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Como identificar se a dor física do seu filho é de origem emocional?

Excesso de atividades, cobranças e altas expectativas dos pais podem levar a criança a desenvolver dores emocionais que atingem o corpo

Publicado em 10/01/2020 às 12h26
Algumas dores podem ser produzidas pela cabeça da criança por ela estar passando por um problema emocional. Crédito: Pixabay
Algumas dores podem ser produzidas pela cabeça da criança por ela estar passando por um problema emocional. Crédito: Pixabay

Não é raro ouvir uma criança reclamar de dores de cabeça e de barriga e, ao ser levada ao médico, não encontrar nenhum problema aparente. Muitos pais acabam pensando que a criança não tem nada, mas na maioria das vezes esta dor pode ser um caso de saúde mental.

Fernanda Mappa

Psiquiatra da Infância e Adolescência

"A dor existe, mesmo que um exame médico não encontre. Ela está sendo produzida pela cabeça da criança, que pode estar passando por algum tipo de transtorno emocional"

De acordo com a psiquiatra, é crescente o número desdes pequenos que desenvolvem problemas relacionados com a saúde mental. “O mundo hoje é diferente de 10 anos atrás, e as crianças também. Hoje elas são mais ansiosas por conta da vida que levam, sentem que é preciso fazer tudo mais rápido, querem as coisas para ontem. Isso gera um excesso de ansiedade, muita cobrança e frustração", comentou.  

COMO IDENTIFICAR?

O mais importante é observar as mudanças de comportamento do seu filho, principalmente se ele se queixa de dores constantes quando exposto a ambientes em que precisa se relacionar. Com a ajuda de especialistas, A Gazeta elaborou algumas perguntas para ajudar a identificar quando a saúde mental do seu filho pode estar comprometida. 

  • Seu filho lhe persegue dentro de casa?
  • Seu filho tem dificuldades para dormir ou ficar sozinho em casa?
  • Seu filho apresenta dificuldade para ficar ou ir à escola?
  • Quando seu filho se afasta de você, ele faz inúmeras ligações para saber onde você está?
  • Seu filho tem evitado situações em que pode ser avaliado negativamente?
  • Seu filho apresenta palpitações, diarreia ou tensão muscular quando precisa ser exposto a alguma situação social?

COMO AJUDAR SEU FILHO?

Apesar da necessidade de cuidar da saúde mental, muitos pais não sabem lidar com a dor emocional das crianças. Na preocupação de dar o melhor para os filhos, eles acabam gerando muita expectativa e, consequentemente, ansiedade e frustração para eles.

Fernanda Mappa

Psiquiatra da Infância e Adolescência

"Todo pai quer o melhor para o filho: a melhor escola, balé e inglês. Mas o excesso de atividades cria uma expectativa em torno da performance. Não basta fazer balé, tem que brilhar nas apresentações de final de ano. Não basta fazer futebol, tem que driblar e ser 'o bom'. E quando a criança não consegue cumprir o que esperam dela, aquilo se transforma em frustração"

Para ajudar os filhos a passar por situações como as citadas, é preciso que os próprios pais deixem a ansiedade de lado. Ter disponibilidade para momentos em família, com mais diálogo e menos cobranças, é essencial. 

"É preciso desacelerar e 'ensinar as crianças a ter paciência', mas isso vai exigir um envolvimento maciço da família. Brincadeiras que não envolvam tecnologia, de preferência em grupo, são grandes aliados. É importante também não comparar uma criança com a outra, ou o desempenho que elas desempenham em atividades. Procurar um psicólogo que oriente nas rotinas do dia a dia também pode ajudar", aconselha Mappa.

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