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Saiba como os pais podem turbinar o boletim dos filhos

Saiba como os pais podem turbinar o boletim dos filhos

Hora de estudo e diálogo ajudam a manter a reprovação longe

Publicado em 24 de março de 2018 às 23:51

Melhorar o rendimento escolar dos filhos vai além de acompanhar cadernos e boletins. Os pais precisam estar envolvidos com a vida dos estudantes desde o início do período letivo. As aulas já começaram há pouco mais de um mês, mas ainda dá tempo de garantir o bom desempenho no primeiro trimestre letivo. Ações simples no cotidiano da família, segundo especialistas, podem turbinar o aprendizado e evitar que o aluno chegue ao fim do ano no sufoco.

Ajudar o filho a manter uma rotina com horários de estudo e lazer, motivar a criança e ter um bom vínculo de diálogo com a instituição de ensino são alguns dos passos para conquistar boas notas.

De acordo com a neuropsicopedagoga e especialista em terapia da família Penha Peterli um ponto-chave que contribui para um bom aproveitamento do que acontece em sala de aula é o que se passa fora dela, incluindo a rotina dentro de casa. Mesmo cansados do cotidiano, os pais devem observar as atividades realizadas, conversar com o filho sobre o dia e elogiar cada conquista do estudante.

“Quando a criança pega o material para fazer o dever de casa, está se conectando com a escola e a família. Durante a tarefa, indica-se que ela faça sozinha, depois os pais fazem uma revisão. Neste momento, a criança tem a oportunidade de falar como está o relacionamento dela com os colegas e com o professor”, afirma Penha.

Um cronograma diário de tarefas ajuda na disciplina, que é dever dos pais manter em casa, segundo orienta a psicopedagoga e mestre em educação, Maria José Cerutti.

“É preciso manter pelo menos duas horas de estudo, respeitando também o momento de lazer. Mesmo que o filho não tenha lição de casa, incentive-o a estudar o que o professor ensinou naquele dia ou que ele leia um livro de literatura. Isso ajuda na compreensão, interpretação de outras disciplinas”, diz.

Uma boa maneira de consagrar a hora do estudo é criar um ambiente em casa para esse momento, um cantinho da tarefa de casa. Não dá para se concentrar tendo os pais com a TV ligada do lado.

Por falar nisso, o exemplo é fundamental. Pai e mãe que estão sempre lendo, visitando museus e lugares que transmitem a ideia de que é bom aprender são um incentivo. Mostre que se empenhar é bom.

ENVOLVIMENTO

Estar envolvido na vida do estudante, mostram ao filho o quanto ele é especial e o motiva para se dedicar ainda mais. Um exercício que segundo a neuropsicopedagoga Penha Peterli, deve ser construído dia a dia, pelos pais, escola e aluno.

“A educação é um processo. As provas, as notas fazem parte desse processo de aprendizagem, que tem de ser cuidado em todos os momentos. Na aprendizagem, os pais e educadores devem estar preocupados, ajudando a cuidar disso o tempo inteiro”, afirma.

Segundo Maria José, quem educa sabe que tentar seguir estas diretrizes não é tarefa fácil, mas evitam o sufoco das notas baixas e até o risco de uma reprovação na escola.

“Às vezes a dificuldade no início do ano se acumula. Os conteúdos começam dos mais simples para os mais complexos. Se o aluno começa a ter dificuldade no início do ano, na metade, já fica difícil de recuperar e, no fim do ano, nem se fala. Os pais devem procurar a escola, conversar com o professor sobre o que é possível fazer”, comenta.

PRESENÇA

É importante que os pais não deixem para ir à escola apenas quando surgir um problema. O melhor é procurar saber como anda o comportamento do seu filho em sala de aula.

Para isso, é bom manter uma parceria com os professores, frequentar reuniões e se informar sobre os conteúdos desenvolvidos em cada matéria, especialmente no caso das crianças mais novas.

CASTIGO NÃO RESOLVE

Mesmo com os pais antenados na rotina do aluno, o estudante pode ter baixo rendimento e não ter boas notas no fim do primeiro trimestre. Porém, na visão dos especialistas, estes momentos não devem ser traduzidos em castigos e privações.

“No primeiro trimestre, se a criança fechou com nota baixa é sinal de alerta e o momento de entender as causas disso. É preciso marcar e ir pessoalmente à escola. Conversar com a professora cuja matéria o aluno está com dificuldade, e também a pedagoga e diretora”, diz a psicopedagoga Penha Peterli.

Ao contrário do que os pais imaginam, uma penalidade pode até atrapalhar o desempenho. “Castigos não resolvem. É antiprodutivo e não serve para nada. Só tem sentido quando a criança entende a função do castigo. A forma como se aplica e o limite é determinante para motivar os alunos aos estudos”, analisa o doutor em ciência da religião e especialista em educação Edebrande Cavalieri.

Peterli orienta ainda que uma série de baixos rendimentos deve ser avaliada por um psicopedagogo. “Às vezes, não adianta colocar um professor particular, pois ele não tem formação para esta avaliação. Isso pode deixar a criança mais ansiosa e até pressionada.”

Jogos, tablet e celulares não precisam ser banidos da vida do estudante, mas devem ser usados com limites. “Professores e pais devem buscar nas tecnologias ferramentas que auxiliem os jovens para o conhecimento e com isso atraí-los. O conhecimento está circulando na rede. Esse é o grande desafio para os tempos que correm atualmente. É preciso saber pescar essas informações”, diz Edebrande.

DICAS

Conversa

Os pais devem ir além das reuniões escolares e estar em constante diálogo com a escola. As crianças, especialmente as menores, ficam mais confiantes quando percebem o interesse dos pais na vida estudantil.

Adaptação

Pais devem ficar atentos ao comportamento das crianças quando há mudanças de escola, cidade e até separação dos pais. Essas informações devem ser passadas à escola.

Elogios

Letra, organização dos materiais, boas notas e elogios dos professores devem ser também valorizados pelos pais. Elas promovem a autoconfiança do aluno.

 

Rotina

Os pais devem estabelecer horários de estudo e diversão dos filhos. O horário de estudo deve ser de no mínimo duas horas.

Comportamento

Desconversar sobre questões da escola e agir de forma dissimulada são sinais de alerta no comportamento do aluno e os pais devem buscar ajuda de profissionais.

Exemplo

Ambientes com acesso a livros, revistas, literatura, além de diálogo de diversos temas enriquecem e ajudam o desenvolvimento intelectual dos filhos.

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