Após a reunião realizada na noite desta segunda-feira (15) com o governador Renato Casagrande, em que ele falou da proposta de adotar medidas mais restritivas no Espírito Santo nos próximos 14 dias para combater o avanço do novo coronavírus, líderes de entidades empresariais do Estado saíram concordando que, de fato, diante do momento crítico, regras mais duras talvez precisem ser tomadas neste momento.
"Todos os setores presentes externaram preocupações, mas frente as informações dadas foram unânimes em prestar apoio", comentou Fábio Brasileiro, presidente do movimento empresarial ES em Ação, que ainda destacou todos os segmentos produtivos têm dado sua contribuição e que não há uma desorganização na economia.
"Uma coisa que ficou clara é que o convívio irresponsável, como com aglomerações e eventos clandestinos, é o grande responsável pelo descontrole. Ambientes industriais, comerciais, empresas, shoppings, supermercados, todos estão tomando os cuidados. Não houve desorganização da economia, mas a desorganização social talvez seja o motivo pra que tenhamos novas restrições de convívio social", destacou.
Com a ocupação de leitos de UTI batendo 90% o crescimento no número de contaminados, o governo deve anunciar na tarde desta terça um pacote de medidas para conter a transmissão do vírus, como regras mais rígidas de funcionamento do comércio e de atividades não essenciais.
Como destacou a colunista Beatriz Seixas, foi uma reunião dura, de quase duas horas de duração, mas que os números apresentados eram tão alarmantes que ficou difícil pedir ao governo pedir pela manutenção da atividade econômica regular enquanto milhares de vidas estão sendo perdidas.
"Os dados preocupam muito e contra fatos não há argumentos. Estamos trabalhando com vidas. O setor privado teve acesso a todas as informações e nós nos colocamos à disposição para contribuir e apoiar o governador caso seja necessário para bloquear a transmissão e esvaziar os leitos
"
Brasileiro destacou que uma das preocupações dos empresários foi o com abastecimento. "A pior coisa seria um cenário de hospitais cheios, as pessoas sem poder trabalhar e haver desabastecimento. Mas isso está sendo tratado com cuidado, então o que se fala é manter as atividades essenciais para garantir o abastecimento, mas com protocolos mais exigentes".
Em comunicado distribuído a líderes industriais ao qual A Gazeta teve acesso, a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, destacou que a ocupação dos leitos de UTI está batendo os 90% no Estado e que essa é a marca definida pelo mapa de risco como o gatilho para a adoção de medidas mais severas. "É possível que o governador anuncie essas medidas nas próximas horas".
Diante da situação, ela fez um apelo ao setor:
"Importante, neste momento, fazermos a nossa parte e focarmos no cumprimento dos protocolos de segurança, orientando nossos colaboradores a observarem esses protocolos, nas indústrias e nos momentos de lazer"
José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-ES), destacou que o setor também é compreensivo com a necessidade de medidas mais duras diante do cenário de "intranquilidade causado pelo avanço da pandemia", mas ele também vê a situação com preocupação.
"O comércio fez seu dever de casa. Nós transmitimos ao governador que seria uma decisão constrangedora para os empresários do comércio ficarem fechado por semanas, que poderia provocar uma situação calamitosa, mas transmitimos a compreensão do setor diante desta preocupação"
Segundo Sepulcri, os representantes do comércio inclusive fizeram uma contraproposta ao governador, de apenas reduzir a carga horária diária. "O governo disse que vai estudar, mas mostrou preocupação grande com o aumento dos contaminados e de não ter onde interná-los".