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Publicado em 23 de julho de 2025 às 18:43
A Justiça condenou, na última terça-feira (22), cinco pessoas pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, agravados pelo uso de arma de fogo e pela participação de adolescente, em Linhares, no Norte do Espírito Santo. Entre os condenados está a ex-estudante de Direito e ex-estagiária do fórum da cidade, Yasmin Negrelli, acusada de repassar informações sigilosas do Poder Judiciário ao grupo criminoso, no escândalo que foi revelado em 2023. Todos foram condenados a 23 anos, um mês e dez dias de prisão em regime fechado. >
A ação penal movida pelo Ministério Público, após a "Operação Grande Família", resultou na condenação de Ana Carolina dos Anjos Marassati, Cristina Pinheiro de Oliveira, Elder Rafael Zanelato, Maysa Gallon da Silva e Yasmin Negrelli pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. >
A decisão, à qual A Gazeta teve acesso, descreve os fatos com base em provas como conversas por celular e monitoramento eletrônico, destacando o envolvimento dos réus com a organização criminosa "Porto do Bote – PDB", a participação de adolescentes e o uso de armas de fogo. >
A decisão, assinada pelo juiz Wesley Sandro Campana dos Santos, aponta que Elder se autointitulava comandante da organização criminosa "Porto do Bote – PDB". A sentença destaca a sofisticação do grupo, que buscava disfarçar as atividades ilícitas utilizando, inclusive, de "meninas bonitas e de classe média, acima de qualquer suspeita" como Yasmin — filha de um policial — para ceder imóveis e transportar drogas, com menor risco de suspeita por parte da polícia. >
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O magistrado rejeitou a tese de que os réus seriam apenas usuários, e afirmou que as provas demonstram envolvimento direto com a preparação, transporte, ocultação e administração do tráfico.>
A decisão judicial manteve a prisão preventiva de Elder Rafael Zanelato, apontado como o líder do grupo, enquanto Yasmin, Ana Carolina, Cristina e Maysa receberam o direito de recorrer em liberdade.>
O juiz determinou ainda a destruição das drogas apreendidas durante a operação que levou os réus à cadeia, e apetrechos apreendidos, o confisco do dinheiro e dos celulares usados na atividade ilícita — com o valor destinado à Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad) e os aparelhos encaminhados para destruição —, além do envio das armas, acessórios e munições ao Comando do Exército.>
As investigações apontaram que Ana Carolina e Cristina mantinham contato direto com Elder Rafael Zanelato, suspeito de atuar como traficante no município. Em análises feitas em um celular dele, apreendido após o homem ser preso, supostamente constam mensagens com as duas mulheres.>
A denúncia do MPES apontou que Yasmin Negrelli, enquanto era estagiária do Fórum de Linhares, pode ter utilizado a senha de acesso ao sistema do Poder Judiciário para fornecer informações ao grupo. As investigações encontraram mensagens de Elder citando que ela consultava no sistema se a pessoa possuía mandado de prisão.>
Indícios mostraram também de que o suspeito frequentava a casa de Ana Carolina, onde fazia o preparo das drogas para comercializar. Já Cristina seria mãe de um comparsa de Elder, um adolescente que na época estava internado em uma unidade do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). >
Na ocasião em que os fatos se tornaram públicos, o Tribunal de Justiça informou que, ao tomar conhecimento da prisão de Yasmin Negrelli, o responsável pela vara do Fórum de Linhares solicitou, de imediato, a rescisão do contrato da estagiária e o bloqueio do seu acesso aos sistemas do Judiciário.>
A reportagem de A Gazeta tenta localizar a defesa dos citados na matéria. Este espaço segue aberto para posicionamentos.>
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