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Em tempo de pandemia

Benzedeira da Serra faz 100 anos: sem festa, mas com muita oração

A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina de Dona Maria, que não pode mais receber fiéis nem celebrar o centenário de casa cheia. Das rezas, porém, ela não abre mão

Publicado em 17 de Maio de 2020 às 07:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 mai 2020 às 07:00
Maria de Lurdes, benzedeira de Jacaraípe, Serra
A benzedeira Maria de Lourdes Pereira completa 100 anos neste domingo Crédito: Ricardo Medeiros
Acostumada a sempre receber pessoas em sua residência na Serra, a benzedeira Maria de Lourdes Pereira completa 100 anos neste domingo (17), mas sem festa. A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina da Dona Maria, e a fila de fiéis no endereço do Bairro das Laranjeiras, em Jacaraípe, já não existe, tampouco poderá celebrar o centenário com a casa cheia. Mas, se tem algo do qual ela não abre mão, é a fé. Por isso, as orações continuam dando sentido à vida simples que leva.  
Quando abriu as portas de sua casa para a reportagem de A Gazeta no final de 2019, Dona Maria esperava na varanda onde tem montado um pequeno altar com imagens de santos e de Maria, velas e folhagens para benzer quem procura auxílio.
Com um terço pendurado ao pescoço, fazia a reza ali mesmo para alguns de seus fiéis. Invocando os protetores divinos, a benzedeira misturava as próprias palavras às orações mais conhecidas do catolicismo.
Desta vez não houve encontro, para manter o distanciamento necessário nesses tempos de pandemia, e a conversa foi por telefone. E é assim que também faz com quem necessita da sua bênção. Os fiéis ligam para receber as orações e orientações espirituais de que precisam.
Dona Maria, com sua voz firme, procura dar ânimo aos outros, ainda que ela mesma não esteja nos melhores dias. No contato mais recente com a reportagem, disse que estava "aperreada" (chateada) com o momento atual, mas de saúde está bem para celebrar o centenário.
Dona Maria fica aborrecida por não mais receber os fiéis em casa, porém reza da hora em que acorda até a noite. "As pessoas pedem muito pela saúde, é o que mais querem", ressalta a benzedeira. Quanto ao fato de chegar aos 100 anos, ela diz que  só tem que dar graças a Deus por viver tanto. 
A comemoração, segundo o filho Carlos Rodrigues Pereira, não poderá ser como a família havia imaginado. "Não podemos abrir a casa para não tumultuar, ficar um monte de gente aqui. Temos que cuidar dela", frisa.
Para não perder o costume, a benzedeira encerra a rápida conversa desejando o bem. "Muita saúde e que Deus abençoe todos vocês!".  Aos que são alcançados pelas bênçãos da Dona Maria, o sentimento é um só: gratidão.

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