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Sexo, drogas e urina: moradores do Centro de Vitória reclamam do carnaval

Quem vive na região também cita som alto durante a madrugada e ruas interditadas de forma irregular; problemas acontecem principalmente após o encerramento dos bloquinhos

Publicado em 25/02/2020 às 16h11
Atualizado em 25/02/2020 às 16h11

Para a maioria das pessoas, o carnaval é sinônimo de diversão. Porém, para vários moradores do Centro de Vitória, a folia traz muitas dores de cabeça, como por exemplo: sexo explícito nas ruas, pessoas usando drogas, homens e mulheres urinando em postes e calçadas, vias interditadas de maneira irregular e som alto até de madrugada.

O professor Raphael Leite Teixeira mora na região há dois anos e fez mais de um flagrante desde o último sábado (23). “Eu desci para levar o lixo e fiz as gravações. Em uma delas, dois homens aparecem urinando, do lado do Convento do Carmo. Isso por volta das 20h. Teria muito mais coisa para mostrar, mas eu estava sozinho e fiquei com medo de ficar filmando”, contou.

Morador flagrou dois homens urinando em muro próximo ao Convento do Carmo. Crédito: Raphael Leite Teixeira
Morador flagrou dois homens urinando em muro próximo ao Convento do Carmo. Crédito: Raphael Leite Teixeira

Com receio de ir às ruas, uma moradora que preferiu não se identificar também fez diversos vídeos, mas da janela do próprio apartamento. “Aqui é um bairro residencial, com maioria de idosos. Muitas dessas pessoas que vêm cometem atos obscenos e usam droga na rua. Eu mesma já vi. É um absurdo e ninguém faz nada”, desabafou.

Entre os registros feitos por ela está o de uma ambulância tentando passar no meio de foliões, durante a noite do último sábado (23). “O evento cresceu muito nos últimos anos, mas as ruas do Centro continuam as mesmas, estreitas e bifurcadas. O trânsito fica caótico. E o socorro de quem precisa de atendimento, como fica?”, criticou.

Raphael Leite Teixeira

Professor e morador do Centro de Vitória

"A população se sente ameaçada e constrangida com pessoas alcoolizadas e drogadas. Às vezes você quer sair e precisa passar no meio disso. É complicado"

Morador e proprietário de alguns pontos comerciais no Centro de Vitória, Eugênio Martini possui algumas câmeras de videomonitoramento espalhadas pela região e acordou de madrugada, achando que uma das lojas estava sendo invadida. Mas, na verdade, se tratava de um grupo de jovens que estavam depredando um táxi.

“Eu resgatei as imagens. Por volta de 1h, o pessoal foi para o meio da rua atrapalhar os carros, tirando onda com os motoristas. Teve uma hora que esse taxista ficou nervoso e começou a acelerar. Depois eu vi que essa ‘brincadeira’ aconteceu com vários outros carros. Nesse caso, o motorista teve a chave tomada e precisou ser guinchado”, contou.

Como se não bastasse a noite mal dormida e os sustos, Martini também se deparou com um homem urinando na porta da casa dele. “Imagina se fosse a minha esposa abrindo a porta? Ele me pediu desculpas, mas não existe isso! Ele não pode fazer isso! É desagradável. Foram centenas de urinadas! A festa pode ser feita, mas me dê segurança. Assim não dá pra aceitar”, desabafou.

Quem também mal pôde dormir durante a madrugada desta terça-feira (25) foi a aposentada Renata Helena Lelis de Aguiar, que sofreu com som alto até por volta das 4h. “O mar de gente que estava na Avenida Beira-Mar veio para cá. Foi um baile do Mandela em plena Rua Sete de Setembro. Foi assustador”, lembrou.

Moradora do Centro de Vitória

Preferiu não ser identificada

"Virou caos, terra de ninguém. A ordem foi jogada por terra"

Cada qual com as respectivas experiências e problemas enfrentados, todos os moradores foram unânimes em dizer que a maioria desses fatos acontece após o encerramento oficial dos bloquinhos e que falta presença da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar para garantir a segurança, após esse horário, de quem mora e fica na Região.

Outra queixa comum entre eles é que esses problemas são antigos, já vêm de outros anos, e seguem sem solução, apesar de inúmeras reclamações feitas à Prefeitura e de acionamentos à Polícia Militar. O uso de drogas, o som alto além do horário permitido e as pessoas urinando da rua também aconteceriam em outros eventos no Centro de Vitória, de acordo com os moradores.

O QUE DIZ A PM

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o policiamento no Centro de Vitória foi reforçado para todo o carnaval. Entre as ações tomadas está o patrulhamento preventivo por toda a região, por meio de rondas em viaturas e a pé. Além de pontos-base espalhados pelos locais com maior aglomeração de pessoas.

O QUE DIZ O MUNICÍPIO

A Gazeta também questionou a Prefeitura de Vitória a respeito das reclamações e do que está sendo feito.  O secretário de Segurança Urbana do município, Fronzio Calheira, pontuou que a Guarda Municipal, em parceria com a Polícia Militar, está atuando com prioridade onde há maiores concentrações de foliões. Segundo ele, está havendo uma concentração atípica de pessoas na avenida Beira-Mar, que absorve toda a atenção do aparato de segurança. No domingo (23), foi estimada a presença de 60 mil pessoas. 

"Essa quantidade de pessoas demora a se agrupar, causa problemas ao trânsito, à mobilidade, com pessoas vindo inclusive de outros pontos da Grande Vitória. Esse grande grupo depois demora muito a se dispersar. Após a programação oficial e depois das 22 horas, essa massa de pessoas continua demandando a atenção do aparato de segurança. Podem haver crimes contra o patrimônio, contra a vida. E as equipes precisam estar posicionadas em locais que deem ostensividade", afirma o secretário. 

O secretário acrescentou que em situações normais, a guarda e a polícia têm condições de coibir infrações,  como pessoas urinando nas ruas, praticando atos obscenos e colocando som alto. No entanto, o momento é de um movimento atípico na cidade.

"Ali há pessoas alcoolizadas, sob o uso de drogas. Se você tenta fazer algum tipo de ação, há grande possibilidade de atrito, que pode acabar em algo mais grave, e tudo se tornar uma briga generalizada, correria.  Se há um risco desproporcional, os profissionais tem o dever de se preservar. O que está sendo feito no período da noite e madrugada é monitorar e priorizar as ocorrências mais graves."

Calheira pediu a compreensão dos moradores do Centro de Vitória. 

"O Carnaval em Vitória deu tão certo que atrai pessoas de todo lugar. Está com a rede hoteleira ocupada, gerando empregos. Há esse impacto pela grande quantidade de pessoas, e os moradores têm toda razão de reclamar, mas é preciso ter um pouco de paciência. O aparato de segurança tem o seu planejamento , que também é para permitir que haja mobilidade", declarou. 

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