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Vitória

Prefeitura quer transformar área de teatro em Cidade do Samba

Espaço do Carmélia fica perto do Sambão e seria destinado à produção de alegorias

Publicado em 26 de Fevereiro de 2019 às 02:06

Sullivan Silva

Publicado em 

26 fev 2019 às 02:06
Alegorias amontoadas na dispersão após o desfile no Sambão do Povo: expectativa é que o Carmélia, próximo ao Sambão, receba o material para reaproveitamento Crédito: Vitor Jubini
A Prefeitura de Vitória quer transformar a área do antigo Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, na região de Santo Antônio, na Cidade do Samba. A intenção da administração municipal é conceder o espaço para que as escolas de samba preparem suas alegorias para o desfile do carnaval no Sambão do Povo e também para que realizem outras atividades no local.
O pedido para o uso do espaço foi feito pela Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge), por meio de uma Proposta de Manifestação de Interesse Social (PMIS). A solicitação que está em fase de análise, prevê a restauração do teatro e um plano de atividade para o funcionamento do local por meio de uma parceria público-privada.
Segundo o presidente da Liesge, Edvaldo Silveira, o objetivo é solucionar problemas logísticos e de produção enfrentados no Carnaval de Vitória. Ele detalha que a intenção da Liga é construir galpões no terreno do Carmélia para que as agremiações construam seus carros alegóricos.
Nenhuma estrutura será demolida: o prédio que existe será reformado para que seja usado pelas escolas na confecção de fantasias e a realização de oficinas de capacitação profissional. Já o teatro será aberto e mantido para o uso da comunidade.
“O Carnaval de Vitória necessita de um espaço como o do Rio de Janeiro, por isso vamos fazer um planejamento estratégico para 10 anos e firmar parcerias com empresas para captar recursos e executar a ideia”, explica Edvaldo, que acrescenta que a TV Educativa também vai continuar funcionando no edifício.
A Cidade do Samba é um projeto antigo das agremiações capixabas. Em 2016 a então diretoria da Liga Independente das Escolas de Samba solicitou a prefeitura o uso de parte da área do Tancredão para a construção dos galpões. A área está sob a responsabilidade do município, que solicitou ao Governo do Estado a alteração do convênio de cessão do espaço para permitir seu uso para além da realização de atividade de esporte e lazer. O pedido ainda está em análise pelo Governo.
“A solicitação foi feita ao governo do Estado em 2016 para alterar a autorização de uso, mas não teve resposta até hoje. Agora a Liesge fez o pedido para o uso do Carmélia, mas a prefeitura possui a concessão precária do local que pertence à União. Estamos trabalhando para ter a cessão definitiva”, explicou o presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória (CDV), Leonardo Krohling.
Krohling explica ainda que com cessão definitiva do Camélia, a prefeitura irá preparar um edital que prevê regras para o seu uso. O Pedido de cessão está em análise na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O órgão foi procurado pela reportagem de A GAZETA, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
O Centro Cultural Carmélia foi inaugurado em 1986 e já sediou grandes espetáculos. Em abril do ano passado A GAZETA na seção “Que fim levou” mostrou que a Prefeitura de Vitória estudava devolver o imóvel que estava abandonado à SPU. O local a princípio, seria reformado pela administração municipal.
Teatro Carmélia pertence à União e está cedido à prefeitura, que iria reformá-lo Crédito: Vitor Jubini
 
ROUBOS CAUSAM PREJUÍZOS
A Cidade do Samba é uma demanda antiga das agremiações que participam do Carnaval de Vitória. Entre os problemas enfrentados todos os anos, está a preparação dos carros alegóricos ao ar livre e a falta de um lugar para colocá-los após o desfiles. Alguns carros ficam em espaços locados pela Liga e as escolas.
O presidente da escola de samba Novo Império, Alessandro Santos, afirma que a falta de um local adequado faz com que a agremiações não consigam aproveitar o material utilizado nos carros no carnaval do ano seguinte. Na dispersão muitas alegorias são roubadas.
“Na realidade a falta de um espaço adequado faz com que percamos muito. Não conseguimos reciclar as grandes esculturas. A parte de ferragem também acaba sendo roubada. Gastamos muito dinheiro com ferragem todos os anos”, relata Alessandro.
 

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