Investidores e credores da Apex Partners e da Rhino Securitizadora começaram a se organizar para atuar de forma coletiva diante da crise financeira que atinge o grupo. Um fórum independente, realizado neste sábado (29), em Vitória, reuniu cerca pessoas em busca de informações sobre suas aplicações financeiras.
O grupo discute a criação de uma associação para representá-los em eventuais negociações e processos judiciais. Segundo Solano Madeira, um dos organizadores do encontro, o fórum já se aproximava de 150 pessoas cadastradas.
O fórum caminha para se transformar numa associação para discutir a forma que vai se pagar os credores, além de definir a sequência de pagamentos numa recuperação judicial
Solano Madeira, organizador do fórum
O fórum se apresenta como uma iniciativa independente, sem vínculo com a Apex Partners ou com a Rhino Securitizadora. O cadastro reúne pessoas com diferentes tipos de exposição financeira ao grupo, entre elas detentores de debêntures Rhino/Apex, cotistas de fundos da Carbyne e investidores com posições em atraso ou pendentes de pagamento.
A organização ressalta, porém, que a reunião não constitui Comitê de Credores previsto na Lei 11.101/2005, Assembleia de Credores ou Assembleia de Debenturistas. O cadastro também não representa adesão a uma ação judicial ou autorização para que os organizadores representem individualmente os investidores.
A preocupação dos participantes é que os diferentes tipos de investimentos e estruturas empresariais envolvidos na crise dificultem uma atuação individual dos credores. Solano afirma que, embora o grupo seja composto de investidores de menor porte, a união pode contribuir para uma maior capacidade de negociação.
Somos pequenos investidores, mas a junção das pessoas vai fazer com que o grupo seja representativo
Solano Madeira, organizador do fórum
A mobilização ocorre em meio ao avanço das medidas judiciais relacionadas à Apex. Alguns investidores já entraram na Justiça. Outros esperam respostas do Judiciário à medida cautelar ajuizada pelos atuais gestores da empresa.
Para os advogados Lucas Judice e Bernardo Leite, que acompanham investidores, o cenário ainda é inicial e muitos credores não sabem exatamente quais medidas devem tomar devido à complexidade e variedade de investimentos.
Além de ter diversos tipos de investimentos que demandarão estratégias distintas, nós ainda não temos informações maduras suficientes para saber qual é a medida mais adequada. É muito cedo para falar disso
Bernardo Leite, advogado
Segundo Leite, a própria cautelar atualmente impõe limitações a medidas individuais de cobrança. Caso não haja recuperação judicial, a expectativa é que investidores possam começar a adotar medidas próprias para tentar recuperar os recursos.
Outro ponto de preocupação entre os investidores é o tamanho exato do passivo da Apex. Dados apresentados na medida cautelar apontam um endividamento de quase R$ 1 bilhão, até 30 de junho de 2026.
O valor, entretanto, ainda poderá ser revisado. De acordo com Lucas Judice, uma auditoria deverá analisar não apenas os dados de junho, mas também informações posteriores e a composição de diferentes dívidas.
Entre os valores que precisam ser conferidos estão cerca de R$ 452 milhões em debêntures emitidas, além de obrigações de cashback, dívidas bancárias e tributos. O levantamento preliminar divulgado antes do fórum apontava R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias e R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.
Pode ser que seja menor, como pode ser que também seja maior. Até o número de debêntures emitidas pode ser maior
Lucas Judice, advogado
A falta de informações é outro ponto que preocupa os investidores. Bernardo Leite afirmou que a auditoria indicada no processo judicial chegou a dizer que estaria enfrentando dificuldades para receber documentos da Apex.
Segundo ele, entre os documentos que ainda precisam ser apresentados estão informações básicas sobre as empresas que compõem a estrutura do grupo.
Os advogados destacaram ainda a complexidade da estrutura empresarial envolvida no caso. Segundo eles, o fato do grupo ser formado por 178 empresas pessoas jurídicas dificulta a análise individual de cada companhia e das relações financeiras entre elas.
Os advogados também afirmaram que a Apex tem realizado reuniões com investidores ligados às Sociedades de Propósitos Específicos (SPE) imobiliárias, quando um CNPJ é criado exclusivamente para desenvolver um único empreendimento de construção, como um prédio ou condomínio. Na avaliação deles, porém, ainda faltam respostas para uma série de questionamentos.
Lucas defendeu a criação de um canal específico de diálogo entre a empresa, debenturistas e potenciais credores.
Poderia ter um fórum, por exemplo, da própria Apex junto com os debenturistas, junto com os potenciais credores, os futuros credores
Lucas Judice, advogado
O site criado pelos investidores também disponibiliza uma área para o encaminhamento de perguntas à Apex. A iniciativa afirma que pretende centralizar informações e organizar a comunicação entre os participantes.
Para Bernardo, entretanto, algumas reuniões já realizadas ainda não foram suficientes para esclarecer pontos considerados fundamentais pelos investidores.
A Apex não está passando as informações que a gente esperaria que estivesse. A equipe mostra certo desconhecimento de várias questões que, nessa etapa, já deveriam ter sido respondidas
Bernardo Leite, advogado
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