O presidente afastado da Apex Partners, Fernando Cinelli, acionou a Justiça, nesta quarta-feira (12), para obrigar a companhia e mais onze empresas do grupo a lhe entregar atas, contratos e e-mails sobre as operações que originaram a crise: investimento na CVC, debêntures da Rhino e o fundo Carbyne. Os advogados de Cinelli, que é sócio e fundador da Apex, deram mostras da linha que deve sustentar a defesa do empresário, que é acusado pelos próprios sócios de "gestão temerária e má-fé".
“A administração do Grupo Apex, na prática, sempre envolveu uma estrutura de decisão compartilhada que pode ser refletida nos comitês e grupos de trabalho(…), estrutura que se refletia, inclusive, nas operações a seguir referidas, hoje apontadas pela imprensa e pelas próprias Requeridas como ‘origem da crise’. A decisão foi, dessa forma, compartilhada e nunca centralizada em uma ou duas pessoas".
Fernando Cinelli é representado pelo escritório Dickstein Advogados e Vieira Rabelo Advogados. Ele foi afastado do comando da Apex, pelos demais sócios, há exatamente uma semana, em assembleia realizada em 5 de agosto. Ele e o antigo diretor Financeiro, Eduardo Siqueira, saíram pelo que foi chamado de "inconsistências financeiras". Em pedido feito à Justiça para proteger o seu patrimônio enquanto uma auditoria externa é feita, a Apex apresentou um endividamento de R$ 985,6 milhões, valor que mais que dobrou de janeiro de 2025 para cá.
"Excluído da auditoria que estaria sendo realizada pelas Requeridas, conforme publicamente divulgado, o Requerente tem fundado receio de que a narrativa por elas construída unilateralmente se consolide como verdade incontestada – perante o mercado, os investidores e o Juízo da recuperação judicial – antes que lhe seja possível opor-lhe prova documental", pondera a defesa de Cinelli.
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