Febre maculosa no ES: transmissão por carne de caça é pouco provável, dizem médicos
Casos investigados
Febre maculosa no ES: transmissão por carne de caça é pouco provável, dizem médicos
Em Itapemirim, dois casos da doença foram confirmados e seis são investigados. Prefeitura afirma que carne consumida por pacientes será analisada, mas também destaca ser baixo o risco de contaminação dessa maneira
Após o município de Itapemirim registrar a notificação de um óbito e seis casos de febre maculosa – dois confirmados e quatro em investigação, surgiu a hipótese de os pacientes terem sido contaminados após comer carne de caça, informou a prefeitura. A administração municipal, no entanto, disse que o produto será analisado, mas destacou ser baixo o risco de contaminação dessa forma. Médicos infectologistas ouvidos por A Gazeta também consideram essa possibilidade de transmissão pouco provável.
A infectologista Rubia Miossi afirma que a literatura médica tem registros claros de que a febre maculosa é transmitida por picada de carrapato. Outra situação de possível transmissão é quando a pessoa mata o carrapato, esmagando-o. Assim, a bactéria que estava nele pode alcançar o sangue dessa pessoa por algum ferimento pequeno na pele.
“De fato, o consumo da carne não é citado como meio de transmissão da febre maculosa na literatura. Os pacientes suspeitos do Sul do estado têm em comum o fato de terem comido carne de capivara e outros de terem participado de uma pescaria onde tem capivaras”, destaca.
Febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pelo carrapato estrelaCrédito: Shutterstock
A médica salienta haver dificuldade de estabelecer a forma de transmissão porque nem todo mundo percebe que foi picado pelo carrapato.
“A capivara é um animal que tradicionalmente tem carrapato, sendo considerada um reservatório da doença, então sempre pensamos: onde tem capivara, tem carrapato, tem possibilidade de febre maculosa. Mas a chance de transmissão pela ingestão da carne do animal é pouco provável”, finaliza.
O médico infectologista Lauro Ferreira Pinto, em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, também evidenciou a baixa probabilidade. “Não tem a ver com o consumo da carne. Febre maculosa volta e meia aparece no Espírito Santo, tem a ver com carrapato. A relação com a capivara é que muitas vezes as pessoas que vão abater o animal ou comer, são picados e nem sempre notam”, conta.
“Se a pessoa retirar o carrapato com cuidado, sem espremer, pode não ser contaminado. Depois aparecem os sintomas: febre, muita dor de cabeça e lesões na pele, às vezes até enjoo e vômito”, completa.
Dos seis casos notificados, dois foram confirmados por exame laboratorial. Há ainda um paciente com suspeita da doença internado na UTI do Hospital Evangélico, no Litoral Sul, que também aguarda o resultado. Outros dois pacientes suspeitos estão internados em uma clínica médica do mesmo hospital. Ainda não há informações se esses fizeram os exames para análise.
O município confirmou ainda um óbito. O paciente estava hospitalizado em Cachoeiro de Itapemirim, e morreu nesta terça-feira (27). Os exames dele ainda estão sendo analisados.
Arquivos & Anexos
Orientações aos serviços de saúde sobre Febre Maculosa Brasileira (FMB)
O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Espírito Santo (CIEVS-ES),
emite nota informativa aos profissionais de saúde no intuito intensificar a vigilância e
assistência a possíveis casos de febre maculosa, diante do período de maior risco de transmissão da doença no Espírito Santo (entre abril e outubro).
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Rickettsia rickettsii. Segundo a Fiocruz, ela é transmitido pela saliva de diferentes espécies de carrapatos no Brasil, mas o principal é o carrapato estrela, também conhecido como carrapato de cavalo, que pode picar animais e seres humanos.
A literatura médica dá conta de que a pessoa pode ser contaminada pela picada do carrapato ou quando esmaga o aracnídeo e a bactéria que estava nele pode alcança o sangue do indivíduo por algum ferimento pequeno na pele.
Em caso de infecção pela bactéria, os sintomas vão ser semelhantes ao de doenças como dengue e a Covid-19: febre, dores de cabeça e no corpo, manchas na pele. Alguns pacientes relatam também dificuldades em respirar. Já o tratamento é feito com uso de antibióticos.
O que diz a Sesa
"A Secretaria da Saúde informa que a Vigilância Epidemiológica do município de Itapemirim notificou 06 casos suspeitos de febre maculosa. Nesta quinta-feira (29), os resultados são 03 casos confirmados, sendo 01 óbito e 03 casos descartados, após resultado negativo para a doença.
As amostras foram coletadas e encaminhadas para o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES), onde realizou testagem usando a técnica molecular de PCR em tempo real (RT-PCR) e atuou em regime de urgência para rápida liberação dos resultados.
A Sesa ressalta que junto aos profissionais da vigilância municipal e da Superintendência Regional de Cachoeiro de Itapemirim tem articulado ações para investigação dos casos confirmados, sendo a linha de investigação a transmissão via carrapato. A Secretaria está na cidade para realização das ações.