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Mistério em Linhares: desaparecimento de piloto e empresário completa 2 anos

O piloto Mayke Stefanelli e o empresário Douglas Siqueira decolaram em uma asa-delta motorizada, no dia 21 de setembro de 2018, e não foram mais vistos

Publicado em 22/09/2020 às 09h51
Atualizado em 22/09/2020 às 09h51
Piloto Maike Estefaneli Barcelos e empresário Douglas Lana
Piloto Maike Estefaneli Barcelos e empresário Douglas Lana. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

“Dois anos é como se tivesse acontecido ontem, o sofrimento é o mesmo. A falta, a saudade, aquela dor que a gente tem vai amenizando, mas nunca passa”. Esse é o desabafo da dona Cirene Maria Siqueira, mãe do empresário Douglas Siqueira Lana, que desapareceu após um voo de asa-delta com o piloto Mayke Stefanelli em setembro de 2018. O desaparecimento completou dois anos nesta segunda-feira (21) e o caso ainda segue sem respostas.

Em entrevista à TV Gazeta, Cirene compartilhou a angústia vivida pela família que, após dois anos, não tem novidades sobre o caso. “Saudade, muita saudade. Ele era um menino muito amoroso, muito carinhoso, um rapaz muito cabeça, muito família. Ele está fazendo muita falta e como faz falta. Agora, vejo só eu, meu esposo e a minha sogra, eu preciso tanto dele e cadê? Não tem. Infelizmente, pronto, sumiu, é só sofrimento”, comentou.

Cirene Maria Siqueira

Mãe do empresário desaparecido

"A falta de informação é terrível. A gente fica se perguntando o que aconteceu, eu não enterrei ele e cadê ele? É muito complicado"

MISTÉRIO

De acordo com Cirene Maria, o desaparecimento do filho Douglas continua sem respostas. Na época, um tenente-coronel do Corpo de Bombeiros disse que foi a maior busca por desaparecidos já realizada no Espírito Santo, no entanto, nenhum vestígio dos dois foi encontrado.

Cirene Maria Siqueira

Mãe do empresário Douglas Siqueira Lana

"Eu gostaria muito que as autoridades dessem uma resposta para gente. O que eles fizeram? Acredito que o Corpo de Bombeiros terminou lá as buscas e já me falaram que se aparecer alguma coisa, algum vestígio, eles voltam, mas, até hoje, nada. Eu gostaria muito que eles sentissem aquele desejo de ir lá e tentar"

A mãe do empresário cobra respostas sobre o que pode ser feito para que o filho seja encontrado. “Ninguém deu nenhuma informação, nem falou quais passos a gente precisa seguir para resolver alguma coisa. A gente não teve amparo de nada, só de Deus e dos amigos, mas das autoridades, nada, infelizmente”.

“Para gente está sendo muito difícil. Tem dois anos e as autoridades... Ninguém até hoje procurou a gente para dar uma satisfação, para falar nada sobre o que aconteceu, a gente não tem nada", lamentou. 

Douglas e Cirene no aniversário de 30 anos do empresário
Douglas e Cirene no aniversário de 30 anos do empresário. Crédito: Arquivo pessoal

PAI RELATA DESCASO

O pai do Mayke, Janio Stefanelli, questiona as buscas realizadas na época do desaparecimento. Segundo ele, assim como a família do Douglas, eles também não tiveram mais nenhuma novidade sobre o caso.

“Eu acho um descaso das autoridades, um descaso muito grande. A minha filha menor não aguentou a pressão e foi embora do país, e eu estou aqui, mas não tem nada de novo”, revelou.

Janio Stefanelli, pai do Mayke
Janio Stefanelli, pai do Mayke. Crédito: TV Gazeta/Reprodução

O comerciante contou ainda que há alguns meses receberam uma notícia de que um objeto havia sido identificado na mata e que poderia ser partes da asa-delta usada no voo em que os dois desapareceram, no entanto, nada foi encontrado.

Janio Stefanelli

Pai do Mayke

"Uma vez, há uns 8 meses, que um amigo achou uma mancha na mata, um amigo que mexe com satélite em São Paulo. Mas não era. Nós fomos lá, marcamos o local, mas fomos lá e não era. Era uma árvore que joga umas flores e fica vermelho o chão, parecia muito com a asa, mas não era"

BUSCAS SEM PREVISÃO DE RETORNO

Questionado sobre o caso, o Corpo de Bombeiros informou, por meio de nota, "que na época do fato todos os procedimentos cabíveis para encontrar as vítimas foram adotados".

A nota ressalta que “durante cerca de 30 dias de buscas, tempo acima do definido em protocolo para esse tipo de situação, militares e brigadistas da reserva realizaram varredura em centenas de quilômetros quadrados com objetivo de tentar encontrar os dois homens que desapareceram. Todos os sinais indicavam que a queda teria ocorrido próximo à lagoa, ao sul da reserva, local onde foi registrado o último sinal de GPS dos celulares que os dois portavam. Além disso, até mesmo o apoio da aeronáutica foi requisitado, com as informações dos peritos técnicos em aviação, no auxílio às buscas”.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, na época “não foi encontrado nenhum sinal do local onde as vítimas pudessem estar” e “não há previsão de retomada das buscas no momento, visto que somente com algum indício de localização as equipes irão atuar”.

A nota termina dizendo que “os brigadistas da reserva caminham diariamente pelo local e estão orientados, caso haja algum sinal, a acionar o Corpo de Bombeiros”.

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL

Polícia Civil foi procurada para comentar as investigações envolvendo o desaparecimento do empresário Douglas Siqueira Lana e do piloto Mayke Stefanelli, ocorrido em setembro de 2018. Por nota, a PC explicou que “o caso continua sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (DIPO) de Linhares”. A nota diz ainda que “buscas intensas foram realizadas pela Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, mas nenhum vestígio foi encontrado”.

A PC destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia 181, que também possui um site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas, o disquedenuncia181.es.gov.br. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.

RELEMBRE O CASO

O empresário Douglas Siqueira Lana e do piloto Mayke Stefanelli decolaram em uma asa-delta motorizada de Linhares, Região Norte do Espírito Santo, em direção a Mucuri, no Sul da Bahia, no dia 21 de setembro de 2018. Pouco tempo após o voo, eles sumiram. Buscas foram realizadas por terra, água e ar, mas os dois não foram encontrados.

Na ocasião do desaparecimento, os trabalhos foram feitos de várias formas. Buscas foram realizadas a pé pela Reserva Biológica de Sooretama e pela Reserva Natural da Vale.

O mesmo local contou com sobrevoos de um helicóptero do Núcleo de Operações e Transportes Aéreos (Notaer) e de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Amigos e familiares de Mayke, que também são pilotos, sobrevoaram as reservas em suas aeronaves.

Equipes dos Bombeiros, da Polícia Militar Ambiental, da FAB e também amigos de Mayke fizeram buscas por terra em localidades do interior de Linhares, mas nenhum sinal foi encontrado.

Com informações da TV Gazeta

Linhares linhares ES Norte

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