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Vila Velha

Sete anos depois, família continua sem notícias de mergulhador desaparecido

Arnaldo Campos Schuwambach, 24, sumiu no mar após ficar à deriva. Desaparecimento aconteceu 19 dias depois dele se casar
Laila Magesk

Publicado em 

06 jun 2019 às 13:13

Publicado em 06 de Junho de 2019 às 13:13

Mergulhador Arnaldo Schuwambach Crédito: Montagem Gazeta Online
Um casamento de 19 dias. Há sete anos, a professora Talya Pícoli Melgaço Schuwambach viveu um drama: o desaparecimento do marido no mar. No dia 17 de abril de 2012, Talya e o auxiliar de produção Arnaldo Campos Schuwambach, 24, se casaram e fizeram uma grande festa para comemorar a união. Por conta do trabalho, não saíram em lua de mel.
Os dois viveram os primeiros dias de casados em Vila Velha até o dia 05 de abril, quando Arnaldo saiu para mergulhar com um amigo na Praia da Costa, como sempre fazia. Mas ele não voltou. O caso teve grande repercussão na época e a família nunca mais teve notícias de Arnaldo.
Nesta semana, Talya conversou com a reportagem do Gazeta Online e relembrou como foi aquele dia. "Ele saiu para mergulhar, como ele fazia umas três vezes na semana, e eu ia junto. A gente tinha esse costume. Ele saiu para mergulhar, combinou com um amigo que sempre ia e não voltou mais. Foi muito rápido, uma separação muito brusca".
Casamento Arnaldo e Talya em 2012 Crédito: Arquivo Pessoal
Segundo a professora, o amigo do marido que sobreviveu conta que eles estavam mergulhando e, em um determinado momento em que eles subiram, não avistaram mais a lancha com a pessoa que estava dirigindo, porque a correnteza estava muito forte e eles foram levados para longe de onde a lancha estava esperando por eles.
"A pessoa que estava na embarcação se assustou e foi pedir ajuda. Saiu do local e eles ficaram à deriva. O outro rapaz foi socorrido por um navio depois de horas".
Talya afirma que mergulhar com apneia era a paixão de Arnaldo. "Ele tinha tatuagem disso, já fazia há muitos anos. Era a praia dele mesmo. Desde o sumiço dele a gente não teve nenhuma notícia, nenhuma novidade, mesmo na época eu acreditando e tendo certeza que ia encontrá-lo".
BUSCAS
Após as buscas feitas pela Capitania dos Portos se encerrarem, a família do mergulhador continuou a procurá-lo por conta própria. "Minha família veio toda de Minas, começou a alugar os helicópteros por hora para poder fazer essas buscas. Eu quis procurar até onde eu achava que pudesse estar", relata.
Marinheiros embarcando em avião fretado pela família do mergulhador Arnaldo Schuwambach, 24 anos, que desapareceu no litoral de Vila Velha desde o dia 05 de abril de 2012 Crédito: Fábio Vicentini/Arquivo A GAZETA
Foram 17 dias tentado encontrar o Arnaldo. "A minha família e a família dele. Muita gente também ajudou, desconhecidos, que ficaram tocados com o caso. Pessoas que a gente não conhecia e, na época, emprestaram helicóptero na Barra do Jucu. E a gente saiu mais vezes do que a gente podia. Recebemos muita ajuda. Procuramos em Campos e no Espírito Santo".
"Nunca mais tivemos notícia nenhuma. Não encontramos nada, nem o corpo para poder enterrar"
Talya Melgaço - Cargo do Autor
DOR
"Na época fiquei bem ruim. No começo estava bem chocada e com esperança de encontrar, então fiquei focada nisso. Foram passando os dias e eu vi que realmente não tinha como encontrar. A lembrança dele é quase que diária até hoje".
Talya conseguiu reconstruir a vida, mas a lembrança de Arnaldo é presente Crédito: Arquivo Pessoal
AGRADECIMENTO
"O que eu tenho a dizer é que sou muito grata a Deus por ter me permitido passar dias tão felizes com ele. Foi tudo muito intenso, tudo muito agradável. Ele era uma pessoa muito boa, quem conheceu sabe que ele era nobre mesmo".
LUTO
"A sensação é de um luto vazio. Como a gente não teve a oportunidade de enterrar, de ver, a gente fica imaginando que ele está em outro lugar, que bateu a cabeça e algum navio o levou para outro país. Mas passando muitos anos, a gente viu que se tivesse alguma coisa, pela divulgação, ele teria aparecido"
Talya Melgaço - Cargo do Autor
CONFORTO
"O conforto que eu tenho é resignar mesmo e compreender que Deus é bom o tempo inteiro e algum propósito tem de ter levado ele. O que me salvou naquela época é o que é essencial na minha vida até hoje: a igreja que frequento. Me joguei mesmo, frequentava todos os cultos, para tentar me reerguer, me recuperar".
"O que fica no momento de tribulação é que a gente tira forças que a gente nem sabe que tem, que foi o que aconteceu comigo. E a gente tem que ter a certeza que Deus nos sustenta. Hoje estou bem, feliz, recuperada e eu tenho certeza que ele está nos braços do Pai, que é o meu consolo. Ele está bem"
Talya Melgaço - Cargo do Autor
Talya conseguiu reconstruir a vida e está bem.
O CASO
No dia 05 de abril de 2012, quinta-feira, Vinícius e Arnaldo saíram pela manhã para mergulhar. Segundo amigos, o rapaz de 21 anos contou que a correnteza estava forte, o que fez com que se distanciassem rapidamente da lancha que os levou até o local do mergulho.
O piloto, segundo profissionais do ramo, é muito experiente e teria circulado bastante em alto-mar para localizá-los. Por não vê-los, foi ao Iate Clube, avisou sobre o desaparecimento e voltou ao mar.
20 HORAS EM ALTO-MAR
Vinícius e Arnaldo já ficaram à deriva antes. De acordo com um irmão de Arnaldo, Artur Schuwambach, na ocasião anterior, os dois permaneceram cerca de 20 horas em alto-mar antes de serem resgatados.
Na dia, os dois chegaram a nadar juntos, em direção ao litoral, mas depois perderam-se. A partir daí, Vinícius nadou por duas horas e conseguiu ajuda num navio de bandeira grega, da Marinha Mercante. De lá, pediu ajuda via rádio e foi resgatado por um helicóptero da PM.
Ele e um amigo, o universitário Vinícius Barboza estavam mergulhando a cerca de 20 km da costa quando Arnaldo, então com 24 anos, desapareceu.
Fonte: Arquivo A Gazeta
INQUÉRITO CONCLUÍDO
A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 1º Distrito Naval, informou que o inquérito referente ao desaparecimento do mergulhador Arnaldo Schuwambach foi concluído pela Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES) em 2012 e os autos remetidos ao Tribunal Marítimo (situado no Rio de Janeiro /RJ).
O processo foi arquivado em 27 de junho de 2013, atendendo ao requerimento da Procuradoria Especial da Marinha que entendeu que o desaparecimento do mergulhador decorreu de uma fatalidade, não havendo responsáveis a apontar.
 

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