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Galpões de Jardim da Penha não serão da comunidade

A União afirmou que não existe possibilidade do espaço ser cedido para se tornar centro cultural. Moradores dizem que local parece abandonado

Publicado em 16/05/2018 às 16h27
Galpões do Instituto Brasileiro do Café (IBC) são usados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Crédito:    Ricardo Medeiros
Galpões do Instituto Brasileiro do Café (IBC) são usados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Crédito: Ricardo Medeiros

A sensação dos moradores de Jardim da Penha, em Vitória, é de que os galpões enormes do Instituto Brasileiro do Café (IBC) estão abandonados. A vontade de dar outra finalidade ao local se arrasta por décadas e por diferentes mandatos. Agora, o desejo de fazer da área um centro cultural, por exemplo, deverá ser novamente guardado. A União, responsável pelo imóvel, afirmou que não existe possibilidade do espaço ser cedido à administração municipal.

Sob responsabilidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Ministério da Agricultura, os galpões são usados atualmente para abastecimento de milho. De acordo com a Conab, pequenos criadores de aves, suínos, ovinos, caprinos e bovinos são atendidos no local. Além disso, também há o Programa de Vendas em Balcão, que atende cerca de 500 agricultores da Grande Vitória e municípios vizinhos com o fornecimento do grão.

Ainda segundo a Conab, o espaço também é utilizado para abastecimento de cestas de alimentos com produtos da agricultura familiar para as comunidades indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária, além de atender pessoas atingidas por catástrofes climáticas em parceria com a Defesa Civil.

"Muitos moradores de rua ficam concentrados nos galpões. De noite a gente não pode nem passar perto porque fica muito perigoso", afirmou a dona de casa Lorena Contarini, de 51 anos. Crédito:    Ricardo Medeiros
"Muitos moradores de rua ficam concentrados nos galpões. De noite a gente não pode nem passar perto porque fica muito perigoso", afirmou a dona de casa Lorena Contarini, de 51 anos. Crédito: Ricardo Medeiros

Além disso, o espaço é usado também como estoques de café, milho, feijão, arroz e leite em pó por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos. Dessa forma, a Conab esclareceu que “como está em plena operação, não há projeto novo para o local, só manutenção das instalações”.

No total, os galpões tem 21 mil metros quadrados e são avaliados em cerca de R$ 44 milhões. A ideia de tornar o espaço um centro cultural existe desde a época em que Victor Buaiz estava à frente da Prefeitura de Vitória, entre os anos de 1989 e 1992.

A intenção é compartilhada pela gestão atual de Vitória. Procurada, a prefeitura destacou, por meio de nota, que para que isso aconteça é preciso a cessão do espaço pela União. “O município pretende receber o espaço para implantação de equipamentos públicos que atendam à comunidade, que será ouvida oportunamente sobre esse uso. A prefeitura salienta que após a cessão será elaborado um projeto de uso para buscar captação de recursos", informou.

No ano passado, a Conab informou que em 2013 o órgão tentou levar o serviço do galpão para Viana, mas o projeto foi suspenso em 2017 pelo Ministério da Agricultura. Dessa forma, a Conab informou, por meio de nota, que não possui outro armazém na Grande Vitória para executar o trabalho que é operacionalizado no imóvel.

MORADORES

Apesar da Conab afirmar que os galpões estão em pleno funcionamento, a comunidade reclama da sensação de abandono e da concentração de moradores de rua e usuários de droga que fazem do local um abrigo.

“De noite a gente não pode passar. Fica concentrado um monte de morador de rua. Tenho uma neta que gostaria que brincasse na rua como minha filha brincou, mas é impossível porque é muito perigoso”, comentou a dona de casa Lorena Contarini, de 51 anos.

Segundo Lorena, a situação dos galpões é a mesma desde quando começou a morar no bairro, há 31 anos. A também dona de casa Paola Rocha, 34, disse que desde que se entende por gente a sensação é de abandono. Quando precisa passar perto dos galpões, ela prefere dar uma volta maior para evitar ser assaltada.

A dona de casa Paola Rocha, de 34 anos, gostaria que o local fosse um shopping ou uma praça. Crédito:    Ricardo Medeiros
A dona de casa Paola Rocha, de 34 anos, gostaria que o local fosse um shopping ou uma praça. Crédito: Ricardo Medeiros

“O local poderia ser um shopping porque a área é enorme. Ou então um parque como a Pedra da Cebola para ter uma opção para as crianças brincarem”, observou.

O presidente da Associação de Moradores de Jardim da Penha, Dárcio Bracarense, ressaltou que a União deveria convidar o município a assumir a responsabilidade de uso e manutenção do espaço.

“Acredito que a União mal consegue gerenciar os imóveis públicos do país, como o do trágico incêndio em São Paulo, e deveria reconhecer sua incapacidade de utilização, ou então de subutilização, dos galpões do IBC”.

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