O anúncio, desta terça-feira (02), de que uma nova rodada de tarifas pode atingir as exportações brasileiras para os Estados Unidos deixou a indústria de rochas, que é muito dependente do mercado norte-americano, preocupada. A proposta de tarifação de 25% divulgada pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) exclui apenas os quartzitos brasileiros. Granitos, mármores, ardósias e outros receberão taxação extra caso as medidas avancem. O novo tarifaço atinge 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas.
"A preocupação do setor permanece elevada. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e a proposta anunciada pelo USTR volta a colocar sob risco aproximadamente 45% do faturamento exportado pelo setor. A inclusão de um código de nossos produtos entre as exceções é uma informação relevante, mas ainda estamos avaliando os impactos sobre outras categorias importantes da nossa pauta exportadora", afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas.
Embora a investigação tenha sido concluída, a eventual aplicação das medidas ainda depende do cumprimento de etapas previstas na legislação americana. O processo permanece em curso e inclui consultas públicas, manifestações de partes interessadas e audiência oficial antes da definição final sobre eventuais medidas corretivas.
Entre as próximas etapas estão a audiência pública marcada para 6 de julho e o prazo legal de 15 de julho para eventual definição e implementação das medidas propostas.
“O impacto é ainda mais severo entre as pequenas e médias empresas, que, em sua maioria, dependem quase exclusivamente da exportação desses materiais para manter suas operações. Em muitos casos, trata-se de 100% da receita dessas companhias, o que torna sua sustentabilidade econômica e a preservação dos postos de trabalho altamente ameaçadas”, assinalou Machado.
A entidade defende a manutenção e o fortalecimento dos canais de diálogo construídos ao longo dos últimos meses entre o setor brasileiro de rochas e interlocutores estratégicos nos Estados Unidos.
O Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em rochas (brutas e acabadas), em 2025. Os Estados Unidos foram o destino de mais da metade do que foi vendido. O Espírito Santo abriga cerca de 80% da indústria brasileira de rochas. O impacto por aqui de uma crise no setor seria enorme, principalmente para o Sul do Estado.
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