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Funchal assume Secretaria de Fazenda e vira número 2 no Ministério da Economia

Presidente Jair Bolsonaro avalia recriar ministérios extintos, como Trabalho, Previdência, Indústria e Planejamento; já Paulo Guedes demitiu secretário após embate entorno do Orçamento

Publicado em 27/04/2021 às 10h47
Economista Bruno Funchal, diretor de Política de Recuperação Fiscal do Ministério da Economia e ex-secretário da Fazenda do Espírito
Economista Bruno Funchal foi secretário da Fazenda do ES e hoje está no Tesouro Nacional. Crédito: Leonardo Duarte/ Secom-ES - GZ

O atual secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, vai assumir a Secretaria de Fazenda do Ministério da Economia, no lugar de Waldery Rodrigues, que foi demitido nesta terça-feira (27) pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. Mais cedo a Bloomberg, agência especializada em assuntos para o mercado financeiro, havia informado que essa alteração poderia ocorrer.

Funchal, apesar de ser carioca, tem um laço importante com o Espírito Santo. Professor da Fucape, em Vitória, ele, que é PHD em Economia, foi secretário da Fazenda do Estado no governo Paulo Hartung.

Foi para o governo federal em 2019 para atuar como diretor de Política de Recuperação Fiscal do Ministério da Economia, mas assumiu o Tesouro Nacional, no ano passado, após o pedido de demissão de Mansueto Almeida.

As alterações tocadas por Paulo Guedes ocorrem em momento em que a equipe econômica tem sido alvo de críticas do Congresso e de aliados do presidente Jair Bolsonaro por conta do Orçamento.

A saída de Waldery da equipe ocorre após uma sucessão de problemas entre o governo federal e o Congresso por conta do Orçamento, que foi aprovado pelos parlamentares com várias irregularidades fiscais, levando ao veto presidencial de algumas medidas. O ex-secretário de Fazenda defendia medidas de ajustes na peça orçamentária que recebeu maquiagem fiscal nas despesas com Previdência.

Waldery já estava na lista de demissões do presidente Jair Bolsonaro desde o ano passado por conta da inviabilização do projeto Renda Brasil, que substituiria o Bolsa Família e o auxílio emergencial.

ENFRAQUECIMENTO DE GUEDES

Segundo reportagem do jornal O Globo, o superministro pode perder o poder de controlar ao menos cinco áreas, como ocorre hoje. O Ministério da Economia, criado em 2019, quando Bolsonaro assumiu a Presidência, é a unificação da Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência e Indústria e Comércio Exterior.

Um dos maiores impactos pode ser a retirada do Planejamento das mãos de Guedes. Essa pasta é a responsável por organizar as despesas e direcionar recursos da União no Orçamento. Se isso ocorrer, o ministro da Economia deixa de ser o gestor orçamentário para ser apenas o pagador das despesas do governo federal.

A tentativa de separar as áreas visa a atender aos aliados de Bolsonaro para um possível apoio no Congresso em um momento em que Bolsonaro pode ser investigado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid), instaurada para apurar as ações do governo federal diante do avanço do novo coronavírus no país.

Mas as negociações para que ocorra o desmembramento dos setores não está sendo bem aceita por Guedes, que teme que a iniciativa dê sinais de perda de força da equipe econômica em um momento que o Brasil mostra estar com graves problemas fiscais sem ter alternativas para controlar esses gastos. 

A preocupação é que a medida mostre um novo rumo para o governo, com medidas mais populistas, que podem levar ao aumento da dívida pública, da inflação, valorização do câmbio e consequentemente alta dos juros.

Tanto Bruno Funchal quanto Waldery, além do secretário do Orçamento, George Soares, são alvo de críticas de congressistas, que querem a ala política com mais poder de negociação nas peças orçamentárias.

Com informações de agências

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