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Grande Vitória

Crianças brincam com águas-vivas em praia do ES e especialistas alertam para perigo

Registro com crianças foi feito em Guarapari. Já em alto-mar, mergulhador também fez flagrantes em praias de Vila Velha e da Serra

Publicado em 27 de Dezembro de 2025 às 14:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

27 dez 2025 às 14:55
Banhistas têm relatado a presença de grande quantidade de águas-vivas em praias do Espírito Santo durante o período de férias e de temperaturas mais altas. Registros em vídeo feitos por frequentadores começaram a circular nas redes sociais nos últimos dias.
Um dos vídeos foi gravado pelo designer gráfico Gustavo Nascimento, de 34 anos, na sexta-feira (26), na praia de Setiba, em Guarapari. Ele contou que costuma frequentar o local, mas se surpreendeu com a quantidade de animais observada desta vez (veja vídeo acima). 
Nas imagens, as águas-vivas aparecem até sendo manuseadas por crianças que brincavam no raso. “Elas estavam brincando como se fosse o mais natural do mundo. Tinha muitas juntas, porque elas estavam retirando da água com um baldinho e colocando em uma piscininha no raso para brincar”, relatou.
Gustavo disse que não encostou nos animais e que não presenciou relatos de queimaduras entre os banhistas.
“A gente até ficou intrigado com isso. Algumas pessoas, principalmente crianças, estavam pegando com a mão e não vimos ninguém reclamando de queimadura ou dor”, afirmou.

Registros também em alto-mar

Outros flagrantes foram feitos pelo médico veterinário Enzo Bernardes Favaro, de 27 anos, que pesca com frequência e mergulha desde os 8 anos. Em publicações nas redes sociais, ele alertou que nunca havia visto uma quantidade tão grande de águas-vivas como a registrada nas últimas semanas.
“Eu realmente comecei a notar uma quantidade alta. Sempre foi normal ver águas-vivas no verão, mas eu tenho bastante vivência no mar e nunca vi essa quantidade, de norte a sul do estado”, disse.
Diferentemente do registro feito em Setiba, os vídeos de Enzo foram gravados em alto-mar. Algumas imagens mostram os animais próximos à Ilha dos Pacotes e na região da Ponta da Fruta, em Vila Velha. Outros registros foram feitos na altura da praia de Manguinhos, na Serra.
O médico veterinário contou ainda que já sofreu queimaduras provocadas por águas-vivas durante os mergulhos.
“É mais difícil, porque normalmente estou na água com roupa de mergulho, que cobre mais de 90% do corpo, além de luvas e meias. Ficam expostas só as bochechas, a boca e o bigode. As vezes em que fui queimado foram no bigode. Dói muito. Passei vinagre, que é o que sempre foi indicado para mim, e realmente ajudou bastante”, relatou.
Águas-vivas vistas em praias da Grande Vitória neste verão
Águas-vivas vistas em praias da Grande Vitória neste verão Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Fenômeno comum no verão

Segundo o biólogo marinho e pesquisador do Laboratório de Pesca e Aquicultura (LabPesca) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) João Luiz Rosetti Gasparini, o aumento de registros está diretamente relacionado ao verão.
“O verão é a época de maior reprodução e atividade das águas-vivas, por causa da maior incidência solar e da água mais quente. Além disso, tem muito mais gente na praia e hoje praticamente todo mundo registra e publica vídeos”, explicou.
De acordo com o pesquisador, em algumas regiões pode ocorrer um aumento pontual da quantidade desses animais, fenômeno conhecido como “boom”, influenciado por fatores ambientais como temperatura da água, disponibilidade de nutrientes e correntes marítimas.
No Sul do Espírito Santo, por exemplo, episódios de ressurgência, quando águas profundas e mais frias sobem à superfície, podem transportar águas-vivas oceânicas para perto da costa, incluindo espécies mais perigosas.

Nem toda água-viva oferece o mesmo risco

O biólogo explicou que existem diferentes tipos de águas-vivas, com graus variados de risco para os banhistas. As mais comuns nas praias são as menores, gelatinosas e sem tentáculos longos, consideradas pouco urticantes, como as registradas pelo Gustavo.
“A gente chama de filo Ctenophora, que é aquela água-viva molinha, pequenininha, sem tentáculo e que parece uma geleia. É redondinha, às vezes meio ovalada, e a gente encontra na praia. Aquela dali é a menos perigosa de todas. Se tiver alguma pessoa com a pele muito sensível, pode dar uma certa queimada, mas nada comparado a outras”, apontou.
Já espécies com tentáculos, como algumas medusas, podem causar queimaduras mais intensas. A mais perigosa, segundo o especialista, é a caravela-portuguesa, que apesar de ser popularmente chamada de água-viva, pertence a outro grupo de animais marinhos.
“A caravela portuguesa, que é uma Hydrozoa (do filo Cnidaria). Ela é muito mais urticante, tem tentáculos chamados de dactilozoides, que podem ultrapassar 50 metros. Então, quando tem um acidente com uma caravela grande, o acidente é muito amplo porque o tentáculo adere à pele e é muito urticante. Existem relatos de acidentes até fatais com caravelas”, alertou.

O que fazer em caso de contato

A dermatologista Lívia Grassini orienta que, em caso de contato com águas-vivas, a primeira medida é sair imediatamente do mar para evitar novo contato.
“A orientação é lavar o local apenas com água do mar. Se possível, usar vinagre, que ajuda a inativar as toxinas dos tentáculos”, explicou.
Segundo a médica, não se deve esfregar o local e não é recomendado tentar retirar tentáculos com as mãos. O ideal é usar um objeto rígido, como um cartão ou um palito.
Também não é recomendado o uso de água doce, urina, álcool ou limão, pois essas substâncias podem piorar a liberação de toxinas e agravar a queimadura.
Na maioria dos casos, os sintomas são locais, como ardência, dor, vermelhidão e inchaço. No entanto, se houver dor intensa, inchaço acentuado ou sintomas como náuseas, vômitos, tontura ou mal-estar, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Com informações do g1 ES.

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