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Publicado em 8 de outubro de 2025 às 09:15
Uma solução inteligente para automação do serviço público, reaproveitamento de óleo que vira sabão e monitoramento de ácaros nas plantações de morango são apenas três dos projetos inovadores apresentados pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) durante a 5ª Semana Nacional de Educação Profissional e Tecnológica (SNEPT), que acontece até quinta-feira (9), no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha (Arena BRB). >
O encontro reúne 400 projetos, 63 instituições e 1.434 expositores de todo o país. Único representante capixaba no evento, o Ifes leva oito ideias, todas apresentadas por alunos dos cursos técnicos e superiores dos campi de Vila Velha, Serra, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim. >
Entre os trabalhos, está o projeto MiteHunter, que auxilia o manejo sustentável do morangueiro, desenvolvido pela aluna do curso de Sistemas de Informação Wilsiman Santos Evangelista. >
Segundo ela, o sistema utiliza inteligência artificial para identificar e contar ácaros em plantações de morango, auxiliando agricultores no controle biológico e reduzindo o uso de acaricidas. >
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“O ácaro ataca plantações e gera prejuízo aos agricultores. Em vez de ir a campo com lupa para olhar planta por planta, ele nos manda uma foto que identifica onde está o problema. A nossa ideia é incentivar uma produção mais sustentável, com a redução do uso de remédios”, relata. >
O agrotóxico utilizado é prejudicial tanto para o produtor quanto para o consumidor. O trabalho já é desenvolvido há três anos com agricultores de Santa Maria de Jetibá, sendo que um deles já não utiliza o produto há dois anos.>
Também do campus Serra, os estudantes de Sistemas de Informação Bruno da Fonseca Chevitarese e Matheus Barcelos apresentam o projeto Vepema, uma solução web inteligente para automatizar o monitoramento e gerenciamento do cumprimento de penas alternativas.>
A inteligência artificial atua na validação de identidade e recursos para modernizar processos, garantindo segurança e eficiência no setor público. A tecnologia está sendo usada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) há cerca de um mês.>
“O sistema consiste no monitoramento de pessoas que cumprem penas alternativas. Antes, tudo era feito manualmente e, com o aplicativo, é possível informar o horário de início e encerramento do trabalho. Também é preciso tirar uma foto para registrar que realmente esteve no local designado”, comenta Chevitarese. >
Alunos do campus Vila Velha levaram dois projetos. Um deles é transformar o óleo de cozinha em sabão para lavar louças, evitando o descarte irregular do produto. A iniciativa busca aplicar conceitos da Química Verde no processo de saponificação, integrando práticas de economia circular. >
Thaylla Kissila Pereira de Souza e Halisson Ribeiro Gusmão, do curso técnico em Química, explicam que o projeto promove experiências práticas em escala piloto. São feitas várias análises e utilizados componentes químicos para fazer a transformação. >
“A gente prepara uma solução de sabão, faz uma série de comparações para saber qual o pH do sabão, para verificar se ele está de acordo com o que é esperado”, relata. O óleo vem de pastelarias e restaurantes. >
Natália Alvarenga Duarte e Gabriel Lavagnoli Fortes, alunos da graduação de Biotecnologia da unidade de Vila Velha, levaram para o evento o projeto de valorização de resíduos agrícolas, que desenvolve embalagem bioativa à base de taro e papel de fibras de gengibre.>
Os estudantes explicam que a proposta visa soluções sustentáveis que unem ciência e inovação para reduzir impactos ambientais e agregar valor a subprodutos agrícolas.>
“A nossa ideia começou quando verificamos o grande número de descarte de resíduos agrícolas, então, desenvolvemos algo que pudesse utilizar esses resíduos para fazer produtos funcionais, evitando o desperdício”, comenta Natália. >
Para popularizar o conhecimento científico, alunos do curso técnico de eletromecânica do Ifes de Cachoeiro de Itapemirim transformaram conteúdos científicos em materiais atrativos para mídias digitais, aproximando jovens da ciência e da tecnologia.>
Entre os participantes do projeto Ifes Ciência – Quando a educação viraliza, estavam Daniel Amorim Athanazio e Pedro Polonini Andrade. Recentemente, o grupo se destacou ao cortar um copo Stanley ao meio.>
“A iniciativa busca combater a desinformação e popularizar o conhecimento científico com linguagem acessível e formatos envolventes. O nosso objetivo é transformar a ciência em algo simples e visual, para que todo mundo sinta aquela paixão que a gente também sente por ela”, relata Athanazio.>
Do campus de Guarapari, o Laboratório Penguin é um espaço de inovação voltado para desenvolvimento de projetos tecnológicos, experimentação prática e integração entre estudantes, professores e comunidade. O laboratório fomenta criatividade, empreendedorismo e aprendizado aplicado em ciência e tecnologia.>
A aluna da graduação de Engenharia Elétrica Rafaela da Silva Crise, junto com outros colegas, desenvolveu um robô de nome Scarlett. Segundo ela, o grupo tem como objetivo chamar atenção de outros estudantes para o ramo de robótica.>
“Ela pode andar em terrenos irregulares e ainda sobe escadas, podendo ser usada nas áreas industrial e logística. Futuramente, pretendemos vender essa ideia”, afirma. >
Em um trabalho conjunto, o projeto RobIS Controller também do Ifes de Guarapari, é uma ferramenta que permite controlar remotamente os robôs desenvolvidos pelo outro projeto. O sistema define posições do aparato no ambiente em tempo real. >
Além disso, possibilita teleoperação, automação de espaços inteligentes e demonstração prática de interação homem-robô, como explica o aluno de Engenharia Elétrica Júnior de Barão Guimarães.>
Por fim, o projeto Pocar – Programa de Origem Capixaba e Autenticidade Regional tem como objetivo apoiar produtores e comunidades capixabas, fortalecendo Indicações Geográficas e Marcas Coletivas. >
A iniciativa promove identidade regional, geração de renda, inovação social e conexão entre ensino, pesquisa e sociedade. >
“O Pocar conecta o ensino, a pesquisa e a sociedade e fortalece o negócio local e a economia do Espírito Santo, ou seja, divulga os produtos capixabas para outros lugares, como o mármore de Cachoeiro de Itapemirim, as paneleiras de Goiabeiras e o café do Caparaó”, comenta a estudante Betina Barcelos de Mattos Rocha, do curso de Administração. >
O professor e coordenador da comitiva do Ifes no evento, Felipe Malheiros, destaca que a seleção foi feita por meio de uma chamada interna, com 12 trabalhos inscritos. Para a Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, foram selecionados oito projetos. >
“Sempre procuro incentivar os alunos a desenvolverem suas ideias e a participarem de eventos como este. Esta é uma oportunidade de conhecer a rede federal de ensino de outros estados e até para que eles possam identificar em que fase de ensino se encontram.”>
A jornalista viajou a convite do Ministério da Educação.>
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