Francisca conta que apesar de ter costurado por toda vida, foi em 2016 que ela teve a ideia de reformar bonecas. Ao escutar de uma amiga sobre a felicidade de crianças quando recebem brinquedos de doações no Natal, ela decidiu que queria proporcionar sorrisos também.
"Eu tinha muitos retalhos, arrumei algumas bonecas velhas, revirei até no lixo, consertei todas e doei 18 bonecas. Foi quando eu pude ver os sorrisos das crianças e decidi que faria isso sempre, cada ano em uma comunidade diferente. Em 2017, fiz 43 e em 2018, fiz 111. Já em 2019, consegui bonecas em condições péssimas. Acho que por conta de chuvas e alagamentos. Mas recuperei, mesmo as piores, e as deixei bem bonitas. Entre ursos e bonecas, foram mais de 200 brinquedos. Ficaram como novos e foram doados para comunidades do bairro Soteco, em Vila Velha e Novo Horizonte, Cariacica", comemorou.
DICAS PARA TRANSFORMAR BONECAS
Além da reciclagem, Francisca conta com doações para conseguir realizar o trabalho. Com todos os materiais nas mãos, ela divide algumas dicas de como transformar bonecas velhas em novas.
Primeiro ela tira todo o enchimento para lavar ou trocar por novos, se necessário, e depois retorna com o enchimento. Para apagar possíveis marcas de canetas, Francisca diz que já tentou de tudo, mas só viu eficácia em uma pomada para acnes. Já os cabelos são desembaraçados com amaciantes e água morna. Os mais prejudicados são cortados e ganham chapéus ou turbantes. Em seguida, as bonecas são colocadas no sol. Por último, Chiquita escolhe bons tecidos e costura novas roupas. Pronto, bonecas e ursos novinhos!
"Elas ficam lindas! Adoro fazer esse trabalho, sinto muito prazer em vê-las se transformando. E fico mais feliz ainda em ver como as crianças ficam felizes. Eu olho e penso: 'Nem parece que saiu do lixo'. Muitas vezes as meninas gostam mais das minhas bonecas do que dos brinquedos novos, que vêm de loja. Fazem muito sucesso", comemora.
Perguntada quem a costureira acha que fica mais feliz com as bonecas, se são as crianças ou ela mesma, Chiquita não pensa duas vezes. "Acho que sou eu", diz aos risos, e completa: "Ver a reação das crianças ao ganhar uma coisa que veio do lixo me traz uma felicidade que não dá pra explicar. Faz tudo valer a pena", finaliza.