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Produção de embutidos, como o socol, é destaque na Região Serrana
Produção de embutidos, como o socol, é destaque na Região Serrana. Crédito: Leandro Fidelis/Ifes/Divulgação

Delícias que vão do queijo ao saboroso socol enriquecem o campo capixaba

Transformação industrial agrega valor à matéria-prima e garante mais diversidade aos produtos agrícolas. Queijos, linguiças e doces, além do tradicional socol, produzidos pelas agroindústrias do ES caíram no gosto dos turistas

Tempo de leitura: 5min
Publicado em 01/07/2022 às 08h10

Samantha Dias e Siumara Gonçalves

Queijos, doces, linguiças, iogurte, carne de sol, socol... Não dá para negar que a agroindústria capixaba capricha na hora de preparar essas e outras delícias. Petiscos, aliás, que atraem para as propriedades rurais oportunidades também no agroturismo.

Um diagnóstico feito pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apontou que o Espírito Santo tem pelo menos 1.600 agroindústrias. Essas produções contam um pouco da cultura de comunidades, encantando visitantes com o sabor e também com a história.

O coordenador de Agroindústria e Empreendedorismo Rural da Secretaria de Estado de Agricultura (Seag), Jackson Fernandes de Freitas, explica que a agropecuária capixaba é bem diversificada. “É possível perceber as variações das potencialidades de cada localidade. Esses produtos se relacionam muito com a cultura e história desses municípios.”

Ele conta que, ao Norte do Estado, podemos encontrar a carne de sol (em Montanha, Ponto Belo, Pinheiros e Pedro Canário). Já descendo um pouco, em Linhares e Colatina, temos a bacia leiteira, com a produção de queijo. Seguindo, ainda ao norte do mapa, percebemos uma produção mais expressiva de queijo em João Neiva, Aracruz e Fundão.

“Na Região Serrana, temos Santa Teresa, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Santa Maria do Jetibá com a produção de queijos e embutidos (linguiças, salame e socol). Muitos desses produtos têm como referência os imigrantes pomeranos, alemães e italianos. No Sul, temos o Caparaó, também com seus queijos. Já a produção do mel se espalha pelo Estado, mas com boa concentração na Região Norte”, observa.

O agronegócio absorve 33% da mão de obra no Espírito Santo e é responsável por 30% do PIB Estadual. É a atividade econômica mais importante em 80% dos 78 municípios capixabas. O setor engloba desde a produção agropecuária e extrativa não-mineral até as atividades de transporte, comércio e serviços ligados à distribuição.z

TRANSFORMAÇÃO DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS AGREGA VALOR AO AGRO

Parte da produção leiteira no ES é voltada para agroindústria
Parte da produção leiteira no ES é voltada para agroindústria. Crédito: Caroline Freitas/Coopeavi/Divulgação

A família de Vanildo Pagio é mais uma das milhares que trabalham com produção cafeeira no Espírito Santo. Desde pequeno, com o pai, ele aprendeu o manejo da cultura. Hoje, o capixaba de 50 anos possui duas propriedades - uma em Brejetuba e outra em Conceição do Castelo - que, juntas, têm aproximadamente 80 mil plantas de café. De lá, saem, por ano, cerca de 250 sacas de grãos de cereja descascados com nota superior a 80 pontos para a linha de café especial, que é comercializada pela Buaiz Alimentos.

Vanildo conta que, apesar da trajetória familiar de décadas de comercialização de café, foi somente a partir de 2015 que ele estabeleceu parceria com uma das indústrias de alimentos e bebidas do Estado. Satisfeito, ele vê vantagens para ambos os lados nessa integração.

“Tenho garantia de compra. Sei que a indústria vai ficar com parte da minha produção, então é uma segurança. E o preço não é engessado, conseguimos negociar de acordo com o valor de mercado. Por outro lado, para a indústria, é uma garantia do padrão de qualidade do produto”, comentou Vanildo.

O café especial - cereja descascado com nota superior a 80 pontos - cultivado por Vanildo é utilizado para a produção do Café Numero Um Expresso Gourmet. Segundo a diretora-geral e vice-presidente da empresa, Eduarda Buaiz, o produto é produzido a partir de grãos selecionados exclusivamente no Espírito Santo. “Faz parte da cultura da Buaiz Alimentos acreditar, apostar e investir nos produtores locais”, disse.

As atividades das indústrias de alimentos e bebidas têm sido importantes para fortalecer a agropecuária, gerar produtos com valor agregado e movimentar a economia capixaba.

O setor agroalimentar - que inclui produção, transformação e distribuição dos produtos de alimentos e bebidas - está presente nos 78 municípios capixabas. São mais de 1.200 empresas, que empregam mais de 24 mil pessoas, segundo informações do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies).

O produtor de leite Fioravante Cypriano, de 36 anos, concorda com Vanildo Pagio sobre a garantia do padrão de qualidade ser uma das principais vantagens da industrialização. Desde 2010, Fioravante é cooperado da Selita, em Cachoeiro de Itapemirim.

“A indústria agrega valor e beneficia o produto cru, no meu caso o leite, proporcionando garantia do padrão de qualidade ao consumidor”, opina.

A Selita é uma cooperativa que tem cerca de 1.700 associados, sendo que 70% são pequenos produtores.

Na avaliação do presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), Leonardo Monteiro, as indústrias de alimentos do Estado têm como vantagens disponibilidade de matéria-prima de qualidade e mercado ativo. Já os produtores locais, ainda na opinião de Monteiro, se beneficiam da proximidade geográfica das empresas.

Leonardo Monteiro, presidente do Idaf. Crédito: Wallace Hull/Selita/Divulgação
Leonardo Monteiro, presidente do Idaf. Crédito: Wallace Hull/Selita/Divulgação

No caso da Selita, por se tratar de uma cooperativa, Fioravante aponta outras vantagens: “Quando o produtor escolhe vender sua produção através de uma indústria cooperativista, além de ganhar na venda da matéria-prima, também recebe lucros sobre a industrialização e comercialização. Com a cooperativa, o produtor ganha do campo até a prateleira do supermercado”.

O presidente da Câmara Setorial das Indústrias de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Vladimir Rossi, explica o significado de Valor da Transformação Industrial (VTI), que calcula em valores monetários o beneficiamento da produção de alimentos e bebidas pela indústria.

O VTI da indústria de fabricação de produtos alimentícios no Espírito Santo, em 2019 (informação mais recente disponível), foi de R$ 2,03 bilhões, e o da fabricação de bebidas, de R$ 44 milhões, segundo informações da Pesquisa Industrial Anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2007, esse VTI representava 5,9% da participação na indústria total do Espírito Santo. Em 2017, essa participação subiu para 9,6%.

Vladimir Rossi acredita que o Espírito Santo, apesar de territorialmente pequeno, tem conseguido se destacar com produtos diferenciados a partir do beneficiamento e da diversificação de produtos, juntamente com o fortalecimento das indústrias do setor agroalimentar.

“Por aqui, temos produções de excelência. Um dos exemplos é o Café do Jacu, que é diferenciado. O Espírito Santo precisa, ainda mais, agregar valor ao produto, fazer um produto de excelência e ser referência, já que sua extensão territorial não é grande como outros Estados que cultivam muitas variedades”, aponta.

O valor do quilo do Café do Jacu, citado por ele, cultivado em Domingos Martins, na Fazenda Camocim, chega a quase R$ 1 mil. Exótica, a bebida é feita a partir das fezes de uma ave típica da Mata Atlântica, a Penelope obscura, popularmente conhecida como Jacuaçu.

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