O empresário Fernando Cinelli formalizou à Apex, nesta terça-feira (25), a renúncia a todos os cargos de administração, direção, gerência ou representação que ainda constem em seu nome nas empresas do grupo. Em notificação extrajudicial e manifestação apresentada à 7ª Vara Cível de Vitória, ele também exige que seu nome seja retirado dos registros oficiais das companhias no prazo de 48 horas.
Por meio de nota, a Apex informa que ela própria solicitou o afastamento judicial do ex-presidente das demais empresas que compõem o grupo. Ainda de acordo com a empresa, o afastamento é essencial para que o grupo avance nas apurações, na responsabilização diante dos desvios encontrados e também consiga retomar os trabalhos com confiança e transparência. Confira o texto completo no fim da matéria.
Cinelli foi afastado da presidência e do Conselho de Administração da Apex Partners em 5 de agosto. Segundo os documentos apresentados à Justiça, a decisão determinou seu afastamento imediato de funções de administração e representação, com revogação de mandatos e poderes. No dia seguinte, a companhia comunicou ao mercado a saída e informou que Marcelo Murad assumiria a presidência de forma interina.
Desde o afastamento, Cinelli diz não ter mais acesso aos sistemas internos, e-mails corporativos, documentos ou informações do grupo e não participa de decisões operacionais, financeiras ou societárias, conforme documento divulgado nesta terça (25). Apesar disso, ele afirma que seu nome ainda aparece como administrador, diretor, conselheiro ou representante legal de diversas empresas do conglomerado, que reúne mais de 150 sociedades.
A renúncia foi formalizada com efeitos retroativos a 5 de agosto. Segundo Cinelli, a medida busca deixar claro que ele não exerce mais qualquer função no grupo e evitar que seu nome seja associado a atos, contratos, dívidas ou decisões tomadas depois de seu afastamento.
Na manifestação apresentada à Vara Cível, Cinelli também contesta a inclusão de empresas do Grupo Apex no polo ativo de uma ação judicial ajuizada em 6 de agosto, um dia após seu afastamento.
Segundo o empresário, diversas das empresas incluídas seriam financeiramente saudáveis e não teriam sido submetidas a uma deliberação societária adequada antes da adoção da medida. Ele afirma que não autorizou, não participou e não ratificou a iniciativa.
De acordo com os documentos apresentados por Cinelli, a ação tem caráter preparatório para um eventual pedido de recuperação judicial. O empresário afirma que se desvincula expressamente da medida e rejeita qualquer responsabilidade presente ou futura pelos efeitos do processo.
A contestação ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelo Grupo Apex e às medidas judiciais adotadas pelas empresas. Cinelli busca, agora, estabelecer formalmente uma separação entre sua atuação no conglomerado e as decisões tomadas após seu afastamento.
Na notificação enviada às empresas, Cinelli cobra que os atuais administradores promovam a retirada de seu nome de todos os registros em que ainda apareça como responsável pelas sociedades. O pedido inclui a Junta Comercial do Espírito Santo, a Receita Federal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e instituições financeiras.
Ele também exige que sejam encaminhados os comprovantes das alterações. O prazo estabelecido é de 48 horas a partir do recebimento da notificação.
Caso as empresas não cumpram a exigência, Cinelli afirma que poderá adotar medidas judiciais para se proteger de eventuais responsabilidades e buscar a responsabilização civil dos administradores e demais tomadores de decisão envolvidos.
A petição apresentada nesta terça-feira também pede urgência à Justiça. Os advogados argumentam que a manutenção do nome de Cinelli nos registros, mesmo após seu afastamento e perda de acesso às estruturas do grupo, aumenta o risco de que ele seja relacionado a atos praticados sem sua participação.
Nota completa da Apex Partners
A Apex Partners S/A informa que ela própria pediu o afastamento judicial de Fernando Cinelli das demais empresas que compõem o grupo. Até porque, por decisão da companhia, Cinelli já havia sido afastado da Apex S/A após apuração interna ter identificado fragilidades financeiras na empresa. Este afastamento, portanto, é essencial para que a Apex avance nas apurações, na responsabilização diante dos desvios encontrados e também consiga retomar os trabalhos com confiança e transparência, já que as apurações iniciais mostram Cinelli como responsável pelos graves fatos identificados.
Atualização
26/08/2026 às 14:20
O texto foi atualizado com nota enviada pela Apex.
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