Um alívio no geral e algumas preocupações pontuais na indústria e no agronegócio do Espírito Santo. Este é, por ora, o saldo da proposta de imposição de nova tarifa de importação, de 25%, em cima de produtos brasileiros feita pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Bom frisar que trata-se de uma proposta, nada está definido. O martelo final será batido em 15 de julho. Até lá, muita negociação (e alguma apreensão).
O alívio se dá pelo fato de os gigantes da indústria e do agronegócio capixaba terem sido excluídos, de imediato, da proposta de tarifação. Estamos falando de petróleo, minério de ferro, celulose, café, pimenta-do-reino e de boa parte das rochas vendidas para lá (os quartzitos). A gigantesca parte dos produtos capixabas exportados para os Estados Unidos estão, portanto, nesta lista. Um baita alívio. Ainda estão no pacote frutas, gengibre e carne bovina.
Por outro lado, arranjos importantes ficaram entre os produtos que correm risco de serem tarifados em 25%. Na indústria de rochas, os granitos, mármores e ardósias e outros estão entre os que o USTR sugere o aumento da taxa de importação. Pelas contas do Centrorochas, entidade que representa os exportadores, 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais está potencialmente exposto aos efeitos da medida. Importante destacar que foram exportados, em 2025, US$ 1,2 bilhão em blocos e chapas, sendo que os EUA respondem por cerca de 50% disso aí. Outro detalhe: algo perto de 80% do parque de beneficiamento da indústria brasileira de rochas está instalado no Espírito Santo.
Na agroindústria, a preocupação atende por café solúvel. O Espírito Santo abriga um dos maiores parques de solúvel do Brasil, tendo recebido bilhões de reais em investimentos nos últimos anos. A expectativa era de ampliação, mas, do primeiro tarifaço, em meados de 2025, para cá, a coisa deu uma esfriada. Os Estados Unidos são grandes compradores da produção brasileira e a busca por novos clientes não é simples. Primeiro, porque o mercado é bem atendido. Além disso, cada país (cliente) aprecia um tipo de sabor, portanto fazer uma mudança de mercado não é tão simples como parece.
Ainda dentro do agronegócio, estão dentro dos segmentos com risco de tarifação: pescados, ovos e carne de frango.
Para finalizar, cabe uma explicação sobre o aço, que é uma das mais importantes indústrias do Espírito Santo. O setor não entrou na proposta feita, nesta terça, pelo USTR, já que é tarifado de outra forma pelo governo norte-americano. Aliás, coincidência ou não, uma pequena mexida, também nesta terça, foi feita em cima das regras tarifárias do aço.
A ver as cenas dos próximos capítulos.
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