O Corpo de Bombeiros prorrogou pela segunda vez o prazo para conclusão do laudo que pode indicar a causa do desabamento do prédio que matou três pessoas da mesma família em abril deste ano, no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha. Segundo a corporação, o adiamento é por tempo indeterminado, devido à "complexidade do caso".
Em nota enviada nesta terça-feira (7), a assessoria de imprensa dos Bombeiros informou que "as circunstâncias que geraram o desabamento ainda estão sendo investigadas". No dia 11 maio, data da primeira prorrogação, a corporação havia explicado que algumas imagens da tragédia e o depoimento da única sobrevivente ainda seriam analisados.
Prédio de três andares desaba em Cristóvão Colombo
Durante as investigações, que já acontecem desde meados de abril, duas hipóteses levantadas inicialmente acabaram descartadas: a que vinculava a queda do imóvel ao uso de materiais de soldagem encontrados no local e a que relacionava o episódio ao vazamento de Gás Veicular Natural (GNV).
Restou como única possibilidade o vazamento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), também conhecido como gás de cozinha, já que duas botijas de 13 kg foram encontradas sob os escombros e qualquer fonte de calor poderia causar a explosão vista logo antes do desabamento do prédio.
Dos andamentos realizados ao longo das últimas semanas, sabe-se apenas que o Corpo de Bombeiros esteve no local do desabamento no último dia 26 para fazer uma análise do que sobrou no terreno. A equipe foi acompanhada da doceira Larissa Morassuti — a única sobrevivente da tragédia.
Na ocasião, ela fez um desabafo no qual falou se sentir "soterrada por burocracias". "Eu sei que hoje meu pai, minha irmã e minha sobrinha descansam no paraíso. E eu fiquei, como forma de castigo. Todo dia é um problema diferente para ser resolvido. Não aguento mais", disse, em entrevista à TV Gazeta.
RELEMBRE A TRAGÉDIA
O desabamento do prédio de três andares aconteceu na manhã do dia 21 de abril deste ano, no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha. Imagens de uma câmera de segurança mostraram o momento exato da tragédia e revelaram que houve uma explosão pouco antes de o imóvel ir abaixo.
Em um total de quase 20 horas de operação, o Corpo de Bombeiros conseguiu resgatar a doceira Larissa Morassuti com vida e retirou três parentes dela dos escombros, mas que morreram ainda no local:
- Eduardo Cardoso, de 68 anos (pai);
- Camila Morassuti Cardoso, de 36 anos (irmã);
- Sabrina Morassuti Lima, de 15 anos (sobrinha).
A adolescente chegou a ser encontrada com vida e uma médica tentou ajudá-la ainda sob os escombros. No entanto, ela não resistiu e acabou morrendo no local. O idoso foi o último a ser achado, já na madrugada seguinte. Tanto ele quanto a mãe da menina foram encontrados mortos.
Ao todo, 29 moradores do entorno tiveram que deixar as casas por precaução, mas foram liberados a retornar após uma vistoria da Prefeitura de Vila Velha. Apenas um imóvel desocupado seguia interditado na sexta-feira (22). A limpeza do local e a liberação da rua foram feitas pelo próprio município.
Desabamento em Vila Velha - prazo de laudo é prorrogado pela segunda vez