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Pais têm dificuldades com consultas em hospitais infantis do ES

Problemas com agendamento por telefone e aviso da falta de médicos na hora da consulta são algumas das reclamações

Publicado em 06/09/2019 às 13h38
Atualizado em 06/09/2019 às 17h07
Hospital Estadual Infantil Alzir Bernardino Alves (Himaba) é alvo de reclamações de pais de pacientes pelo modelo de marcação de consultas por telefone. Crédito: José Carlos Schaeffer
Hospital Estadual Infantil Alzir Bernardino Alves (Himaba) é alvo de reclamações de pais de pacientes pelo modelo de marcação de consultas por telefone. Crédito: José Carlos Schaeffer

Pais ou responsáveis que buscam atendimento para crianças na rede estadual de saúde na Grande Vitória estão tendo muitas dificuldades nos últimos dias. Além dos problemas estruturais no Hospital Infantil de Vitória - como a falta de alvarás sanitários e dos bombeiros, fios expostos e paredes descascadas – outra reclamação surge no Hospital Infantil de Vila Velha, o Himaba: a dificuldade para agendar consultas.

O procedimento que era feito pessoalmente, agora é por telefone. E aí que está o problema: mães ouvidas pela reportagem da CBN Vitória relatam que estão há dias tentando o agendamento, mas não são ao menos atendidas.

Uma dessas mães é a dona de casa Iza Passos, 33, que está tentando marcar consultas para a filha que faz tratamento psiquiátrico no Himaba. Segundo ela, quando o atendimento era realizado pessoalmente, os pacientes conseguiam a marcação. Depois da mudança para o telefone, ela ainda não conseguiu fazer o agendamento.

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“Eu fiz 150 ligações e ninguém atendeu. Ela precisa da psiquiatra de 90 em 90 dias. Esse prazo já passou. Eu me sinto de mãos atadas, porque o que a gente pode fazer é proteger e ajudar o filho. Eu estou fazendo a minha parte, mas o Estado não está fazendo a parte dele”, reclamou.

A dona de casa Iza Passos reclama que não consegue marcar a consulta de retorno da filha. Crédito: José Carlos Schaeffer
A dona de casa Iza Passos reclama que não consegue marcar a consulta de retorno da filha. Crédito: José Carlos Schaeffer

No Hospital Infantil de Vitória, a falta de comunicação fez com que a universitária Iara Gonçalves, 22, perdesse a viagem que fez vindo de Jaguaré para uma consulta do filho de três anos, que faz tratamento contra asma. Iara contou que foi avisada que a médica não compareceu somente quando chegou em Vitória, no próprio hospital. A consulta foi remarcada para daqui três semanas.

“Eles não me ligaram e ainda fui informada que eu teria que dar o meu número para a médica me ligar e avisar que não teria a consulta. É revoltante, porque a gente sai cedo de casa, com filho pequeno e quando chega aqui não tem o atendimento”, disse.

Secretaria responde

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde informou, por nota, que desde o mês de maio os usuários do Himaba estavam sendo orientados sobre a mudança na forma de marcação de consultas e exames e que, nesta semana, o atendimento telefônico passou a ser feito por uma nova plataforma, em que por um único número da Central de Atendimento, o usuário é direcionado e encaminhado para o atendimento, que acontece de segunda a sexta-feira, de 7h às 19h. Destacou também que o agendamento por telefone é apenas para pacientes que tiveram o retorno solicitado pelo médico.

Sobre o Hospital Infantil de Vitória, a direção esclarece que as consultas são confirmadas pelo próprio hospital para diminuir o absenteísmo.

Sociedade de Pediatria mostra preocupação

O presidente da Sociedade Espíritosantense de Pediatria, Rodrigo Aboudib, afirmou que a situação enfrentada preocupa. Segundo ele, é preciso haver uma discussão sobre o primeiro atendimento a crianças e adolescentes. Para Aboudib, as unidades básicas de saúde deveriam realizar o acompanhamento desses menores.

“Grande parte desses atendimentos não deveriam estar nos Pronto Socorros. Cerca de 70, 80% desses atendimentos deveriam ser feitos nas Unidades Básicas de Saúde. Isso reflete uma falha nesse primeiro atendimento que acaba sobrecarregando essas estruturas hospitalares”, explicou.

Outro ponto destacado por Aboudib é a necessidade do atendimento ser realizado pelo pediatra. “Eventualmente, em alguns PA’s não estamos encontrando a figura do pediatra no atendimento. Isso acaba colocando em um risco maior a saúde das nossas crianças”, finalizou.

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