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"Tropa está doente", diz Casagrande sobre anistia a policiais no ES

Renato Casagrande concedeu entrevista para justificar a decisão de anistiar militares que participaram da greve da PM, em fevereiro de 2017

Publicado em 15/01/2019 às 18h13
Atualizado em 06/04/2020 às 21h31

Para justificar a decisão de anistiar os policiais militares que participaram da greve da Polícia Militar em 2017, o governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que a tropa está “doente”, citando que muitos PMs adoeceram por pressão psicológica.

Ele também teceu duras críticas ao modo como o governo antecessor conduziu a negociação com os grevistas e negou que a anistia pode abrir brecha para outros episódios de quebra de hierarquia dentro da PM.

O socialista afirmou que o antigo governo, de seu adversário político Paulo Hartung (sem partido), deixou de dialogar com a categoria e pisou no "calo dos policiais" mesmo após o fim do movimento.

"Se houve informação das nossas instituições de que aquilo (a greve) poderia acontecer, o governo deveria ter dado mais atenção. Acontecido o movimento, o governo deveria ter tido um lançar de pontas para o diálogo para não deixar prorrogar por mais de 20 dias essa manifestação. E fim das manifestações, o governo continuou pisando no calo dos policiais", comentou Casagrande.

Ao ser questionado se "pisar no calo" significaria perseguir os policiais, Casagrande disse que não usaria o termo "perseguição", mas reafirmou que o governo nos últimos dois anos usou todos os instrumentos para "manter a corda esticada" e não criar um "ambiente de harmonia" para a corporação.

A lei impede militares de fazerem greve. Qual a justificativa para anistiar?

Houve erros de quem manifestou porque a polícia não pode paralisar, aceitar manifestação e erros na época da condução do governo. Temos um episódio muito triste para o Estado, com pessoas perdendo a vida, em decorrência de erros das duas partes. Fiz esse debate antes de chegar ao governo de que era preciso fechar essa ferida e apontarmos para frente. O capixaba tem pressa para que a polícia fique motivada em um ambiente de harmonia para que enfrentemos a criminalidade no Espírito Santo. São esses motivos que me fizeram encaminhar o projeto de lei.

O senhor não acha que a anistia pode colocar em xeque a hierarquia da PM, pondo em risco a própria instituição? Tivemos casos de PMs expulsos que queimaram a própria farda...

Era um ambiente que nós tivemos naquela época e perdurou até hoje. São mais de 2600 policiais que sofrem ou sofrerão processo, um terço da tropa. Tivemos diversos policiais que atentaram contra a própria vida. Temos 500 policiais afastados por questões de saúde. A tropa está doente, com uma pressão psicológica muito forte. Era preciso dar esse passo adiante e a corregedoria da Polícia será muito rigorosa, preservando a hierarquia, a disciplina. O comando da Polícia será muito rigoroso para que a gente possa manter a tropa motivada e, ao mesmo tempo, com disciplina e hierarquia.

Isso não pode abrir uma brecha para que se repita a greve já que esses policiais ficarão sem punição?

Tenho certeza que não haverá brecha porque não estamos abrindo mão da hierarquia e da disciplina. Estamos resolvendo um problema criado por erros do passado, de quem manifestou e de quem conduziu pelo Estado. Estamos olhando para frente. O policial militar sabe que tem um regulamento, que tem regras e tem que respeitar hierarquia e disciplina. Isso será observado pelo comando da Polícia Militar.

Mas os policiais sabiam que isso existia e mesmo assim fizeram greve. Isso não pode voltar a acontecer?

Tem que penalizar quem tem responsabilidade. Teve responsabilidade quem manifestou e quem conduziu o processo (pelo governo). Não tem que botar 100% da responsabilidade nas costas só de uma parte, que são os policiais. Se nós tivemos erros dos dois lados e o prejuízo foi grande, não adianta continuar com a tropa desmotivada, sem uma harmonia necessária. Vamos apontar para frente e respeitar cada vez mais essa hierarquia e essa disciplina.

E o salário e as condições de trabalho? Foram reclamações muito fortes durante a greve. Como será isso para frente no governo do senhor?

Condições de trabalho nós daremos dentro das nossas possibilidades. Daremos dignidade aos policiais. Salário depende de receita e não posso prometer aumento a nenhum servidor porque depende do desempenho da receita.

Como fica a imagem do governo para a família dos mais de 200 mortos durante o período da greve já que essas mortes foram causadas pela ausência da PM? Essa falta de punição não seria uma mensagem um pouco controversa para esses familiares?

Essa pergunta, essa avaliação que você faz é parcial porque você está condenando só a Polícia. Não condene só a Polícia. Condene aquele ambiente que nós tivemos de relação inexistente entre polícia e governo. E é isso que precisamos observar. Nós já tivemos 62,95% dos crimes de fevereiro de 2017 elucidados. Para os casos que faltam, estamos designando a partir de hoje dois delegados que trabalharão com exclusividade na elucidação desse restante de crimes. "Não há nada que possa recompor uma vida tirada, mas é fundamental que a gente tenha elucidado e identifique os autores desses crimes. É uma preocupação para que ninguém fique impune ao se aproveitar daquele momento de erro dos manifestantes e do governo.

 

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