Quem não abre mão do leite para acompanhar o café ou não deixa o produto faltar no carrinho do supermercado já deve ter percebido: o preço subiu nas últimas semanas no Espírito Santo.
Só em abril, o leite longa vida subiu 14,87% na Grande Vitória e no acumulado do ano a alta soma 9,99%, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na Grande Vitória, por exemplo, o litro do leite UHT está sendo vendido entre R$ 4,48 e R$ 8,99, chegando a R$ 9,89 nas versões sem lactose. As informações constam no Menor Preço, aplicativo que monitora em tempo real os valores que os produtos estão sendo vendidos nos estabelecimentos comerciais via nota fiscal eletrônica.
Em maio, o valor segue subindo, também no Brasil, conforme apontou o Índice Geral de Preços (IGP-10), estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em maio, o leite in natura subiu 10,19%, enquanto o longa vida teve alta de 13,85%. No mês anterior, as altas tinham sido de 6,4% e 8,1%, respectivamente.
O fator que mais contribui para a alta nos preços é a entressafra. Por ser um produto sazonal, em algumas épocas do ano a oferta diminui, o que acontece agora com a redução das chuvas.
O coordenador dos Índices de Preços da FGV Ibre, André Braz, explica que a falta de chuva reduz o capim, o que faz os produtores terem de investir em ração, aumentando os custos e, consequentemente, o preço final do produto.
“O leite não tem substituto, o que deixa as famílias sem opção na hora das compras. E também é um tipo de produto que as pessoas não costumam abrir mão, diferentemente de iogurte ou queijo, que muitos deixam de comprar na alta dos preços”, explica.
Para o especialista, o efeito da alta de preços deve perdurar enquanto o período de seca dura.
A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã também impacta no preço do leite no Brasil e Espírito Santo. Isso porque o fechamento do Estreito de Ormuz tem afetado o valor dos combustíveis, principalmente o diesel.
O economista Heldo Siqueira lembra que, com o diesel mais caro, o valor do transporte também aumenta, o que acaba impactando o preço do produto final. Ele explica que o leite acaba sendo mais suscetível a essa variação por ser perecível e não gerar muito estoque que possa aguardar uma possível baixa nos combustíveis.