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Voluntária que tomou a vacina da Covid detalha experiência

Voluntária que tomou a vacina da Covid detalha experiência

Alice Vieira é uma das profissionais da saúde que aceitou ser voluntária para tomar a CoronaVac, que está sendo testada no Brasil

Publicado em 5 de novembro de 2020 às 21:34

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Pandemia do novo coronavírus: vacina vira disputa política
Pandemia do novo coronavírus: vacina está sendo testada em voluntários no Brasil. (Fernando Zhiminaicela/Pixabay )

Atuando na linha de frente da Covid-19, uma fisioterapeuta intensivista, de 38 anos, decidiu fazer um pouco mais para tentar combater o novo coronavírus. Natural de São Paulo, Alice Vieira é uma das profissionais da saúde que aceitou ser voluntária para tomar a CoronaVac, vacina contra a doença que está sendo testada no Brasil. Ela conversou com A Gazeta e detalhou como tem sido essa experiência.

A vacina chinesa está na última fase de testes, que teve início em setembro. Ela é desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan. Se o imunizante atingir os índices necessários de eficácia e segurança, poderá ser submetido à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa ) para registro e posterior uso na população.  Mas a vacina também foi alvo de polêmica recentemente, após o presidente Jair Bolsonaro dizer que vai vetar sua compra pelo governo federal.

PROFISSIONAL VIVEU "CENÁRIO DE GUERRA"

Como fisioterapeuta intensivista, Alice é uma das profissionais responsáveis pela parte respiratória do paciente, atuando diretamente na ventilação mecânica. Trabalhando no Hospital Municipal Dr. Francisco Moran, referência no atendimento de Covid-19 em São Paulo, ela conta que em alguns dias viu mais de 20 pacientes chegando com dificuldades para respirar. 

Fisioterapeuta intensivista, Alice Vieira é voluntária e está tomando a vacina Coronavac
Fisioterapeuta intensivista, Alice Vieira é voluntária e está tomando a vacina Coronavac. (Acervo pessoal)

"Pouca gente sabe, mas os fisioterapeutas trabalharam muito nesta pandemia. Somos nós que decidimos, junto aos médicos, se o paciente será intubado ou não. Teve época em que trabalhamos dia e noite porque não parava de chegar gente. Nos momentos mais críticos da doença, foi desesperador. Parecia cenário de guerra. Vimos gente chegando e não encontrando vaga, pacientes sendo intubados às pressas, tudo no contexto de uma doença desconhecida", lembra. 

A profissional acrescenta que, dentre tantos pacientes que atendeu, uma em especial a marcou: uma senhora que chegou com falta de ar e conversou com Alice antes de ser intubada.

"Ela me disse que não estava aguentando de tanta falta de ar. Então, eu disse que ela seria intubada. Ela pegou meu braço e perguntou olhando meus olhos: 'Eu vou conseguir sair dessa? Eu posso ter esperança?' Eu respondi que ela ia sair. Mas, infelizmente, ela não resistiu", lamenta a fisioterapeuta, sem conseguir conter o choro. 

Alice diz que, mesmo trabalhando na linha de frente do enfrentamento à Covid-19, não foi contaminada pelo novo coronavírus. Ela soube que estavam procurando profissionais da área da saúde para os testes da CoronaVac, fez a inscrição e foi chamada para tomar a primeira dose em setembro.

"Praticamente todos os meus colegas de trabalho foram infectados. Senti como se Deus tivesse me guardado do vírus para eu poder participar. Pensei: 'Já passei por tanta coisa nesta pandemia, por que não me doar um pouco mais?' Em outubro, já tomei a segunda dose e não senti nada."

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É uma forma de tentar contribuir. Muitas pessoas falaram que eu era louca, que estou sendo cobaia. Mas sinto como se estivesse doando um pouco de mim para o mundo. Estamos correndo contra o tempo. Eu escolhi a área da saúde para minha vida. Então, decidi fazer parte da pesquisa e não me arrependo

Alice Vieira
Fisioterapeuta intensivista
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MÉDICO CAPIXABA CONTA EXPERIÊNCIA

O médico Orlan Francischetto tomou duas dose da vacina chinesa Coronavac
O médico Oslan Francischetto tomou duas doses da vacina chinesa Coronavac. (Reprodução/TV Gazeta)

Um médico capixaba também já tomou a vacina chinesa Coronavac. O cardiologista Oslan Francischetto é natural de Castelo, mas reside em São Paulo há sete anos. Ele faz parte de um grupo de voluntários que recebeu a vacina no Estado paulista.

"São duas doses. A primeira dose eu senti uma dor no braço, muito leve, por um dia. E na segunda dose eu senti a mesma dor, mas por um período de quatro dias”, relata.

Segundo Oslan, as doses foram aplicadas há cerca de dois meses, e os voluntários que receberam a vacina passam por um acompanhamento presencial e on-line. “As doses foram aplicadas em setembro, no início e no final do mês. O acompanhamento é feito em visitas presenciais, foram duas até agora com um intervalo de 30 dias. E também fazem contato telefônico para saber de reações."

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