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Publicado em 18 de outubro de 2023 às 08:07
Nativa digital, a atual geração de crianças e adolescentes nasceu imersa na internet e muitos fazem da rede uma extensão de sua vida cotidiana. Para o bem e para o mal. Um garoto de 17 anos do Espírito Santo vai ser julgado sob a acusação de praticar estupro virtual contra uma menina de 14 anos. Morador de Vila Velha, o adolescente é acusado de atrair vítimas utilizando-se de um jogo com personagens lúdicos e coloridos — o Roblox. >
O caso corre em segredo de justiça já que vítima e agressor são menores de idade. O adolescente encontrou a menina, moradora de São Paulo, capital paulista, no jogo infantil. Segundo o coordenador do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), Tiago Pinhal, o capixaba se aproveitou do recurso de chat oferecido pelo game.>
Na ferramenta de troca de mensagens, o adolescente entrava em contato com potenciais vítimas. As investigações apontam que o jogo, voltado para o público infantil, não era escolhido à toa. Na internet, o adolescente se dizia um “Lolicon”, termo que pode estar associado à pedofilia. Do jogo, o capixaba convencia suas vítimas a migrar a conversa para outra plataforma, o Discord. >
Uma vez no outro aplicativo, ele a convencia a enviar fotos íntimas e cumprir "desafios" que, na verdade, se tratavam de situações em que a vítima agredia a si mesma. Em uma das situações que consta na investigação do MPES, a vítima foi convencida e introduzir um objeto no órgão sexual. Segundo o promotor Tiago Pinhal, essa violência é tratada como estupro. A apuração do caso contou com a colaboração do Ministério Público também de outros Estados, mas ainda não foi julgado. >
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Tiago Pinhal afirmou que a plataforma Discord vem colaborando com a investigação e, atualmente, dispõe de equipes para atendimento específico de autoridades de segurança. >
Uma das características mais marcantes desse caso, conforme descreveu o promotor, é o alto grau de manipulação da vítima por parte de seu agressor. Tiago Pinhal contou que, para obter fotos íntimas e até fazer com que a vítima se machucasse, o agressor não precisou fazer chantagens ou ameaças, ele apenas a convencia com muita conversa. Com a estratégia do convencimento, a vítima nem mesmo se enxerga nessa condição de vulnerabilidade. >
Nas conversas encontradas no celular apreendido do adolescente, ele admite o interesse sexual por crianças do sexo feminino. Nesse contexto, ele se autointitula um "Lolicon". A origem do termo é atribuída aos japoneses, mas com referência no livro russo Lollita, de 1955, do escritor Vladimir Nabokov. >
Na história, um professor universitário, com mais de 40 anos, narra uma obsessão por uma menina de apenas 12 anos. Após se tornar padrasto da criança, o personagem passa a manter relações com ela. Apesar de ter muitos admiradores e até premiações, o livro é considerado controverso por ter um protagonista que admite abertamente ter interesse sexual em meninas entre 11 e 14 anos. >
Chegando à cultura japonesa, a palavra “Loli” — que faz referência ao título de Nabokov — é usada como um termo genérico para um certo tipo de personagens de mangás e animes com características que lembram meninas muito jovens, como altura baixa, olhos grandes, jeito de falar infantilizado e timbre de voz agudos. É comum que a personalidade desses personagens seja carregada de ingenuidade e inocência.>
Enquanto Loli é usado para falar das características, Lolicon se refere a indivíduos que têm atração por crianças e adolescentes que lembram esse tipo de personagem da cultura japonesa. >
O caso do adolescente de Vila Velha não é o único envolvendo capixabas em estupro virtual. Em julho, A Gazeta publicou uma reportagem em que a Polícia Federal havia identificado uma menina de 16 anos, do interior do Espírito Santo, vítima do abuso pela internet, e outros dois jovens — de Pinheiros e Afonso Cláudio — acusados de praticar a violência pela plataforma Discord. Um deles, de 17 anos, foi detido por reincidência nos atos, mesmo após cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. >
Além do estupro virtual, neste caso relatado pela polícia, havia incentivo à automutilação. Nos registros da Federal, imagens de seios mutilados, uso de faca para penetração, atos de dominação e humilhação compunham a farta documentação contra os investigados. >
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