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FIP-ES

Fundo do ES vai investir até R$ 37 milhões para ser sócio de empresas; entenda

Estado vai aportar recursos em negócios através de fundo que terá inicialmente R$ 250 milhões em caixa. O FIP será gerido por uma empresa privada e deve começar a fazer investimentos no primeiro trimestre de 2022

Publicado em 11 de Maio de 2021 às 21:25

Natalia Bourguignon

Publicado em 

11 mai 2021 às 21:25
Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado ES
Palácio Anchieta, sede do governo do ES Crédito: Carlos Alberto Silva
O Fundo de Investimento em Participações (FIP), criado pelo governo do Espírito Santo, vai investir até R$ 37,5 milhões para alavancar pequenas e médias empresas. Esse valor é o limite máximo que poderá ser destinado a um mesmo empreendimento pelo mecanismo, que prevê que o Estado se torne sócio de negócios.
Nesta terça-feira (11), o governador Renato Casagrande lançou o edital que vai contratar a entidade responsável pela gestão da parcela de R$ 250 milhões do Fundo Soberano dedicada a esse fim. A expectativa é de que os primeiros recursos sejam liberados já no primeiro trimestre de 2022.
Segundo o secretário de Estado de Inovação e Desenvolvimento, Tyago Hoffmann, o valor que cada empresa receberá vai depender do projeto que ela apresentará ao gestor privado do fundo.
“O limite máximo que o Fundo vai poder entrar é com 15% do seu patrimônio na empresa. O que dá R$ 37,5 milhões. Sendo que essa participação nunca pode tornar o fundo majoritário, ele tem que ser sempre minoritário”, aponta o secretário.
Ele explica que a gestora poderá selecionar as empresas beneficiadas de duas formas, através de abertura de um edital ou fazendo prospecção ativa, buscando negócios compatíveis com o modelo de investimento previsto pelo Fundo. Caso haja mais empresas interessadas do que recursos disponíveis, haverá um processo de seleção, também sob responsabilidade da gestora privada.
Por se tratar de dinheiro público, os dados sobre as movimentações financeiras referentes ao FIP ficarão disponíveis em um site que deve ser lançado nos próximos dias e também no Portal da Transparência do governo do Estado.

VENTURE CAPITAL É INVESTIMENTO ARRISCADO

O FIP será um fundo de venture capital composto com o recurso dos royalties e participações especiais do petróleo, o maior da categoria no país.
Essa é uma modalidade de investimento que oferece recursos financeiros para uma empresa de pequeno ou médio porte que está em crescimento ou expansão. Por essa razão, ele é considerado de alto risco.
“O fundo de venture capital não entra só com recurso, tem papel de orientação, estruturação da empresa. Entendendo que é por conta disso que será contratado um gestor profissional, de mercado. Porque nenhum governo tem capacidade de atuar como gestor de fundo do investimento”, explica o pós-doutor em Ciências Contábeis e professor da Fucape, Fernando Galdi.
Ele explica que há gestoras de fundos ligadas a grandes bancos e também instituições independentes. Todas precisam ter autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar na área.
O professor aponta, contudo, que a venture capital é uma modalidade de investimento arriscada, já que não há garantia de que a empresa que receberá o investimento será bem sucedida.
"É uma estrutura de investimento que tem um risco e os investidores normalmente sabem que estão correndo esse risco. Porque muitas das empresas não dão certo"
Fernando Galdi - Pós-doutor em Ciências Contábeis e professor da Fucape
“São empresas que estão começando, elas podem crescer ou quebrar. No mercado de capitais, onde funciona essa estrutura, os investidores estão dispostos a correr esse risco. Me pergunto até se faz sentido o governo correr esse risco com o dinheiro da sociedade”, questiona o professor.
Para Tyago Hoffmann, os critérios para seleção das empresas que receberão os investimentos são rígidos, o que limita a possibilidade de o Estado perder dinheiro.
“Claro que existe sempre um risco, mas esse investimentos serão feitos com muito rigor. A empresa privada escolhida para fazer a gestão não sai colocando dinheiro de qualquer jeito. Tem um conjunto muito rigoroso de critério. Todos os indicadores financeiros e contábeis serão analisados. Mas é claro que todo negócio tem risco”, diz.

ESTADO ESPERA ALTA PROCURA

Poderão ser contempladas com o investimento empresas capixabas (com sede fiscal no Espírito Santo) que queiram atuar em outros Estados do país ou no exterior, ou empresas de fora interessadas em atuar no Espírito Santo.
Inicialmente, foi escolhido um leque amplo de setores, que vão desde os mais tradicionais, como rochas ornamentais e metalmecânico, até alguns ligados à indústria 4.0, como energias renováveis e economia criativa.
No governo, a expectativa é de que haja uma grande procura e que o fundo se esgote rapidamente.
“Informalmente, nós já recebemos empresas que nos questionam sobre o Fundo Soberano. É uma modalidade que interessa a muitos empresários. Ainda mais nessa forma onde o fundo não se mete na gestão, só estabelece e acompanha metas. A gente não entra em conselho, na gestão. Teremos contrato de metas e o gestor vai cobrar e acompanhar o cumprimento das metas estratégicas”, diz.
Ao todo, o ciclo de investimento em cada empresa terá entre cinco e dez anos. Ele contempla a entrada, o fechamento de um contrato onde se estabelecem metas, o período de investimento, a maturação do negócio e a saída, que pode levar até dois anos.
“Vamos imaginar que uma empresa pegue R$ 20 milhões para serem aplicados em dois anos. Em cada um dos dois primeiros anos serão liberados R$ 10 milhões de acordo com a execução do plano previsto. Depois disso, pode ter três ou quatro anos de maturação desse dinheiro e depois que esse investimento estiver de pé, o Fundo Soberano sai”, esclarece o secretário.

NOVO FIP PODERÁ SER CRIADO NO FUTURO

Até 2022, o Fundo Soberano deve alcançar R$ 1 bilhão com os recursos dos royalties e participações especiais do petróleo que continuam a chegar mensalmente ao Estado. Com isso, a parte destinada a investimento em empresas, que corresponde a 60% do total, alcançará R$ 600 milhões.
Com os R$ 350 milhões “extras”, o Estado vai decidir se haverá um novo aporte no FIP existente ou ainda se será criado um outro Fundo, gerido por outra gestora privada. Para Hoffmann, essa segunda possibilidade gera mais segurança e minimiza os riscos.

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