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Construção civil cria 3 a cada 4 vagas de emprego e puxa economia do ES

Obras de infraestrutura e retomada de lançamentos imobiliários fizeram o setor dar um salto nas contratações em 2020. Veja desempenho por cidade

Vitória
Publicado em 13/01/2021 às 02h00
Trabalhador da construção civil, setor que foi afetado pela crise econômica nos últimos anos
Trabalhador da construção civil, setor que foi afetado pela crise econômica nos últimos anos se recupera. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atípico, o ano anterior levou à diminuição das atividades da maioria dos segmentos, que foram fortemente penalizados pela pandemia do novo coronavírus. Somente no mês novembro o número de contratações no Espírito Santo conseguiu superar o de demissões, alcançando saldo positivo de 8.511 no acumulado desde janeiro de 2020.

Mas foi justamente um setor que vinha sofrendo com as crises anteriores que deslanchou em 2020 e puxou a criação de empregos no Estado no ano da pandemia: o da construção civil. Em meio à crise, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram que a maioria dos postos de trabalho criados no Espírito Santo no ano passado foi nos canteiros de obras.

Até novembro, o setor havia contratado 6.442 trabalhadores a mais do que demitiu, sendo responsável por 75% do saldo de empregos no Estado. Ou seja, a cada quatro novos postos de trabalho com carteira assinada abertos em 2020, três foram na construção civil. Os dados de dezembro ainda não foram divulgados. 

As vagas são distribuídas em áreas diversas, sendo que a maior parte delas foi para trabalhar com serviços especializados para construção, como demolição e preparação de terreno, instalações elétricas e hidráulicas, acabamentos, entre outros. Foram 3.903 oportunidades do tipo.

O segundo maior número de contratações ocorreu em obras de infraestrutura, com 2.306 postos de trabalho criados entre janeiro e novembro do ano passado. Já as chances para efetivamente trabalhar na construção de edifícios foram 233. Vale ressaltar, porém, que o Caged registra somente os empregos formais, com carteira assinada.

Um dos fatores que mais contribuíram para o bom desempenho da construção foi a redução da taxa básica de juros. Em agosto do ano passado, a Selic foi fixada em 2% – menor patamar da história – pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, o que fez com que os bancos baixassem os juros para financiamento imobiliário, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao sonho da casa própria.

Paulo Baraona

presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES

"Os juros nunca foram tão baixos quanto agora, e isso tem um peso muito grande porque facilita a aquisição de imóveis. Tivemos também uma série de lançamentos durante o ano. Mesmo em meio à pandemia, a construção civil não parou, e isso tudo refletiu na criação de empregos, claro"

O movimento impactou também a venda de materiais de construção, que cresceu 56,1% no Estado, entre janeiro e outubro, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Baraona observou que essa mesma taxa de juros que beneficia quem quer comprar uma casa ou apartamento, tem tornado o investimento em imóveis uma opção mais vantajosa para quem tem algum dinheiro guardado do que certas aplicações em renda fixa, como a poupança. Além de investir em fundos imobiliários, há quem simplesmente compre o imóvel para alugar.

“Há uma combinação de fatores bastante positiva, e o fato é que estamos nos recuperando. Isso é extremamente positivo porque a construção é um dos setores que mais movimentam a economia. Quando cresce, todo o resto cresce junto. Mas, para que seja um movimento sustentável, precisamos também que o ambiente de negócios melhore, e, para isso, o governo precisa avançar com a reforma administrativa e a reforma tributária”, diz Baraona.

SERRA É A PROTAGONISTA NO SETOR

O município com maior número de novas vagas na construção é a Serra, que registrou 2.866 oportunidades – cerca de 44,5% do total. Na cidade, a maioria dos empregos surgiu não no segmento imobiliário, mas nas obras de infraestrutura (1.762), tanto públicas como privadas.

Vale destacar que o município está recebendo grandes intervenções como o Contorno do Mestre Álvaro, feito pelo governo federal, e também abriga a sede da Eco101, que tem contratado para as obras de duplicação de trechos da BR 101. 

Já Aracruz foi o município que mais registrou vagas em serviços especializados para construção, com 1.179 oportunidades.

Na construção de edifícios, o desempenho se mostrou melhor principalmente na região região litorânea do Estado, com destaque para Vila Velha, com saldo de 308 postos de trabalho – maior número do Estado.

Quanto às obras de infraestrutura, no geral, a maior concentração de vagas está nos municípios onde há grandes indústrias. Mas também há obras públicas em andamento, conforme observou o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado do Espírito (Sindicopes), Gustavo Peters Barbosa.

“Durante muito tempo, tivemos um represamento de obras de infraestrutura e em 2020 algumas delas saíram do papel. Elas acabaram se tornando muito representativas, não somente porque são investimentos que criam muitas vagas, mas porque, diferente do que ocorreu com vários setores, essas obras não pararam durante a pandemia. Então, na comparação, foi um resultado bastante positivo”, observou Barbosa.

Em 2021, a tendência, segundo o vice-presidente do Sindicopes, é de manutenção da recuperação do setor de construção.

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