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Dólar puxa preço do chocolate e deixa bacalhau até o dobro mais caro no ES

Época de iguarias culinárias, como a torta capixaba e de comer ovo de Páscoa, tem pesado no orçamento das famílias em plena pandemia

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 31/03/2021 às 13h49
Ovos de Páscoa serão doados a 800 instituições do Brasil
No Estado, os ovos de páscoa tiveram um aumento de cerca de 11%, em relação ao ano passado. Crédito: Agência Brasil

A Semana Santa dos capixabas vai ser "salgada", e não estamos falando de qualquer categoria de tempero que possa ser usado na nossa tradicional (e deliciosa) torta de bacalhau servida nessa época do ano.   

A alta do dólar, cotado nas casas de câmbio em torno de R$ 5,76 nesta quarta-feira (31), influenciou no aumento dos preços de produtos tradicionalmente comercializados no feriado religioso.

De acordo com a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), itens como o chocolate, em especial os ovos de Páscoa, estão em média 11% mais caros neste ano, enquanto os preços de bombons e barras de chocolate aumentaram 10% (dados também confirmados em pesquisa divulgada recentemente pela Associação Brasileira de Supermercados, a Abras).

O bacalhau, essencial para a confecção da torta produzida no Espírito Santo, teve um acréscimo de 50% no valor de venda nos mercados em comparação com o ano anterior. 

"O Estado seguiu a elevação sentida no país. A alta nos preços se deve, além da instabilidade do dólar, ao aumento dos custos operacionais de produção, mais onerosos por conta da pandemia da Covid-19. A elevação já estava sendo sentida desde o último trimestre de 2020", adianta Hélio Schneider, superintendente da Acaps.

Mesmo com os preços mais "salgados", a associação supermercadista vê às vendas da Semana Santa com otimismo, especialmente no setor de chocolates.

"Por conta da tradição, ninguém deixa de comprar um doce para presentear alguém da família. Isso impulsiona às vendas. O crescimento deve ser pequeno, mas bem-vindo, em torno de 5% em relação ao ano passado", detalha, afirmando que o comportamento do consumidor, na hora de escolher que produto colocar no carrinho, está mudando gradativamente.

"A comercialização está aumentando em volume. Hoje, as pessoas preferem comprar ovos de Páscoa menores, de cerca de 100g, e mais baratos. Há seis anos, o foco da indústria era outro, com a venda e produção de produtos maiores, de até 500g, por exemplo. Com a crise financeira, o consumidor leva uma caixa de bombom, um ovo menor, ou mesmo uma barra de chocolate. Nossas vendas devem crescer em números de produtos comercializados, mas não em retorno financeiro", explica.

Em relação aos itens da torta capixaba, como o bacalhau, a azeitona e o palmito, por exemplo, a Acaps, desta vez, não vê a tradição da época como um fator que influencie nas vendas.

Torta capixaba sob encomenda do supermercado São José
Alguns produtos da tradicional torta capixaba tiveram um aumento "salgado". O bacalhau chegou para os capixabas cerca de 50% mais caro em 2021. Crédito: São José Supermercados/Instagram

"Com a pandemia, a tradicional comercialização de palmitos frescos, normalmente vindos do sul da Bahia, não aconteceu. Não tivemos os pontos de venda e o consumidor precisou 'improvisar', usando o produto em formato de conserva.  Além disso, há o substancial aumento dos itens usados na confecção das tortas. Por conta da alta do dólar, o bacalhau, por exemplo, está sendo vendido entre R$ 40 e R$ 70 o quilo, isso o da marca mais comum. Esses desestímulos enfraquecem o interesse do consumidor. Não devemos ter um aumento substancial de comercialização desse setor em 2021", complementa.  

VARIAÇÃO

Economista e professor universitário Antônio Marcus Machado afirma que os preços relacionados aos produtos da Semana Santa subiram porque a sua matéria-prima seguiu o mesmo rumo. 

"O ovo de Páscoa, por exemplo, aumentou porque a cotação do leite e do açúcar subiram no mercado. O custo da produção e do transporte também se elevou com os consecutivos aumentos da gasolina e da energia elétrica. Esses valores são repassados ao consumidor", adianta, enfatizando que a alta do dólar não pode ser considerado o único "vilão" da história. 

"Alimentos como o achocolatado são produtos 'dolarizados', pois muito de sua matéria-prima é importada. Mas existe uma questão: o dólar está variando entre R$ 5,50 e R$ 5,80 há dez meses. Não tivemos uma diferença substancial nesse tempo", adianta o especialista.

Ele acrescenta: "Há, também, a margem de lucro aplicada pelos empresários e a diferença de preços relacionados às marcas. Cada vez mais, o consumidor precisa pesquisar qual estabelecimento vende o item mais barato, evitar marcas desconhecidas e apostar nas compras pela internet ou em formato delivery. Essas escolhas são, quase sempre, mais seguras, pois evitam exposição de dinheiro e de cartões de crédito", aconselha. 

PESQUISANDO

Como faz anualmente, o Procon de Vitória divulgou uma pesquisa comparativa de preços relacionados à Páscoa. O levantamento foi realizado em 13 estabelecimentos da capital e alcançou os produtos tradicionalmente mais consumidos nesta época, como caixas de bombom, ovos de Páscoa, tabletes de chocolate e ingredientes da torta capixaba, além de frutos-do-mar. Com a crise financeira apertando, e o bolso "comprometido", pesquisar o menor preço sempre é a melhor opção. 

De acordo com dados da pesquisa, caixas de bombons da Nestlé, de 300g, apresentaram variação de 55,68% no valor de uma loja para outra. Entre os ovos de Páscoa, a maior variação de preços foi de 60,02%, constatada no Diamante Negro Lacta 176g.

O Procon de Vitória divulgou uma pesquisa comparativa de preços relacionados à Páscoa, em 2021. Produtos como a cebola podem ser encontrados em marcados da capital sendo comercializados por uma diferença de preços de 100%. Crédito: Pixabay
O Procon de Vitória divulgou uma pesquisa comparativa de preços relacionados à Páscoa, em 2021. Produtos como a cebola podem ser encontrados em marcados da capital sendo comercializados por uma diferença de preços de 100%. Crédito: Pixabay

Quanto aos ingredientes para torta capixaba, foi verificada uma variação de 100% no preço da cebola: de R$3,99 o kg para R$7,98. Outro destaque foi a diferença de preços no quilograma da ostra, que chegou a 234,90%.

O menor preço foi registrado a R$14,90, enquanto o maior preço foi de R$49,90, ambos estabelecimentos localizados no bairro Praia do Suá, na capital capixaba. O bacalhau da marca Saithe, por exemplo, teve uma variação de 50,13% entre os estabelecimentos comerciais.

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