A busca por novos mercados para o agronegócio e a atração de investimentos estrangeiros levaram representantes da Prefeitura de Jaguaré e produtores rurais do município à China, entre os dias 21 e 24 de outubro. A comitiva participou de feiras de negócios e reuniões com instituições públicas e privadas para apresentar o potencial econômico da cidade do Norte do Espírito Santo e buscar oportunidades comerciais.
A viagem foi articulada pela Câmara de Comércio Brasil-China no Espírito Santo e pela prefeitura. A agenda incluiu a 140ª edição da Canton Fair (China Import and Export Fair), realizada em Guangzhou, e a 31ª Feira Internacional de Macau (MIF).
A participação nas feiras deu continuidade à aproximação iniciada durante a primeira edição da Feira Internacional do Café Conilon (Ficc), realizada em Jaguaré em 2025, quando representantes do consulado chinês estiveram no município para conhecer a produção local.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Jaguaré, João Henrique Sartori, e o vice-prefeito Elder Sossai também participaram de reuniões com entidades governamentais, instituições privadas e representantes de fundos de investimento. O objetivo foi apresentar as possibilidades econômicas do município e estabelecer contatos que possam resultar em novos negócios.
O agronegócio foi um dos principais focos da missão. Jaguaré tem no café conilon sua principal atividade agrícola e também se destaca na produção de pimenta-do-reino. A intenção é ampliar a presença desses produtos no mercado internacional, especialmente na China.
Durante a viagem, Sartori observou oportunidades para o café conilon capixaba no mercado chinês, onde o consumo da bebida vem crescendo. Segundo ele, a experiência também reforçou a necessidade de ampliar a divulgação do produto brasileiro no exterior.
A antiga geração da China consumia mais tipos de chá. Agora o café se colocou em alta. Precisamos, principalmente com o governo do Estado, fazer mais propaganda do nosso café conilon.
João Henrique Sartori, secretário de Desenvolvimento Econômico de Jaguaré
O secretário avalia que o conilon pode conquistar espaço em diferentes segmentos, inclusive na composição de blends, misturas de grãos de diferentes origens ou variedades utilizadas na elaboração de bebidas. Para ele, é necessário investir na valorização do produto e ampliar o relacionamento com empresas e compradores internacionais.
Segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), até setembro, as exportações de café pelos portos do Espírito Santo para a China chegaram a 8.438 sacas, sendo 7.334 de conilon. No mesmo período, em 2025, todo o Brasil havia exportado 11.667 sacas de café, todas de conilon.
Além do café, a pimenta-do-reino e outros produtos agrícolas também fazem parte das possibilidades de expansão comercial do município. A expectativa é que os contatos estabelecidos durante a missão contribuam para identificar oportunidades de negócios e aproximar os produtores de novos mercados.
Além da frente comercial ligada ao agronegócio, a viagem teve como objetivo apresentar Jaguaré a possíveis investidores estrangeiros. A prefeitura busca diversificar a economia local, historicamente concentrada na atividade agrícola, com a ampliação da participação da indústria, do comércio e dos serviços.
Segundo Sartori, a proximidade com a BR 101 e a facilidade de acesso aos portos são fatores que favorecem a instalação de empresas no município. A logística é um dos aspectos avaliados por investidores interessados em receber e escoar mercadorias.
O município possui uma economia muito forte ligada ao agronegócio, mas vem trabalhando para ampliar a participação de outros setores, como a indústria, o comércio e os serviços, pensando em fortalecer a economia.
João Henrique Sartori, secretário de Desenvolvimento Econômico de Jaguaré
Entre os projetos que exemplificam a aproximação com empresas chinesas está o da E-Motors, que planeja iniciar em 2027 a montagem de veículos no município, utilizando inicialmente peças importadas da China. Com investimento de R$ 112 milhões, a fábrica terá capacidade para montar até 30 veículos por dia, na primeira etapa.
Já para o segundo ano de operação, a empresa prevê uma fábrica de maior porte, com área de 40 mil metros quadrados, além de investir US$ 50 milhões, cerca de R$ 250 milhões, alcançando a capacidade de produzir até 100 mil veículos por ano.
A prefeitura também aposta na infraestrutura e na qualificação profissional para receber novos investimentos. Entre as iniciativas mencionadas pelo secretário estão melhorias urbanas, articulações para a construção de um contorno viário e programas de formação de trabalhadores para atender às demandas de diferentes setores econômicos.