O Espírito Santo foi o Estado que teve a economia mais impactada pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros em 2025. Um estudo realizado pelo Banco Central para avaliar os impactos regionais das tarifas mostra que a retração representou 0,55% do PIB capixaba, sendo a maior do Brasil.
No geral, a queda das exportações para os EUA representou 0,8% do volume negociado pelo Brasil como um todo para o exterior, o que equivale a 0,1% do PIB. Em relação às exportações totais de cada região, no Sudeste a proporção foi de 1%, e no Sul, de 1,5%, refletindo a maior dependência relativa desses locais em relação ao mercado norte-americano.
De acordo com o boletim, uma medida mais representativa do impacto das tarifas na atividade doméstica de cada Estado é a queda das exportações para os EUA como proporção do PIB. Nessa métrica, os Estados para os quais poderia se esperar impacto mais negativo na atividade foram: Espírito Santo (-0,55%), Maranhão (-0,42%), Rio de Janeiro (-0,35%) e Mato Grosso do Sul (-0,35%).
O estudo conclui que a elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos em 2025 teve impacto perceptível sobre as exportações brasileiras para aquele mercado, com queda de US$ 2,7 bilhões no total anual. Embora essa redução seja de magnitude moderada no plano macroeconômico – equivalente a cerca de 0,1% do PIB e 0,8% das exportações –, sua relevância variou significativamente entre regiões e Estados.
No Sudeste e no Sul, regiões que concentram a maior parcela das exportações para os EUA, o impacto foi mais pronunciado, especialmente no período de agosto a novembro, quando vigoraram as tarifas mais elevadas.
“O Estado mais afetado quando a queda é comparada com o nível de atividade foi o Espírito Santo, cuja retração equivaleu a 0,55% do PIB do Estado. A decomposição entre preço e quantum confirma que o efeito predominante foi via redução de volume, consistente com a natureza do choque tarifário”, diz o estudo.
Além disso, a queda mais acentuada nos produtos sujeitos à ordem executiva reforça a associação entre a política tarifária e a retração observada. Por outro lado, há evidências de que parte das exportações pode ter sido redirecionada para outros mercados, dado que as negociações totais do Brasil cresceram no período.