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ES declara estado de atenção e pede que indústrias e agricultores reduzam consumo de água

Cenário foi declarado devido ao risco de aumento do déficit hídrico em rios e demais cursos d'água de domínio do Espírito Santo

Publicado em 24/09/2021 às 15h38
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), autarquia do governo capixaba que monitora a vazão dos rios, declarou estado de  atenção sobre a situação hídrica no Espírito Santo. O alerta foi publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (24) em uma resolução que também traz recomendações de uso racional da água, sobretudo para indústrias e agricultores.

Como mostrou A Gazeta, a seca prolongada que atinge o território capixaba tem feito com que os rios no Espírito Santo estejam com volume abaixo da média. O Rio Santa Maria da Vitória, responsável por abastecer quase metade da população da Grande Vitória e alguns municípios do interior do Estado, tem a situação mais preocupante e já se aproxima do nível crítico.

Volume do Rio Santa Maria se aproxima do nível crítico

O cenário de atenção foi declarado devido ao risco de aumento do déficit hídrico em rios e demais cursos d'água de domínio do Espírito Santo. De acordo com o diretor-presidente da Agerh, Fábio Ahnert, a queda nas vazões dos mananciais e a possibilidade de não ocorrência de chuvas em volumes suficientes demandam maior atenção do poder público, das companhias de abastecimento e dos usuários de água.

“Diferentemente das regiões banhadas pela bacia hidrográfica do rio Paraná, que sofrem com a falta d’água desde o primeiro semestre, o Espírito Santo ainda está conseguindo ofertar água em quantidade e qualidade para todos, mesmo em um dos meses mais críticos do período seco. No entanto, chegamos a um momento, no qual os volumes dos rios seguem em queda, o que requer atenção e esforços de economia para evitarmos a escassez hídrica”, explicou Ahnert.

É esperado no próximo mês o início do período chuvoso, o que pode aliviar a situação. Mas a previsão é de chuvas abaixo da média, o que pode levar a uma escassez hídrica em parte das cidades capixabas.

Atualmente, o Espírito Santo enfrenta um cenário de estiagem, com quase metade do território em situação de seca moderada. A região mais crítica está no Norte e no Noroeste do Estado, que concentra 29 municípios nesse quadro, segundo o informativo de acompanhamento da seca publicado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) na última quarta-feira (22).

Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

RECOMENDAÇÃO DE REDUÇÃO NO CONSUMO

A resolução recomenda uma série de medidas voltadas ao uso racional da água em vários segmentos. Para indústrias, a Agerh recomendou que sejam adotadas medidas de reuso, reaproveitamento e reciclagem de água nas unidades.

Na agricultura, o estado de atenção demanda a adoção do período noturno para a irrigação de lavouras, a ampliação do uso racional e de captação de águas de chuva.

A autarquia recomenda que as prefeituras dos 78 municípios do Espírito Santo tomem  ações que reduzam e responsabilizem atividades promotoras do desperdício de água, como lavagem de calçadas, fachadas, muros e veículos com o uso de mangueiras; a rega de gramados, jardins, vias públicas com água que não seja de reuso.

Já as empresas e organizações responsáveis pelo abastecimento urbano de água, a Agerh pede que sejam adotadas medidas de incentivo à economia do consumo diário de água pela população, intervenções para redução do índice de perdas do sistema de distribuição, e a agilidade no atendimento às solicitações de reparos de vazamentos em suas redes.

INDÚSTRIA PREGA UNIÃO DE ESFORÇOS PARA VENCER CRISE

Após a recomendação da Agerh, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) emitiu nota defendendo que este "é o momento de unir esforços no enfrentamento do problema" da crise hídrica. A entidade informou ter implantado, no início de setembro, um grupo de trabalho técnico para debater o tema com objetivo de avaliar ações de curto prazo e propor alternativas de médio e longo prazo que possam diminuir o impacto de novas possíveis crises.

Na nota, a Findes destacou que participa do Conselho Estadual de Recursos Hídricos e que "está contribuindo para reduzir a participação da indústria no consumo de água. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o setor industrial representa 9,7% do consumo de água em nível nacional. No Espírito Santo, segundo o mesmo levantamento, a indústria responde por apenas 2,28% da água consumida", disse a Federação no texto.

A entidade que representa as indústrias capixabas também frisou que, no Estado, muitos segmentos já adotam ações de reúso da água. "Em destaque, os investimentos realizados por Vale, Suzano e, mais recentemente, a inauguração de um projeto da ArcelorMittal Tubarão para dessalinização de água do mar".

* Com informações de Iara Diniz e da Agerh

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