Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Novos dutos

Investimentos de R$ 9 bi no setor de gás vão abrir 7 mil empregos no ES

Com aumento da produção de gás natural dos campos capixabas e a demanda maior, Estado vai precisar construir três novos gasodutos e duas unidades de processamento

Publicado em 28 de Setembro de 2019 às 06:00

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

28 set 2019 às 06:00
Gasoduto chegando à UPGN de Cacimbas, em Linhares, no Litoral Norte do Estado Crédito: Agência Petrobras/Divulgação
quebra do monopólio da Petrobras com a abertura do setor de gás natural no Brasil deve atrair investimentos bilionários para o Espírito Santo e estimular a criação de empregos nos próximos anos. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) dão conta que o novo mercado de gás tem potencial para destravar a construção de três novos gasodutos e duas unidades de processamento de gás natural (UPGN) no Estado.
A estimativa de investimentos no Espírito Santo é da ordem de R$ 9,1 bilhões com a construção de 285 quilômetros de dutos, o que pode criar cerca de 7 mil vagas de empregos, sendo 4,6 mil oportunidades geradas na construção dos dutos e unidades e 2,4 mil vagas na operação dessas estruturas.
Isso porque a EPE mapeou a necessidade, em breve, de construção de dois dutos vindos do mar do Espírito Santo para escoar o gás produzido para a costa, e de um terceiro em terra, recebendo esse gás e levando-o até à malha de gasodutos já existente.
No caso dos gasodutos de escoamento, a previsão é que o Estado ganhe dois dutos. O primeiro vai conectar campos do pós-sal da Bacia do Espírito Santo a uma unidade de processamento no Litoral Norte capixaba e será necessário diante das perspectivas de produção de gás nos próximos anos em blocos hoje sob exploração da Petrobras e da Equinor na região.
Para esse duto, são duas as alternativas mapeadas, uma ligando os campos produtores ao Porto da Imetame, em Aracruz, que deve receber um terminal e uma UPGN; e outra até a UPGN de Cacimbas, em Linhares, essa já existente. Em ambas as possibilidades, a EPE estima que os dutos deverão ter 150 km e demandar um investimento de cerca de R$ 2,3 bilhões.
"São duas possibilidades, com mais ou menos a mesma extensão, para escoar a produção em campos da Petrobras e da Equinor. Como isso será viabilizado dependerá da estratégia dessas petroleiras, que podem, por exemplo, fazer um consórcio para construir um duto só, que é uma coisa cara. E para onde vai depender da estrutura do porto e da UPGN, que já tem em Cacimbas e precisará ser ampliada, e que a Imetame também prevê ter em seu parque", destaca o consultor técnico da área de gás natural da EPE, José Mauro Ferreira Coelho.

Pré-sal

O segundo duto de escoamento seria na região do pré-sal, na porção capixaba da Bacia de Campos. A ideia é que os dutos liguem blocos offshore da petroleira norte-americana Anadarko a portos.
Para este duto, são duas alternativas estudadas, ambas com cerca de 120 km de extensão e investimentos de R$ 1,9 bilhão: uma levando o gás até o futuro Porto Central, em Presidente Kennedy; e a outra conectando ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).
Em ambas as possibilidades para o pré-sal, seria preciso ainda construir um duto de transporte terrestre, levando o gás que chegará a um dos portos até à malha mais próxima já existente - Gasoduto Cabiúnas -Vitória (Gascav). É aí que o Porto Central sairia um pouco na frente.
Isso porque para ligar o porto de Presidente Kennedy ao Gascav, o duto precisaria de ter 15 quilômetros, com investimento de R$ 288 milhões. Já para conectar Açu ao mesmo gasoduto seriam necessários 46 quilômetros de dutos, com R$ 355 milhões de investimentos.
De acordo com o diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, José Mauro Ferreira Coelho, a definição de qual o porto receberá o investimento vai depender das estratégicas dos operadores e também das condições oferecidas pelos portos, mas a demanda para isso haverá.
"Em pouco mais de 10 anos o Brasil vai triplicar sua produção de gás, e por isso teremos necessidade de termos gasodutos e unidades para transportá-lo e processá-lo. No pré-sal, temos três rotas hoje com capacidade de escoar 44 milhões de m³ por dia, mas a previsão é que a produção de gás no pré-sal chegue a 71 milhões de m³/dia", explica.
Para o coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes, Durval Vieira Freitas, o Espírito Santo demandará essa estrutura adicional. "Novos projetos no Estado da Petrobras, Equinor, ExxonMobil e Shell vão gerar muito gás. E esse gás ou você reinjeta, ou queima ou consome. Precisamos de ampliar o consumo com esse novo mercado de gás, sobretudo atraindo novas indústrias", diz.
Coelho, da EPE, ressalta que o indicativo não é determinativo, mas sim um planejamento energético com base em demandas e aumento da produção. "É um projeto indicativo, que por ter uma análise preliminar já reduz custos para empresas interessadas. Essas estruturas precisarão entrar em operação até a segunda metade da próxima década. Então como a construção demora algo em torno de 4 e 5 anos, a decisão já precisará ser tomada logo".

Unidades de processamento

Esses novos gasodutos também vão demandar novas unidades de processamento de gás natural (UPGN) para tratar o gás recebido e prepará-lo para o consumo.
Uma das previstas pela EPE para o Espírito Santo é a UPGN do Porto Central, com investimentos da ordem de R$ 2,3 bilhões, para processar o gás que deve chegar pelo gasoduto de escoamento do pré-sal. Isso se o porto capixaba de fato for o escolhido como destino final do duto.
Já no pós-sal, o investimento dependeria de até onde irá o gasoduto de escoamento. Se for para o Porto da Imetame, em Aracruz, seria necessária a construção de uma UPGN no local. Já se for para o terminal de Cacimbas, em Linhares, que já conta com uma unidade de processamento, seria necessário fazer investimentos para ampliá-las.
"No caso do Porto da Imetame e de Cacimbas, nem seria preciso construir um gasoduto de transporte para ligar à malha existente porque eles já são conectados", comenta José Mauro Ferreira Coelho, da EPE.

Novo ciclo de desenvolvimento

Antes o patinho feio entre os combustíveis, o gás natural vem se consolidando como a energia do futuro. Menos poluente que o petróleo, por exemplo, o gás tem ganhado destaque com a perspectiva de aumento da produção no país nos próximos anos e a possibilidade de empresas competirem, estimulando que o preço do insumo caia e, assim, o consumo aumente.
Porto Central, em Presidente Kennedy, pode abrigar indústrias de olho no gás Crédito: Divulgação
Se diretamente a construção e operação de gasodutos, terminais e unidades de processamento de gás já vai atrair investimentos bilionários e criar milhares de empregos no Espírito Santo na próxima década, indiretamente o novo mercado de gás tem potencial de atrair vários empreendimentos para o Estado, trazendo empregos, diversificando a economia e criando um novo ciclo de desenvolvimento.
"Se a gente conseguir transformar esse potencial em realidade, certamente teremos um novo ciclo de desenvolvimento no Estado a partir do gás", resume Durval Vieira Freitas, coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes. Ele complementa: "Já temos uma logística boa e os campos produtores e, tendo essa infraestrutura disponível, certamente teremos várias empresas interessadas em vir para cá".
Para isso, Durval no entanto pontua que será necessário que a livre concorrência prometida aconteça na prática. "Se a gente tiver essa política, podendo comprar diretamente de empresas produtoras como a Shell, a Equinor, a ExxonMobil, ou mesmo importar, o gás vai ficar mais barato e teremos condições das indústrias apostarem mais nisso. A competição é sempre o melhor caminho."
Se isso se concretizar, o especialista acredita que o Estado deve virar alvo de empresas de geração de energia (termoelétricas), siderúrgicas com processos a gás, mineradoras, petroquímicas e indústrias de cerâmica, plástico e alimentos.
O diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, José Mauro Ferreira Coelho, pontua que o momento é de uma verdadeira revolução. "O setor de gás passa por um momento importantíssimo no país, com a projeção de aumento na produção, e os Estados mais bem posicionados são Rio, São Paulo e Espírito Santo, com grandes oportunidades de trazer essa indústria de óleo e gás, atrair investimentos e gerar empregos."

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Trump diz que EUA vão pausar operação de escolta de navios no estreito de Ormuz
Imagem de destaque
'Não somos só notícia, somos pessoas': o apelo dos passageiros presos em cruzeiro com surto de hantavírus
Imagem de destaque
O que se sabe sobre ataque a tiros que deixou duas pessoas mortas em escola no Acre

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados