A poucos dias do Enem, o momento é de fazer revisão, conferir aquelas dicas do que é importante estudar na reta final e, também, descobrir as "pegadinhas" que são comuns à prova. Dessa maneira, é possível traçar as melhores estratégias para se dar bem no exame.
Para quem não sabe, cada questão objetiva tem cinco alternativas de resposta, e somente uma correta: o descritor. As demais são chamadas de distratores, e elas não são apenas incorretas, mas têm, em geral, os erros mais comuns cometidos pelos candidatos. Por isso, bastante atenção no momento de ler o enunciado e, sobretudo, a pergunta que precisa ser respondida.
"Um distrator apresenta, por exemplo, um raciocínio correto, mas que não está relacionado ao que é requisitado pelo enunciado. Esta falta de atenção por parte do aluno o conduz ao erro. Alguns alunos, quando erram o item, se referem à desatenção do que é apresentado no enunciado"
Assim, com um detalhe ou outro mais ligado à determinada área de conhecimento, a maioria das dicas cabe a todas as disciplinas.
A professora Rosseana Dusi, de Língua Portuguesa e Literatura, ressalta que o distrator é construído a partir de raciocínios razoáveis, mas não corretos, erros conceituais possíveis, ou falhas de interpretação prováveis. Para lidar com essas armadilhas, ela apresenta três dicas:
- Dedicar máxima atenção ao enunciado porque é ele quem encaminha para a resposta correta. Marque verbos e frases que considere decisivos para entender o que pede a questão;
- Ao ler as alternativas, elimine os distratores menos aceitáveis. Para isso, risque o que lhe parecer impossível. Isso vai facilitar a resolução de uma eventual dúvida entre alternativas na hora de decidir;
- Se surgir um impasse entre duas ou mais alternativas, sempre retorne ao enunciado e ao texto base (aquele que acompanha a questão). Marque a opção que seja observável no texto (ou que se possa concluir dele) ou a que mais se encaixar no que pede o enunciado.
Rosseana acrescenta que o treino frequente, mesmo que durante um curto momento do dia, facilita a rapidez do raciocínio na hora de escapar das "pegadinhas."
Em Física, o professor Leonardo Gama diz que os erros relacionados aos distratores giram em torno de três possibilidades: comando no enunciado, análise de tabelas, e análise de gráficos.
"Em relação ao comando da questão, o candidato deve ficar bem atento ao que se pede, pois pode desenvolver um raciocínio correto, chegar a um resultado plausível e errar, pois o comando pode vir a 'enganá-lo'. Quanto aos gráficos e tabelas, geralmente possuem mais dados que o necessário para resolução das questões, e é preciso filtrar as informações necessárias. De qualquer modo, se chegar a um resultado muito rápido, não significa que esteja errado, pois a questão pode ser fácil e permitir essa rapidez no raciocínio"
O professor Rodolfo Oliveira acrescenta que, em Matemática, o comando dos itens também deve ser observado para que o candidato evite seguir uma linha de raciocínio equivocada.
Já Luciana Del Piero, de Geografia, observa que uma mesma questão de Ciências Humanas pode testar os conhecimentos da sua disciplina e também de História e Sociologia. "Para não cair em pegadinhas, é preciso treinar o cérebro para fazer ligações entre as matérias."
A professora orienta também a ter cuidado com termos pouco utilizados na Geografia, como uma estratégia para confundir o candidato, a exemplo de topônimo (origem de um nome geográfico). "Foque nas informações que são importantes e não se atenha apenas às palavras desconhecidas. Marque as palavras diferentes e os termos importantes para resolver a questão.", recomenda Luciana.
Especificamente em Química, o professor Leonardo Pimental ressalta que é importante ter cuidado com as questões que envolvam cálculos químicos por causa do tempo para resolução da prova. Deve-se dar preferência às questões teóricas e deixar os cálculos por último, usando o tempo que restar. "Também é preciso tomar cuidado com distratores corretos, mas que não se relacionam com a pergunta e/ou com a situação problema apresentada", finaliza.