ASSINE

Criminosos usam Turma da Mônica para aplicar golpes em crianças

Golpistas solicitam número do cartão de crédito e código de segurança em troca de amizade falsa com os personagens como Mônica, Cebolinha e Cascão

Publicado em 03/09/2019 às 11h00
Atualizado em 07/09/2019 às 20h41
Criminosos usam imagens dos personagens da Turma da Mônica para atraírem a atenção de crianças e aplicarem golpes. Crédito: Reprodução/internet
Criminosos usam imagens dos personagens da Turma da Mônica para atraírem a atenção de crianças e aplicarem golpes. Crédito: Reprodução/internet

A Turma da Mônica há décadas faz parte da literatura infantil. Antes popular nos gibis, agora a "revistinha" se popularizou nas mídias digitais. Aproveitando-se das facilidades e vulnerabilidade do mundo virtual, criminosos estão aplicando golpes financeiros em crianças e jovens pedindo que forneçam o número de cartão de crédito, além do código de segurança dos mesmos em mensagens atreladas às imagens de personagens icônicos como Mônica, Cebolinha e Cascão.

Nas mensagens, os criminosos dizem "estar à procura de novos amigos" e para que a amizade seja feita, é necessário informar os números do cartão, que são sigilosos, além CPF dos pais ou responsáveis para que o golpe seja efetivado. Em contato com a reportagem, a Maurício Souza Produções, em nota, mostrou-se ciente do golpe e demonstrou preocupação.

"A MSP não tem nenhuma relação com a postagem fake que circula na internet e aplicativos de mensagens, como WhatsApp, usando indevidamente as imagens dos personagens da Turma da Mônica, solicitando para as crianças o envio de dados de cartão de crédito e CPF de seus pais. A MSP alerta para que não se repasse esse tipo de conteúdo falso adiante", diz a nota.

CASO NO SUL DO ESTADO

Rafael Correa, delegado da Delegacia de Crimes Cibernéticos. Crédito: Carlos Alberto Silva
Rafael Correa, delegado da Delegacia de Crimes Cibernéticos. Crédito: Carlos Alberto Silva

Com a velocidade com que os golpes se espalham pela internet, já há registro aqui no Estado. Segundo o chefe da Divisão Especializada de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio, o delegado Rafael da Rocha Correia, que está à frente no momento da Delegacia de Crimes Cibernéticos, já houve registro no Sul do Espírito Santo.

"É provável que até já tenha ocorrido, mas ainda não há registro desse crime na Grande Vitória. Na região de Cachoeiro de Itapemirim, porém, fomos informados que pessoas procuraram as delegacias locais para registrar ocorrência relacionada a esse golpe especificamente", explicou.

ALERTA AOS PAIS

O fato de não existir ocorrências na região metropolitana não quer dizer que o crime não tenha ocorrido, como detalha o delegado.

"Acontece que crimes de menor gravidade, como são esses casos, muitas vezes são registrados nas delegacias de bairros e acabam que não chegam aqui na Crime Cibernéticos. Portanto já pode ter acontecido, só que o prosseguimento não veio para cá. A investigação pode ir até para outro estado, caso quem tenha aplicado o golpe não seja do Espírito Santo, por exemplo", detalhou o delegado.

Diante de um golpe de rápida propagação, o delegado faz um alerta aos pais para que redobrem a atenção sobre como os filhos utilizam redes sociais e tecnologias.

"O golpista explora a ingenuidade das pessoas e as crianças são mais suscetíveis. Nesse golpe, especificamente, como não há dinheiro físico as crianças podem ser facilmente enganadas em fornecer senhas de cartões, pois acreditam que não estão correndo risco. Portanto, é preciso que os pais conversem com os filhos, até mesmo ensinar sobre educação financeira e os perigos em se fornecer dados pessoais, além é claro de monitorar de perto o que o filho está consumindo na internet", disse.

GOLPE SIMILAR

Para o especialista em segurança da informação, Gilberto Sudre, esse golpe tem semelhanças com muitos outros já aplicados não apenas com crianças. "Recentemente teve até muita notoriedade casos de pessoas que forneciam informações sigilosas em troca de cartões personalizados e estilizados. Isso em comentários abertos de Facebook, por exemplo. É um prato cheio para criminosos. Isso mostra como ainda há muita ingenuidade na utilização dos meios digitais", avaliou.

Um caminho para diminuir o número de vítimas apontada pelo especialista é melhorar o acesso das pessoas ao mundo digital. "A popularização da internet nos lares e celulares é maravilhosa, pois aproxima o público do conhecimento e das novidades, mas infelizmente há pessoas que se aproveitam dessa pouca habilidade dos usuários para aplicarem golpes. Na maioria das vezes eles são simples e as pessoas não desconfiam que possam correr riscos", alertou Sudre.

PROCURE A DELEGACIA

Caiu um golpe com essas características? Procure a delegacia mais próxima. Essa é a orientação do delegado Rafael da Rocha Correia.

"A vítima deve procurar imediatamente a delegacia e registrar o boletim de ocorrência. É necessário procurar a operadora do cartão e solicitar o cancelamento do mesmo para evitar que haja alguma transação. Caso o golpe tenha sido efetivado e haja prejuízo financeiro, a vítima tem que denunciar essa transação financeira. Há que se desconfiar quando há muita facilidade nas propostas que chegam até nós, concluiu o delegado.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.