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Mateus Carrilho prepara disco e lembra amizade com Anitta: “Pulou em mim”

Cantor celebra fase mais madura da carreira e relembra passagem por Vitória, prometendo retorno e comemoração das novas conquistas

Vitória
Publicado em 30/07/2021 às 09h00
O cantor Mateus Carrilho
O cantor Mateus Carrilho. Crédito: Ivan Erick Menezes/Reprodução/Instagram @mateuscarrilho

"Em 2017, fui a um show seu, em Vitória, com uma amiga. Tinha um mar de gente. Cantando as músicas, tirando foto, filmando. E essa minha amiga tanto fez, andando para lá e para cá esbarrando em todo mundo, que conseguiu um jeito de entrar no camarim para tirar uma foto com você. Foi a sensação da noite. Ela não falava em outra coisa”. Quando ouviu essa passagem deste repórter, Mateus Carrilho sorriu. E respondeu: “Manda um beijo para ela e fala que, quando eu voltar, vocês voltam no camarim para a gente conversar rapidinho”.

A sensibilidade do cantor com a história de uma fã espelha bem a fase mais madura da carreira de que ele usufrui hoje. Aos 32 anos de idade, o ex-Banda Uó celebra o projeto de seu primeiro CD solo, que deve sair em 2022, e o sucesso que vem conquistando ao longo dos anos na cena musical.

"No início, nessa época que você lembrou, de 2017, me sentia inseguro. Agora eu me entendo melhor, entendo mais o meu papel”, relata.

Durante bate-papo exclusivo com A Gazeta, o músico também enfatiza: "Acho que a gente erra e acerta, mas tudo é aprendizado. O importante é sempre seguir em frente. Claro que estou longe de onde quero chegar, mas o que eu sinto mesmo, de tudo, é orgulho”.

O cantor Mateus Carrilho
O cantor Mateus Carrilho. Crédito: Reprodução/Instagram @mateuscarrilho

Mas os louros colhidos não são para menos. Pouco a pouco, Carrilho foi conquistando seu espaço e diz não ter deixado perder sua essência.

Muitas vezes símbolo sexual de seus trabalhos, até a sensualidade de que ele mesmo lança mão faz parte de sua personalidade artística. E confirma: ”Minha arte sempre teve isso, do sexo, do envolvente, da pouca roupa. É algo natural meu”.

Comprometido afetivamente falando, nenhum título de “cantor gato”, “gostoso” ou “maravilhoso” o incomoda. “Em alguns shows, as pessoas se sentiam no direito de passar a mão em mim de forma inapropriada. Mas, aos poucos, senti que acabou naturalmente. Todo mundo se conscientizou de que aquilo não era legal”, contrapõe.

Na conversa, o artista detalha parte do processo de produção desse novo disco, que ele pretende lançar no ano que vem. E adianta que o trabalho sintetizará tudo o que ele teve de experiência na arte até hoje. “Sou um homem que canta pop, e canta pop no Brasil. É um exercício plural sempre”, conclui.

Vou só fazer uma ponderação de uma experiência pessoal antes de te fazer a primeira pergunta. Já estive em um show seu, em 2017, em um festival que teve em Vitória. Teve esse episódio com a minha amiga e achei aquela atmosfera toda maravilhosa. Mas, de lá para cá, você só se consolidou ainda mais como artista e fortaleceu muito a carreira. Nesse tempo, o que acha que mudou?

No início, eu acho que eu me sentia muito inseguro nessa segunda fase da minha carreira, de 2017 para 2018. Porque eu estava acostumado ao processo, de como a Banda Uó funcionava, então eu fui meio na cara e na coragem. Faço o que eu amo e acho que eu sei fazer o que eu faço, mas deu um medinho. Hoje eu sinto esse lugar que você falou, como se as pessoas meio que compreendem meu papel. As pessoas entendem que as coisas mudam, as carreiras se transformam e eu sinto que as pessoas enxergam essa minha carreira. Sou muito consciente do lugar que eu estou, me sinto forte para seguir em frente e continuar. O atual momento da carreira é isso.

E você tem consciência de que é uma inspiração para muita gente?

Sim! Isso é uma coisa que a gente nunca para pra pensar muito, mas eu sei que têm pessoas que eu inspiro. Tento responder todas as mensagens nas redes sociais porque sei desse lugar de importância, do quão importante é ser ativo e consciente, de fazer um discurso sincero em relação ao que sinto, ao que sou.

E como você se vê, hoje, na evolução que busca agora?

Estou me preparando para o que está por vir. É um momento mais maduro até artisticamente falando. Eu acho que as coisas novas que vou lançar, as novas músicas, têm muito mais consistência e acho que é o que a Rayssa, do skate, falou. Não existe futuro sem passado. Esse CD do ano que vem é sobre isso. É uma construção do que eu venho aprendendo até aqui. E acho que passo o conceito de ter que fazer o que a gente gosta. E esse trabalho novo é isso, do que me deixa feliz, do que me completa.

Muitos artistas que levantam bandeiras acabam se arrependendo disso. Teria feito algo diferente na sua trajetória se pudesse?

Não, não faria. Acho que na vida a gente acerta, erra e tudo é aprendizado. O importante é seguir em frente. A gente teve muito menos acesso, foram caminhos difíceis, porque a gente não tinha a propagação que tem hoje. Claro que tudo está longe de onde a gente quer chegar, mas é um caminho construído aos poucos. Então, acho que sinto orgulho de tudo que eu já tive com minha carreira, fazendo o que eu amo.

E por que acha que, para você, foi tão bom ter se anunciado um defensor da comunidade LGBQIA+?

Acho que esse público é um público que cresceu comigo. É muito gostoso ver os garotos que passaram por transformações protagonizarem hoje. Eu olho para o meu público, que há sete anos era de um jeito, e que hoje está muito mais consciente, muito mais seguro. É um trabalho que a gente constrói desde Banda Uó. É finalmente estar aqui, ser incluído. Depois de tanta batalha, conseguir ter uma música que está em boas playlists, em lugares grandes, é fruto de um trabalho forte. Algo que, no passado, foi tão difícil e tão negado.

Atualmente você acha que é a essa comunidade que você deve o seu sucesso? Ou a que o atribui?

Eu acho que meu público maior é esse, mesmo, porque é o público que se identifica comigo. Então, automaticamente, é quem está comigo em primeiro lugar. Mas não é todo mundo, não é uma parada que só porque é LGBT+ gosta de mim, muito pelo contrário. Acho que tem esse lance de identificação, mas eu faço música para todo mundo. Antes de ser LGBTQ, sou um artista. Faço música para todos que a quiserem ouvir.

Seus atributos físicos, beleza também são atrativos para muita gente... E você provoca isso nos trabalhos de alguma forma...

Minha arte sempre traz isso, do sexo, do envolvente, da pouca roupa. Acho que é algo natural meu, não é provocado. É algo meu e que eu gosto de fazer. Então, acho que acabo mexendo com o imaginário das pessoas.

Mas o assédio e títulos o incomodam?

Nem um pouco. Tem algo que eu não gosto, mas que eu vejo que as pessoas aprenderam a respeitar. Antigamente, as pessoas tocavam em mim de maneira inapropriada. Não era legal, mas acredito que as pessoas não tinham consciência. Só que meu público me respeita muito. Hoje as pessoas têm consciência de que é um trabalho.

E está solteiro?

Não, estou não (risos). Tem um tempinho já. Alguns anos. Está vendo? As pessoas criam imaginações na cabeça, mas sou um homem casado.

Você já fez trabalhos com outros grandes nomes da cena, como Pabllo Vittar. Mas recentemente li que você tem o sonho de trabalhar com Anitta. Por que ainda não aconteceu?

Olha, eu e Anitta somos da mesma geração. Tinha Banda Uó, Anitta e Lud se lançando ao mesmo tempo. Então, conheço Anitta desde aquela época. Quando conheci Anitta, ela deu um pulo no meu colo e cantou uma música da Banda Uó. Antes de eu ser fã, ela também era fã. Tenho vontade de trabalhar com ela porque sou um homem fazendo pop, então quero contribuir também com as pessoas do meu País e acho Anitta sensacional. Todo o trabalho que ela faz, como ela é acessível. E sei que o trabalho dela é muito reconhecido. E acho que ia ser legal (risos).

Além disso, tem algum outro grande sonho?

Olha, acho que meu sonho nesse momento é muito mais sobre me estabelecer mais ainda, que acho que isso precisa acontecer com meu disco. Hoje em dia sinto muita necessidade disso. Esse sonho vai se concretizar. Essa, hoje, é minha maior ambição musical. Um disco que traduz toda a experiência que eu já tenho para me posicionar cada vez mais no mercado.

Muitos artistas se esquivam do posicionamento, sobretudo político. E falando em Anitta, que recentemente começou a se posicionar nas redes, você também sempre teve essa atitude. Acha que isso é um diferencial para a classe, hoje, no cenário real do Brasil?

Com toda a certeza que sim. A gente não vive mais naquele tempo de que, quem se mantinha calado, passava invisível. Hoje, se você não se posiciona, você já está se posicionando. E o público cobra, quer isso. Em um País que um presidente vive completamente alheio a várias situações que ele deveria ser sensível, não dá para não se posicionar. Nós, como influenciadores, precisamos usar o que temos para conscientizar quem nos acompanha sobre tudo.

Qual você diria que é o seu diferencial?

Acho complicado, porque parece que a gente está se gabando de algo. Mas hoje, no Brasil, não tem outra pessoa que faça o pop que eu faço. O pop que eu faço é um pop diferente do que outras pessoas fazem, porque o pop do Brasil é muito plural. E é algo que eu venho construindo desde os tempos de Banda Uó, mas acho que tenho o meu lugar nesse sentido. Por ser um homem fazendo pop, um homem fazendo uma música que tem sua popularidade, mas tem sua especificidade. E uma coisa que tenho trazido para o meu trabalho, é sempre abordar algo novo, que represente a novidade. Acho que esse é o diferencial maior, de sempre procurar trazer algo inédito.

Qual é sua relação com o Espírito Santo?

Já fui solo, com banda e sempre fui super bem recebido. Preciso voltar com meu show novo. Estou devendo isso. E, nossa, os fãs capixabas sempre foram demais. O que eu mais quero é estar de volta com meus fãs. Imagina a saudade que não estou? Então, vou voltar aí em 2022 com certeza.

E o que pode adiantar de novos trabalhos?

Vai ter música nova muito em breve, com participação especial, só não posso adiantar quem é (risos). Na sequência, terei o disco com muita música nova. Quero trazer bastante coisa, trabalhando com produtores excelentes. Acho que o disco é que é o momento alto, o momento legal que estou esperando.

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