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Sobretaxa de 25%

Setor de rochas do ES: ministro diz que governo negocia retirada de segmento de tarifaço dos EUA

Márcio Elias Rosa também defende ações como o Plano Brasil Soberano, que, segundo ele, terá recursos para socorrer empresas afetadas pelas tarifas e pela crise geopolítica

Publicado em 24 de Junho de 2026 às 12:36

Julia Camim

Publicado em 

24 jun 2026 às 12:36
Ministro Márcio Elias Rosa no programa "Bom Dia, Ministro".
Ministro Márcio Elias Rosa no programa "Bom Dia, Ministro". Diego Campos / Secom-PR

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo federal está trabalhando para excluir o setor de rochas ornamentais da lista de itens que serão impactados pelo novo tarifaço de 25% sobre bens brasileiros exportados aos Estados UnidosA exclusão beneficiaria diretamente o Espírito Santo, responsável por cerca de 80% da indústria brasileira de rochas ornamentais.

“Eu mesmo me empenho muito com o governo norte-americano para que esse setor esteja na lista de exceções. Infelizmente, foi um dos setores que ficou incluído na sujeição ao tarifaço, sofreu os efeitos do tarifaço e isso é terrível”, disse o ministro sobre o setor, que pode ter até 45% do faturamento das exportações impactado.

A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira (24), durante entrevista coletiva no programa “Bom Dia, Ministro”, do qual A Gazeta participou. O Plano Brasil Soberano, que engloba diversas medidas para reduzir os efeitos econômicos das tarifas, foi um dos assuntos abordados por Márcio Elias Rosa.

Segundo o ministro, a política do governo federal no momento é “primeiro, de exclusão desse setor (da lista de bens tarifados) e, depois, de redução, evidentemente, das tarifas”. A nova  sobretaxa anunciada pelos EUA está em fase de consulta pública e sua nova implementação deve ser concluída até 15 de julho.

'Situação absurdamente injusta'

A nova medida norte-americana, que excluiu da proposta de tarifação itens como petróleo, minério de ferro, celulose, café, pimenta-do-reino, frutas, gengibre, carne bovina e quartzito, mas manteve granitos, mármores, ardósias e outros materiais do setor de rochas, é considerada “injusta” pelo ministro. 

É uma situação absurdamente injusta do ponto de vista comercial, absurdamente agressiva do ponto de vista da soberania, e que o Brasil obviamente não aceita, mas continua negociando com muita técnica, com muita firmeza. Nós precisamos, evidentemente, convencer o governo norte-americano de que não pode preponderar interesses egoísticos no momento de uma decisão que diz respeito a uma nação

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Em um relatório divulgado em maio pelo Banco Central, ficou demonstrado que o Espírito Santo foi o Estado mais afetado pelo tarifaço imposto ao país no ano passado. Como efeito das taxas, o PIB capixaba caiu 0,55% em 2025, quando os EUA foram o destino de 27% das exportações do Estado.

Nesse cenário, o Plano Brasil Soberano, conforme o ministro, tem como objetivo socorrer as empresas que exportam bens para os Estados Unidos e ficaram sujeitas ao tarifaço e também aquelas que sofrem com os efeitos da guerra no Irã, que elevou o preço do diesel.

“O Brasil soberano vai sempre ter recursos disponíveis necessários para socorrer as empresas e os empregos. Não falta, do presidente Lula, a consciência de que nós precisamos estar ao lado do setor privado para enfrentar os adversários e os incidentes que ocorrem nessa geopolítica moderna”, explicou o chefe do MDIC.

Conforme dados do ministério, durante a nova fase do Plano Brasil Soberano — iniciada em 15 de maio —, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já recebeu pedidos de crédito de R$ 8,5 bilhões e, até o dia 12 de junho, R$ 2,4 bilhões foram aprovados.

Ao todo, foram 176 operações realizadas, sendo 95 delas voltadas aos setores industriais, 44 aos exportadores para países em conflito, 34 aos exportadores impactados pelo tarifaço e 3 a fornecedores que atendem empresas exportadoras.

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