Dois anos é como se tivesse acontecido ontem, o sofrimento é o mesmo. A falta, a saudade, aquela dor que a gente tem vai amenizando, mas nunca passa. Esse é o desabafo da dona Cirene Maria Siqueira, mãe do empresário Douglas Siqueira Lana, que desapareceu após um voo de asa-delta com o piloto Mayke Stefanelli em setembro de 2018. O desaparecimento completou dois anos nesta segunda-feira (21) e o caso ainda segue sem respostas.
Em entrevista à TV Gazeta, Cirene compartilhou a angústia vivida pela família que, após dois anos, não tem novidades sobre o caso. Saudade, muita saudade. Ele era um menino muito amoroso, muito carinhoso, um rapaz muito cabeça, muito família. Ele está fazendo muita falta e como faz falta. Agora, vejo só eu, meu esposo e a minha sogra, eu preciso tanto dele e cadê? Não tem. Infelizmente, pronto, sumiu, é só sofrimento, comentou.
"A falta de informação é terrível. A gente fica se perguntando o que aconteceu, eu não enterrei ele e cadê ele? É muito complicado"
MISTÉRIO
De acordo com Cirene Maria, o desaparecimento do filho Douglas continua sem respostas. Na época, um tenente-coronel do Corpo de Bombeiros disse que foi a maior busca por desaparecidos já realizada no Espírito Santo, no entanto, nenhum vestígio dos dois foi encontrado.
"Eu gostaria muito que as autoridades dessem uma resposta para gente. O que eles fizeram? Acredito que o Corpo de Bombeiros terminou lá as buscas e já me falaram que se aparecer alguma coisa, algum vestígio, eles voltam, mas, até hoje, nada. Eu gostaria muito que eles sentissem aquele desejo de ir lá e tentar"
A mãe do empresário cobra respostas sobre o que pode ser feito para que o filho seja encontrado. Ninguém deu nenhuma informação, nem falou quais passos a gente precisa seguir para resolver alguma coisa. A gente não teve amparo de nada, só de Deus e dos amigos, mas das autoridades, nada, infelizmente.
Para gente está sendo muito difícil. Tem dois anos e as autoridades... Ninguém até hoje procurou a gente para dar uma satisfação, para falar nada sobre o que aconteceu, a gente não tem nada", lamentou.
PAI RELATA DESCASO
O pai do Mayke, Janio Stefanelli, questiona as buscas realizadas na época do desaparecimento. Segundo ele, assim como a família do Douglas, eles também não tiveram mais nenhuma novidade sobre o caso.
Eu acho um descaso das autoridades, um descaso muito grande. A minha filha menor não aguentou a pressão e foi embora do país, e eu estou aqui, mas não tem nada de novo, revelou.
O comerciante contou ainda que há alguns meses receberam uma notícia de que um objeto havia sido identificado na mata e que poderia ser partes da asa-delta usada no voo em que os dois desapareceram, no entanto, nada foi encontrado.
"Uma vez, há uns 8 meses, que um amigo achou uma mancha na mata, um amigo que mexe com satélite em São Paulo. Mas não era. Nós fomos lá, marcamos o local, mas fomos lá e não era. Era uma árvore que joga umas flores e fica vermelho o chão, parecia muito com a asa, mas não era"
BUSCAS SEM PREVISÃO DE RETORNO
Questionado sobre o caso, o Corpo de Bombeiros informou, por meio de nota, "que na época do fato todos os procedimentos cabíveis para encontrar as vítimas foram adotados".
A nota ressalta que durante cerca de 30 dias de buscas, tempo acima do definido em protocolo para esse tipo de situação, militares e brigadistas da reserva realizaram varredura em centenas de quilômetros quadrados com objetivo de tentar encontrar os dois homens que desapareceram. Todos os sinais indicavam que a queda teria ocorrido próximo à lagoa, ao sul da reserva, local onde foi registrado o último sinal de GPS dos celulares que os dois portavam. Além disso, até mesmo o apoio da aeronáutica foi requisitado, com as informações dos peritos técnicos em aviação, no auxílio às buscas.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, na época não foi encontrado nenhum sinal do local onde as vítimas pudessem estar e não há previsão de retomada das buscas no momento, visto que somente com algum indício de localização as equipes irão atuar.
A nota termina dizendo que os brigadistas da reserva caminham diariamente pelo local e estão orientados, caso haja algum sinal, a acionar o Corpo de Bombeiros.
O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL
A Polícia Civil foi procurada para comentar as investigações envolvendo o desaparecimento do empresário Douglas Siqueira Lana e do piloto Mayke Stefanelli, ocorrido em setembro de 2018. Por nota, a PC explicou que o caso continua sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (DIPO) de Linhares. A nota diz ainda que buscas intensas foram realizadas pela Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, mas nenhum vestígio foi encontrado.
A PC destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia 181, que também possui um site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas, o disquedenuncia181.es.gov.br. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.
RELEMBRE O CASO
O empresário Douglas Siqueira Lana e do piloto Mayke Stefanelli decolaram em uma asa-delta motorizada de Linhares, Região Norte do Espírito Santo, em direção a Mucuri, no Sul da Bahia, no dia 21 de setembro de 2018. Pouco tempo após o voo, eles sumiram. Buscas foram realizadas por terra, água e ar, mas os dois não foram encontrados.
Na ocasião do desaparecimento, os trabalhos foram feitos de várias formas. Buscas foram realizadas a pé pela Reserva Biológica de Sooretama e pela Reserva Natural da Vale.
O mesmo local contou com sobrevoos de um helicóptero do Núcleo de Operações e Transportes Aéreos (Notaer) e de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Amigos e familiares de Mayke, que também são pilotos, sobrevoaram as reservas em suas aeronaves.
Equipes dos Bombeiros, da Polícia Militar Ambiental, da FAB e também amigos de Mayke fizeram buscas por terra em localidades do interior de Linhares, mas nenhum sinal foi encontrado.
Com informações da TV Gazeta