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Vacinação de crianças contra Covid-19: o que sabemos até agora?

Confira quais são as vacinas que estão sendo estudadas para o público infantil, quando os dados serão apresentados e a eficácia dos imunizantes para os menores

Atualização

16 de Novembro de 2021 às 11:32

A reportagem foi atualizada para incluir que a Pfizer entrou com pedido na Anvisa para aplicar a vacina em crianças entre 5 e 11 anos.

Com o início da vacinação contra a Covid-19 em crianças de cinco a 11 anos nos Estados Unidos, com o imunizante da Pfizer, as discussões sobre a imunização das crianças brasileiras se intensificaram. Atualmente, as vacinas podem ser aplicadas apenas em maiores de 12 anos por aqui e na maior parte do mundo.

No Brasil, o pedido para autorização para aplicação da Coronavac no público infantil ainda será reenviado para avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, Pfizer/BioNTech entrou com pedido de aprovação da vacina para crianças de 5 a 11 anos na última sexta-feira (12).

Crianças e adultos têm deixado de se vacinar
A vacinação de crianças é parte fundamental no combate a pandemia da Covid-19. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Ufes, os estudos para a vacinação de crianças são específicos e diferentes da população adulta, por isso a discussão surgiu depois. “As crianças sempre são estudadas depois dos adultos nos ensaios clínicos. Com a vacina contra Covid-19 também foi assim”, explica.

Os estudos específicos feitos com a vacina para as crianças precisam ser pensados até na dosagem. “A dose tem que ser equivalente ao peso, pela absorção de compostos químicos, e tudo isso depende de cálculos específicos”, salienta Ethel.

Por mais que os documentos ainda não tenham sido enviados à Anvisa, a aprovação da Pfizer no Brasil para a faixa pediátrica é bastante provável, uma vez que já está sendo usada nos EUA, avalia Ethel. “Muito possivelmente a vacina da Pfizer para as crianças será aprovada aqui no Brasil. É uma evolução natural depois de ter sido aprovada por órgãos competentes nos EUA”.

De acordo com Flávio Guimarães da Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é apenas uma questão de tempo para que as vacinas sejam aprovadas por aqui.

“A regra é simples: se a Anvisa liberou a vacina, quer dizer que ela é segura, atende a todos os pré-requisitos e tem eficácia confirmada".

Entenda abaixo tudo o que se sabe ou não sobre a vacinação das crianças contra a Covid-19 no Brasil.

POR QUE VACINAR AS CRIANÇAS?

Segundo Ethel Maciel, é de extrema importância vacinar os pequenos pois eles fazem parte da cadeia de transmissão do coronavírus, ou seja, as crianças são infectadas e também podem transmitir o vírus para outras pessoas.

Para Flávio Guimarães da Fonseca, existem três aspectos principais para a vacinação da faixa pediátrica no Brasil. “Nós sabemos que as crianças não são tão suscetíveis à doença comparando-se aos idosos e adultos, mas elas podem se infectar e transmitir a doença. Outra coisa é que precisamos protegê-las. E, também, do ponto de vista epidemiológico, necessitamos cobrir um percentual maior da população brasileira e mundial para que haja controle da pandemia”, explica.

Além disso, o público infantil passou por um período longo de privações, afastado de importantes atividades, como a ida regular à escola. “As crianças foram muito impactadas pela pandemia porque tiveram que ficar sem contato presencial na escola. Algumas crianças desenvolveram problemas de saúde mental”, conta a epidemiologista.

QUAL A EFICÁCIA DAS VACINAS PARA CRIANÇAS?

Em ensaios clínicos, a Pfizer/BioNTech teve resultado de 90,7% de eficácia contra a Covid-19. O estudo foi realizado com 2.268 crianças de cinco a 11 anos. Os documentos com estes dados foram enviados a FDA, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos. A aprovação veio em 22 de outubro e o início da vacinação nos EUA aconteceu em 3 de novembro.

A Coronavac também tem se mostrado eficiente. Nos documentos publicados na The Lancet, em duas fases de estudos clínicos feitos com 550 crianças e adolescentes de três a 17 anos, foram avaliadas questões como segurança, tolerabilidade e a resposta imunológica. Segundo o Instituto Butantan, o estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado. Desse modo, foram aplicadas vacinas e placebos aleatoriamente e os médicos não sabiam na momento da aplicação o que cada criança tomava.

Foram aplicadas duas doses com intervalo de 28 dias entre elas. Os resultados foram positivos. Após duas doses, mais de 96% do grupo produziu anticorpos contra a SARS-Cov-2.

Além disso, em resultados preliminares da terceira fase de estudo, segundo a farmacêutica chinesa Sinovac, a Coronavac mostra eficiência. A informações obtidas até agora na fase três, em estudos na África do Sul, Chile, Malásia e Filipinas, já atestam a segurança do imunizante para crianças de três a 17 anos.

Foram aplicadas duas doses com intervalo de 28 dias entre elas. Os resultados foram positivos. Após duas doses, mais de 96% do grupo produziu anticorpos contra a SARS-Cov-2. 

O QUE AINDA NÃO SE SABE?

Ainda não se sabe se a vacina é segura para bebês e recém-nascidos. Até agora, a faixa pediátrica estudada foi de três a 17 anos. Outra informação que não é possível responder, até o momento, é se as vacinas contra Covid entrarão no calendário vacinal anual dos pequenos. Isso ainda não foi decidido e, segundo Ethel, é preciso avaliar os vacinados por mais tempo após as doses para entender como ela se comporta e como está sendo a formação de anticorpos.

Outro fator desconhecido é sobre o esquema vacinal. Quando a vacina para os pequenos for aprovada, será preciso definir se eles serão colocados como prioridade ou se a dose de reforço em idosos e profissionais de saúde será mais importante.

Na opinião de Flávio Guimarães da Fonseca, se as crianças forem incluídas na vacinação, será preciso fazer um novo cálculo e avaliação de prioridades. “Minha sugestão é realizar a vacinação de crianças de cinco a 11 anos antes da dose de reforço, para que mais pessoas sejam alcançadas pela primeira dose”, argumenta o virologista.

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