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Espírito Santo

Professores afastados por licença: violência entre as queixas mais comuns

Educador foi ameaçado por aluno armado em sala de aula
Raquel Lopes

Publicado em 

18 mar 2019 às 12:36

Publicado em 18 de Março de 2019 às 12:36

Gilcinelio segura os remédios que precisa tomar durante tratamento médico Crédito: Ricardo Medeiros
“Professor, você será o próximo a sair, vamos te expulsar.” A frase foi dita por um aluno armado ao professor de Língua Portuguesa do ensino fundamental e médio da rede estadual, Gilcinelio Serafim, 49. Isso aconteceu em 2016 numa escola na Serra, e a ameaça desencadeou problemas psicológicos no profissional.
“A violência é grande e isso me causou esgotamento profissional. Em 2017 acabei tendo um surto e atirei um pincel em um aluno. Temos que lidar com ameaças, alunos armados, acumular dois empregos para ter uma renda de R$ 4 mil e o poder público não nos dá nenhum apoio”, relata o professor, que continua afastado.
Mas o episódio relatado por ele não é exceção. O diretor de saúde do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Aguiberto Oliveira de Lima, ressalta que o alto índice de professores com doenças psíquicas está ligado às condições de trabalho em que eles estão inseridos.
“Os profissionais são desvalorizados financeiramente e acumulam até três empregos para conseguirem se manter, mesmo podendo ocupar apenas dois; sofrem ameaças de alunos e precisam lidar com a falta de estrutura nas escolas, salas lotadas, além da falta de adaptação aos novos tempos. Um dos problemas é não acompanhar a tecnologia e se tornar um concorrente do celular ao invés de ter o aparelho para interação”, pontuou.
Para o coordenador de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ítalo Curcio, além das condições de trabalho, o que tem contribuído para o aumento dessas doenças é a má formação dos docentes.
“O professor despreparado se vê diante de problemas que não sabe resolver e isso gera problemas emocionais. Por outro lado, há os antigos que não conseguem aceitar o presente. Enquanto isso, as secretarias de Educação pouco fazem para promover a atualização dos docentes.”
O professor acrescenta que para mudar a realidade das escolas é preciso que cada Estado realize políticas públicas adaptadas à realidade do local, sendo que devem ser desenvolvidas junto à escola, alunos e familiares. “Apesar das críticas, a Base Nacional Curricular é uma espinha dorsal para a formação dos alunos, mas cada Estado precisa pensar nas próprias políticas”, disse.
O coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, acrescenta que os professores trabalham sob pressão e acabam lidando com todos os problemas da sociedade que desembocam na escola, como de saúde e de segurança pública.
“Os professores não têm instrumentos para lidar com os problemas. Caso recebam aluno vítima da violência sexual, por exemplo, precisam enfrentar a situação. Mas para que consigam ajudar é preciso que as políticas públicas nas áreas da educação, saúde, segurança pública e social sejam integradas e que tenham mais investimento em cada uma delas”, finaliza.
O OUTRO LADO
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) respondeu que diante do diagnóstico apresentado pelo professor, ele pode ser encaminhado para atendimento médico junto à rede municipal de Saúde, onde são oferecidos serviços especializados, com psicólogos e psiquiatras. Também disse que “diante de qualquer eventualidade em que é necessária a ausência do professor, a Portaria nº 20 prevê a garantia de aulas para os alunos em função de planejamento que deve ser feito por todos os professores. Desta forma, a escola tem condições de conduzir as aulas”.

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