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Tatuador há 34 anos: Conheça o artista de Vila Velha que pintou faixa 3D em protesto

O tatuador Edson Santana protestou com uma pintura de uma faixa de pedestre 3D, em Vila Velha, no fim de maio, pedindo segurança no trânsito. Antes disso, o capixaba chegou a trabalhar até em Hollywood, nos Estados Unidos, levando sua arte para o mundo

Vitória
Publicado em 21/06/2021 às 09h00
O tatuador Edson Santana
O tatuador Edson Santana. Crédito: Arquivo pessoal

No fim do mês passado um artista chamou atenção nas redes sociais ao realizar um protesto inusitado. Cansado de pedir ao poder público por sinalização na rua onde mora, ele mesmo desenhou uma faixa de pedestres em 3D. A faixa foi removida pelo poder público, mas o trabalho de Edson Santana chamou atenção de muita gente.

Vila Velha
O tatuador Edinho Santana pintou uma faixa de trânsito ultrarrealista na rua onde mora, em Vila Velha. Crédito: Edinho Santana/Arquivo pessoal

Respeitado no meio, o capixaba possui um estúdio de tatuagem num shopping da cidade e chegou a trabalhar até em Hollywood, nos Estados Unidos, levando sua arte para o mundo. Conheça um pouco desta história iniciada ainda nos anos 1980.

Aos 15 anos de idade, o artista Edson Santana, hoje com 49, começou a se interessar pelo universo das tatuagens. Naquela época, bem diferente à realidade de hoje, não tinha acesso fácil ao trabalho de desenhar em peles e nem aos materiais que englobavam o procedimento de modificação corporal. Ele acabou tendo a oportunidade de ver, literalmente na pele, como tudo funcionava para começar a replicar o serviço.

"Na época, o Espírito Santo todo devia ter uns dois tatuadores, que já eram antigos. E ninguém tinha acesso ao material fácil. Um dia, andando pela Praia da Costa, tinha um tatuador trabalhando na praia mesmo e fui falar com ele. Decidi fazer uma tatuagem no peito, justamente para ver como ele fazia e aprender", relata.

E continua: "Depois daquilo, corri atrás e comecei a tatuar. Comecei com amigos, conhecidos... Nem ganhava dinheiro. Era mais para tatuar e ver como eu ia me saindo mesmo. Eu gostava de tatuar. Mas continuava sem ser profissional, porque o acesso ao material seguia muito restrito".

Foi alguns anos depois, por volta dos anos 2000, que ele conseguiu investir na carreira até chegar onde está hoje. "Foi quando eu conheci, de verdade, o universo da tatuagem. Comecei a ir aos primeiros eventos do ramo, em São Paulo, e fui ver e aprender a como era a realidade, de fato. E aí pude investir em bons materiais: tintas boas, agulhas. Foi, mais ou menos, quando abri o meu estúdio", conta ele, que hoje conta com outros quatro profissionais em sua equipe, em shopping da cidade.

Recentemente, a polêmica da faixa o levou novamente aos holofotes. Sobre trabalhos de intervenção urbana, ele comenta este foi o primeiro. "Nunca havia feito outras intervenções na cidade. Já pintei alguns murais em época de campanha política e no passado já fiz placas e faixas. Mas essa questão da faixa de pedestre 3D foi um protesto, pedindo um quebra-molas à prefeitura, por conta do perigo ao que as crianças ficam expostas”, lembra.

E se por um lado os dotes como pintor não são muito explorados, os de tatuador são tão famosos que já o levaram a realizar participações em eventos internacionais do segmento. “Já trabalhei e participei de feiras na Argentina e nos Estados Unidos. Muito da minha influência vem de trabalhos que conheci em Miami, Hollywood... Tudo começou quando fiz uma parceria com uma marca que me levou à Califórnia para inaugurar uma loja e de lá fui fazendo os contatos”, entrega.

Para o tatuador, sempre foi inimaginável que a sua profissão o proporcionasse experiências como essas. “Foi crescendo aos poucos. Hoje tenho três tatuadores e um body piercing trabalhando comigo, no shopping, e um dos meus dois filhos está tatuando também, o mais velho. Daqui para frente é sempre exercitar essa arte e fazer com que mais pessoas conheçam esse trabalho, que é incrível, e o meu, claro”, finaliza.

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