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Imunização contra a Covid-19

ES só tem 20% das crianças vacinadas contra Covid; desinformação atrasa meta

A vacinação pediátrica no Espírito Santo teve início em 15 de janeiro e, até esta segunda-feira (7), mais de 81.859 crianças de 5 a 11 anos foram vacinadas, com média diária de 5 mil doses, sendo que a meta é vacinar 7 mil crianças por dia

Publicado em 08 de Fevereiro de 2022 às 14:18

Caroline Freitas

Publicado em 

08 fev 2022 às 14:18
Três semanas após o início da vacinação pediátrica contra a Covid-19 em território capixaba, o Espírito Santo tem ainda somente 20% das crianças de 5 a 11 anos imunizadas com a primeira a primeira dose do imunizante. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). De 15 de janeiro até esta segunda-feira (07) mais de 81.859 pessoas desta faixa foram vacinadas, uma média de 5 mil crianças ao dia.
A expectativa, entretanto, era de que fossem alcançadas pelo menos 7 mil por dia, ou seja, 2 mil a mais do que a média executada. Para especialistas, o problema está ligado à insegurança provocada pela desinformação, que tem feito com que os pais decidam não levar seus filhos para serem imunizados contra a doença que tem registrado picos de contaminação nas últimas semanas.
Criança se vacina contra a Covid-19
Média diária de crianças vacinas contra a Covid-19 no ES está em 5 mil Crédito: Freepik
Atualmente, duas vacinas são utilizadas na campanha infantil, tanto em território capixaba, quanto no Brasil: a versão pediátrica da Pfizer, aprovada em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 5 a 11 anos, e a Coronavac, aprovada em janeiro para a faixa de 6 a 17 anos. Um estudo sobre a utilização da mesma em crianças a partir de 3 anos também está em desenvolvimento no Espírito Santo.
Desde setembro de 2021, adolescentes a partir de 12 anos já vinham sendo imunizados com a versão regular da Pfizer, a mesma utilizada para adultos. Ambas são seguras e eficazes na prevenção dos sintomas do coronavírus, segundo as autoridades sanitárias, sendo a Coronavac contraindicada apenas para crianças imunossuprimidas, caso em que existe opção de usar a Pfizer.

DESINFORMAÇÃO GERA ATRASO

Para o pediatra Rodrigo Aboudib, a despeito de os dados oficiais não informarem quaisquer problemas ou efeitos adversos graves das vacinas em crianças, por meio das redes sociais, principalmente, informações inverídicas se propagam em velocidade assustadora, e acabam confundindo os pais, e tornando-os menos propensos a imunizarem seus filhos.
"Não tenho a menor dúvida que a razão para não estarmos atingindo essa meta é fruto da preocupação dos pais. E a base dessa preocupação é a desinformação sobre a questão da segurança da vacina e ao risco da doença. Infelizmente, nós vemos diariamente nos grupos de WhatsApp pais sendo bombardeados com informações falsas, isso acaba colocando em risco a saúde e a vida das nossas crianças, porque eles não as levam para se vacinar. Essa é a questão principal, e não falta de doses", afirma.
O infectologista pediatra Pedro Massaroni Peçanha observa que, em um primeiro momento, a lentidão da chegada da Pfizer pediátrica, que vinha sendo liberada aos poucos, até mesmo por conta da demora para aquisição pelo Ministério da Saúde, fez com que o ritmo da vacinação avançasse a passos lentos, não apenas no Espírito Santo, mas de modo geral. Agora, entretanto, esta não é a justificativa principal.
"Mesmo com as doses regularizadas, ainda há muita gente insegura em relação à vacina. Acho que é uma questão de informar melhor à população sobre as vacinas disponíveis e principalmente que as duas vacinas são seguras, não tem que ter preferências, pois as duas passaram por todas as fases de testes, foram aprovadas pelos órgãos responsáveis."
O ponto é reforçado ainda pela pediatra e professora universitária Filomena Alencar, que destaca que a liberação da Coronavac garantiu maior agilidade ao processo de vacinação, e é tão segura quanto a alternativa (Pfizer pediátrica).
"A desinformação é um problema sério, principalmente neste período de alta de casos. Lembrando que também há o risco de as crianças se infectarem e precisarem aguardar para vacinar, o que pode atrasar ainda mais atingir os percentuais desejados."
Apesar do percentual relativamente baixo, o Estado capixaba ainda consegue ficar acima da média nacional. Levantamento realizado pelo consórcio de veículos de imprensa junto aos Estados aponta que 15,3% das crianças brasileiras de 5 a 11 anos estavam vacinadas contra a Covid-19 até esta segunda-feira (7), sendo que cerca de 3,1 milhões de doses foram aplicadas desde janeiro.
O percentual real de crianças imunizadas, entretanto, pode ser diferente, pois apenas 16 Estados disponibilizam abertamente informações sobre a vacinação infantil.
“A Secretaria da Saúde (Sesa) informa que atualmente uma média de cinco mil crianças estão sendo vacinadas diariamente no Espírito Santo. No intuito de acelerar a vacinação pediátrica, foi pactuado junto aos municípios a vacinação de 90% deste público até 15 de março.”
A secretaria ressalta, entretanto, que para alcançar essa meta terão que ser vacinadas, por dia, uma média de sete mil crianças, ou seja, 2 mil crianças a mais do que a média de imunizações diárias atuais, o que indica que a quantidade de crianças imunizadas ainda é inferior à capacidade de vacinação do Estado.
“Os municípios serão os responsáveis por desenvolver as estratégias e a secretaria considera a volta às aulas uma oportunidade para alcançar a meta pactuada. Outras estratégias estão sendo adotadas, como o mutirão realizado no último final de semana. Os municípios estão sendo orientados a ampliar o acesso das famílias à vacinação através de horários estendidos e atendimentos nos fins de semana nos serviços de vacinação.”

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