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Preços da cenoura e do tomate disparam com ondas de seca e frio

Carnes, frutas e hortaliças ficaram até 106% mais caras na Grande Vitória. Segundo especialistas, apesar da alta não ser permanente, o capixaba ainda vai sentir o impacto pelos próximos meses

Publicado em 18/08/2021 às 11h00
Plantio de cenoura
Alimento tem sido um dos vilões da inflação. Crédito: Pixabay

Além de fazer os capixabas tirarem os casacos do armário, a onda de frio e a seca registrada no Espírito Santo e em todo o Brasil também obriga a população a colocar as mãos nos bolsos – só que não para esquentar.

Acontece que essas mudanças climáticas acabam pressionando o preço de muitos alimentos básicos do dia a dia e fazendo com que a conta do supermercado ou da feira, que já estava alta, fique ainda mais salgada.

De acordo com os dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, alguns alimentos comercializados na Região Metropolitana da Grande Vitória como carnes, frutas e hortaliças apresentam um aumento nos preços de até 106% em 12 meses.

Em um ano, as maiores altas foram registradas no valor de venda do tomate (106,81%), cenoura (72,29%), óleo de soja (69,09%), carnes (32,24%), arroz (32,19%), aves e ovos (20,42%), leite e derivados (13,98%) e feijão (11,5%).

No entanto, diversos outros alimentos, como batata, cebola, frutas, pão francês, entre outros, tiveram alta nos preços superior a 10% nos últimos meses.

Segundo o economista André Braz, o impacto do frio e da seca na alta dos preços acontece por dois fatores: a sensibilidade de alguns alimentos diante de temperaturas mais amenas; e a degradação das pastagens devido ao período de seca, típico do inverno, comprometendo a alimentação do gado.

André Braz

Economista

"O frio principalmente afeta primeiro as hortaliças e verduras, que são mais sensíveis às baixas temperaturas. Dessa forma, a demanda continua alta, mas a oferta é mais escassa, culminando no aumento do preço desses alimentos"

Já em relação a seca, os produtos mais afetados são as carnes de forma geral, as aves e os ovos.

“Quando a pastagem é destruída por causa da seca, o pecuarista precisa comprar ração para alimentar o animal, que geralmente é a base de soja ou milho, que também foram afetados pela seca. No caso do milho, ele também é alimento para as aves, aumentando o preço da carne de frango e dos ovos também”, explica o economista.

Para o diretor-presidente das Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa), Guilherme Gomes, além da estiagem e do frio, a alta do preço dos alimentos também é justificada pelo aumento do custo dos insumos utilizados na produção agrícola do Estado. 

"O Espírito Santo também tem algumas particularidades. A primeira delas é que a oferta de produtos diminuiu porque o cultivo de alguns alimentos está mais caro devido ao preço do insumos mais caro. Antes, um saco de adubo custava R$ 65; agora, o mesmo adubo custa R$ 210, e o preço do produto final não acompanhou esse crescimento", explica. 

Para Guilherme, outro fato responsável pelo aumento dos alimentos é que, devido a seca e ao frio impactarem principalmente Sul do Brasil, o Espírito Santo se tornou referência para abastecer Estados.

"Hoje, quando percorremos a Ceasa, vemos compradores do Sul do país, de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros Estados. Muitas vezes, eles compram a produção inteira do produtor rural antes dela chegar às Centrais de Abastecimento. Isso diminui a nossa oferta, e, consequentemente, aumenta o preço do produto final, que vai ser adquirido pelo consumidor", pontua.

ALTA DE PREÇOS É TEMPORÁRIA

A boa notícia, segundo o economista André Braz, é que a alta dos preços causada pelo frio e pela seca é temporária.

“Esses aumentos que são ditados pelas condições climáticas e desafiam a agricultura são temporários. Daqui a pouco, chegam os meses com maior volume de chuva, que é a primavera e o verão. Os preços vão continuar desafiando o orçamento por alguns meses, mas é uma condição transitória e não permanente”, destaca.

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