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ES exporta R$ 2 bilhões em aço para os EUA ao ano

Americanos compram 1 milhão de toneladas de produtos semi-acabados de aço dos capixabas, tornando os EUA o principal importador. Decisão de Trump de retomar as tarifas sobre o material brasileiro pode afetar mercado

Publicado em 03/12/2019 às 04h00
Atualizado em 03/12/2019 às 04h00
Bobina de aço sendo produzida. Crédito: Instituto Aço Brasil
Bobina de aço sendo produzida. Crédito: Instituto Aço Brasil

O anúncio do presidente americano Donald Trump de que vai retomar a taxação do aço e alumínio do Brasil e da Argentina vai afetar diretamente o Espírito Santo. Atualmente, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o Estado exporta mais de R$ 2 bilhões ao ano em produtos de aço para os Estados Unidos. Trump diz que a decisão foi tomada porque Argentina e Brasil estariam desvalorizando suas moedas em relação ao dólar.

Somente em 2019, os americanos já compraram mais de R$ 2,2 bilhões em aço que foi produzido no Estado. Isso representa cerca de 1 milhão de toneladas, tornando os Estados Unidos o principal país comprador dos produtos semi-acabados de ferro ou aço que são feitos em terras capixabas.

A importação dos americanos, porém, vem caindo gradativamente. Em 2017, o mercado dos Estados Unidos absorvia cerca de 40% da produção do Espírito Santo. No ano passado, o percentual caiu para 34% - representando 1,2 milhão de toneladas. Já neste ano, até outubro, os americanos compraram 32% dos produtos semi-acabados de aço produzidos no Espírito Santo (950 mil toneladas). 

Parte do aço produzido no Brasil é destinado para a California Steel, situada em Fontana, na Califórnia, e para a planta da ArcelorMittal na cidade de Calvert, no Alabama. O aço semi-acabado, nos Estados Unidos, é transformado em laminado e vendido às indústrias que fabricam, por exemplo, carros.

Questionada sobre a possibilidade de redução nas exportações de produtos semi-acabados de aço, por conta da decisão do presidente americano, a ArcelorMittal Tubarão informou que o assunto está sendo tratado apenas setorialmente.

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), bem como o governo do Estado, por meio do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), foram acionados para comentar o assunto e os impactos para o Estado. Até o momento, não houve resposta sobre o tema.

CHINA PODE SER A SAÍDA

Com a possível taxação do aço brasileiro nos Estados Unidos, uma saída pode ser a China. Essa é a avaliação do diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira.

Apesar de ser um grande produtor de aço, o gigante asiático ainda precisa importar o material para ser utilizado em diferentes áreas - há, pelo menos, três grandes áreas para a utilização do aço: construção civil, produção de equipamentos e insumos industriais, e produção da equipamentos da linha branca.

“A China pode ser um contrapeso. Se as exportações de aço para os Estados Unidos diminuírem, podem aumentar as vendas para lá - que já é um parceiro comercial importante na relação com o Espírito Santo”, explicou Lira.

De acordo com dados do IJSN, os produtos semi-manufaturados de aço representam 10,23% de toda a exportação do Espírito Santo para os Estados Unidos. Já para a China, são 4,66% - com potencial de crescimento.

CAUTELA

O consultor empresarial da DVF Consultoria, Durval Vieira de Freitas, destaca que o anúncio feito pelo presidente Trump deve ser recebido com cautela. “Foi uma publicação em uma rede social. Conversei com representantes do setor nos Estados Unidos e eles não estão sabendo dessa taxação”, comentou Durval.

“Eu acredito que os americanos vão taxar produtos acabados, que é o que eles produzem, não os semi-acabados, que é o que nós produzimos e eles precisam”, acrescentou.

RETALIAÇÃO

O Instituto Aço Brasil se posicionou de forma contrária à possibilidade taxação do aço brasileiro para importadores americanos. O Instituto classificou o assunto como uma “retaliação” ao país.

“O câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de ‘compensar’ o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, informou o Instituto por meio de nota.

A representante das indústrias do setor de aço também informou que recebeu com “perplexidade” a decisão anunciada pelo presidente americano.

“Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semi-acabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”, completou a nota enviada pelo Instituto Aço Brasil.

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