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Seca reduz volume de rios do ES; Santa Maria está próximo do nível crítico

Início do período chuvoso em outubro pode não ser suficiente para melhorar situação no Estado; previsão é de precipitação abaixo da média

Vitória
Publicado em 24/09/2021 às 09h26
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

Com a seca prolongada que atinge o território capixaba, os rios no Espírito Santo estão com volume abaixo da média. O Rio Santa Maria da Vitória, responsável por abastecer quase metade da população da Grande Vitória e alguns municípios do interior do Estado, tem a situação mais preocupante e já se aproxima do nível crítico.

É esperado no próximo mês o início do período chuvoso, o que pode aliviar a situação. Mas a previsão é de chuvas abaixo da média, o que pode levar a uma escassez hídrica em parte das cidades capixabas.

Volume do Rio Santa Maria se aproxima do nível crítico

Atualmente, o Espírito Santo enfrenta um cenário de estiagem, com quase metade do território em situação de seca moderada. A região mais crítica está no Norte e no Noroeste do Estado, que concentra 29 municípios nesse quadro, segundo o informativo de acompanhamento da seca publicado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) na última quarta-feira (22).

Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

Entre os rios da Grande Vitória, o Santa Maria é o que se encontra com a vazão mais baixa: 3.135,03 litros por segundo, segundo boletim divulgado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). O volume está muito próximo do que é considerado crítico, que é de 2.895,30 litros por segundo.

Para se ter uma ideia do quão baixo está o volume de água, a média mensal de vazão é de 7.525,74 l/s.

Vazão do Rio Santa Maria da Vitória se aproxima do nível crítico
Vazão do Rio Santa Maria da Vitória se aproxima do nível crítico. Crédito: Divulgação/Agerh

A vazão do Rio Santa Maria da Vitória está em queda desde o início de setembro e chegou a ficar inferior ao nível crítico na última semana. Um rio chega ao nível crítico quando atinge 50% da sua capacidade de vazão.

A situação do Rio Jucu também é preocupante. A vazão está bem abaixo da média mensal, que é de 15.965 l/s, mas a situação é menos grave que o rio Santa Maria. De acordo com a Agerh, o volume do Rio Jucu estava em 8.289,23 litros por segundo. O índice é considerado crítico quando atinge 6.260,04 litros por segundo.

Embora o quadro não seja animador, a Agerh conta com o início do período chuvoso, a partir do próximo mês, para ajudar a abastecer as áreas de recarga dos rios. Segundo a agência estadual, “estamos nos últimos e mais críticos meses do período de estiagem que, normalmente, vai de abril a outubro”.

A expectativa é a mesma do Incaper, que destaca a chegada da primavera. O Instituto explica que durante a estação, as massas de ar frio provocam quedas ocasionais de temperatura e “há um aumento progressivo na quantidade de precipitação, marcando a passagem da estação seca para a chuvosa”, afirmou a meteorologista do instituto Thábata Brito, por meio de nota.

Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

Segundo o Incaper, a média acumulada de precipitação na primavera fica acima dos 400 mm na Região do Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana, entre 350 e 400 mm no restante das regiões Sul e Serrana e na Região Nordeste.

ES DEVE RECEBER MENOS CHUVA QUE OUTROS ESTADOS DO SUDESTE

Porém, é esperado que as chuvas fiquem muito aquém do esperado no Espírito Santo. O ClimaTempo prevê uma precipitação bem  abaixo da média no Estado. O Espírito Santo é apontado como uma exceção na região Sudeste do país, que é fortemente impactada pela chegada do fenômeno La Ninã e, consequentemente, com o aumento no volume das chuvas. 

“A tendência é que as frentes frias fiquem estacionadas entre São Paulo e Rio de Janeiro, provocando bastante chuva nesses dois estados. Então, nem todos os sistemas terão força para avançar em direção ao Espírito Santo, deixando o estado com chuva próxima da média e alguns pontos abaixo da média entre outubro e novembro", destaca a meteorologista do ClimaTempo Ana Clara Marques.

Segundo ela, vai chover mais do que choveu em setembro, mas não conforme o esperado. A tendência é que as frentes frias consigam avançar até o Espírito Santo em dezembro, " deixando o tempo chuvoso na maior parte dos dias".

Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina
Rio Santa Maria que está com leito bem seco, em Santa Leopoldina. Crédito: Ricardo Medeiros

ESCASSEZ DE ÁGUA NÃO É DESCARTADA

Caso a previsão para o período chuvoso se confirme, o Estado pode viver uma escassez hídrica. A situação não é descartada pela Agerh nem pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

"Em novembro, é comum a volta do período mais chuvoso, que ajuda a abastecer as áreas de recarga dos rios. Mas, se essa previsão climática não se consolidar, a escassez hídrica também não é descartada", afirmou a Agerh, em nota.

Já a Cesan disse que o abastecimento de água para a população está garantido nos municípios atendidos pela companhia, mas que "não descarta qualquer medida diante da escassez hídrica".

"Mesmo sem risco de criticidade hídrica no Estado neste momento, é sempre importante lembrar que a população precisa adotar práticas responsáveis, fazendo uso consciente da água em todas as atividades, tanto na cidade quanto no campo", alertou. 

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