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Publicado em 3 de fevereiro de 2021 às 02:00
- Atualizado há 5 anos
Era uma noite de sexta-feira, outubro do ano passado, quando o pedreiro Josias dos Passos Lírio, 53 anos, foi alvo de um tiro durante um assalto a uma distribuidora de bebidas, na Serra. Ele não resistiu ao ferimento e morreu. >
"Ele era um grande homem, muito amado, uma pessoa maravilhosa que infelizmente que teve a vida tirada de forma tão trágica. A esposa se mudou do Espírito Santo, já não suportava mais viver aqui", conta uma amiga da família que não quis se identificar. >
A morte de Josias durante um assalto foi um dos 39 registros de latrocínios - roubo seguido de morte - que ocorreram no Espírito Santo em 2020. Esse número é 56% maior que o ano anterior, quando ocorreram 25 casos. >
O professor de Direito Penal da Faculdade Multivix, Raphael Pereira, acredita há uma juventude mais propensa à violência do que há 10 anos, pois vivem em meios familiares e sociais violentos. >
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"Não se consegue delimitar um ponto apenas como causa do aumento do número de latrocínios, mas é possível observarmos alguns fatores que orbitam neste crime. Há o uso mais intensificado de drogas, o que colabora mais com esse comportamento. São indivíduos cada vez mais jovens, até menores de idades, propensos a não terem limites comportamentais, pois não possuem formação mental completa e acabam não tendo a real noção de suas atitudes", destacou. >
O professor destaca também que a pandemia de 2020 - e que continua em 2021 - deve ser analisada como um dos fatores que podem ter contribuído para esse aumento. >
"Quando há uma alteração social e econômica tão drástica e uma queda da renda, elevação do desemprego, falta de opções e perspectiva de grande parte da população, tem-se um reflexo direto na segurança pública e crimes contra o patrimônio, pois há um agravamento da desigualdade social que existe no país", completou Raphael Pereira. >
O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho, aponta a reação da vítima durante um assalto como um fator para que o roubo termine com morte.>
"Muitas vezes é uma reação natural de cada pessoa, de nervosismo, que pode ensejar na reação do infrator. O intuito é o roubo, mas lamentavelmente, com a arma de fogo, aquele roubo se transforma em um latrocínio", descreve o secretário. >
Ramalho pontua que é um desafio para as polícias evitar esse tipo de crime, já que se trata de uma decisão da circunstância. >
"O latrocínio é um crime difícil de ser evitado devido à imprevisibilidade presente no momento da ação, pois é um roubo ou tentativa de roubo que acaba se consumando em morte. Isso pode ser tanto da inexperiência dos criminosos, que são cada vez mais jovens, irresponsáveis, inconsequentes e sem o domínio da arma de fogo", observou o secretário.>
O especialista em Segurança Pública e agente da Polícia Federal, Fabrício Sabaini, alerta para o aliciamento, cada vez mais cedo, dos adolescentes na criminalidade. >
"Os criminosos estão entrando cada vez mais novos na vida do crime, geralmente são soldados iniciantes no tráfico e que já carregavam uma arma nas mãos. Além disso, muitos roubos são para pagar dívidas de drogas, substâncias que geram uma percepção alterada da realidade nesses indivíduos", destacou Sabaini. >
Algo que chama atenção tanto do secretário quanto dos especialistas é o aumento do número de armas legais circulando na sociedade, o que gera um risco maior de um assalto terminar em morte. >
"Na hipótese do criminoso considerar que há mais pessoas - possíveis vítimas - armadas, ele pode estar mais preparado para atirar, uma vez que o assalto conta com o elemento surpresa que teria sido perdido neste caso. Assim, há um aumento de letalidade", exemplifica Sabaini. >
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