicou, em nota.

O corpo de Zenilda foi liberado às 13 horas. O velório aconteceu na Igreja Assembleia em São Vicente e o enterro foi às 17 horas, no Cemitério São Vicente.

 

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