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Nova trama das seis, 'Órfãos da Terra' mostra cultura árabe

Novela estreia nesta terça-feira (2), na tela da TV Gazeta

Publicado em 02/04/2019 às 11h11
Órfãos da Terra: Jamil (Renato Góes), Laila (Julia Dalavia) e Dalila (Alice Wegmann). Crédito: Globo/Paulo Belote
Órfãos da Terra: Jamil (Renato Góes), Laila (Julia Dalavia) e Dalila (Alice Wegmann). Crédito: Globo/Paulo Belote

Estreia nesta terça, 2, Órfãos da Terra, novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, que tem direção artística de Gustavo Fernández. Com temática atual, colocando em foco o mundo dos imigrantes e refugiados, obra contará um pouco sobre a cultura árabe. Um romance proibido entre uma jovem síria e um libanês, vivido por Julia Dalavia (Laila) e Renato Góes (Jamil) será o ponto de partida da obra, que terá a sua ligação com o Brasil feita por Rania, personagem de Eliane Giardini, que é casada com Miguel Nasser (Paulo Betti). E será a família de Rania que acolherá a jovem Laila.

"Rania tem uma função bem interessante, pois, apesar de ser síria, ela mora no Brasil há muitos anos, e vai meio que traduzindo e trazendo as informações para o público, à medida que ela vai tendo também", conta Eliane, explicando que ela será essa ponte entre sua cultura original, a síria, com a que escolheu para viver.

Como de costume, para a alegria do público, a atriz fará um papel que possibilita transitar pelo drama e pelo humor também. "A personagem tem um arco grande, vai do drama para a comédia, isso porque ela é muito dramática e isso fica engraçado, às vezes", avisa Eliane. Toda essa carga de emoções em uma personagem ficará ainda mais intensa quando se sabe que ela tem uma família grande. "É bem diversificada, são três filhas, dois netos, e ainda chega mais essa família da Síria, mas será uma parte que possibilitará quase um respiro das tragédias que ocorrem nos primeiros capítulos", conta.

Essa possibilidade de transitar por diversas emoções com a personagem agradam à atriz, que diz ser interessante, porque dá a chance de poder expandir cada vez mais o espectro dos seus papéis. "Isso faz com que não me prenda a ser atriz de comédia ou de drama, e eu vou mais por essa linha latina, meio Almodóvar, é um bom exercício, muito interessante pela agilidade." Ela diz que ao fazer o papel com verdade, "indo pro exagero, que provoca o riso e fica engraçado, eu procuro fazer isso como exercício".

02/04/2019 - Órfãos da Terra: Parceria. Eliane vai dividir cena com Paulo Betti, com quem foi casada. Crédito: VICTOR POLLAK/GLOBO
02/04/2019 - Órfãos da Terra: Parceria. Eliane vai dividir cena com Paulo Betti, com quem foi casada. Crédito: VICTOR POLLAK/GLOBO

Uma das características de Rania, e que bem provavelmente será marcante, é o fato de saber ler a borra do café. "Eu achei uma delícia fazer a leitura da borra do café, é muito simples, muito lúdico, lembra as brincadeira de olhar para o céu e ver os formatos das nuvens", conta a atriz, que disse que, nesse caso, o importante é você treinar essa liberdade de visão, daí não ver apenas o pó de café acumulado, mas enxergar formas, em um verdadeiro exercício de imaginação", conclui.

Incorporar esses elementos de outra cultura, para Eliane, não foi coisa de outro mundo, pelo contrário. "Eu já tenho uma boa familiaridade com essa cultura oriental, porque eu já fiz vários trabalhos, um deles foi na minissérie Dois Irmãos, em que fazia uma libanesa, então, muitas das coisas dessa preparação eu já conhecia, como a dança, mas dessa vez fizemos aula de culinária, que foi bem interessante", afirma ainda a atriz, que diz que essa parte do trabalho é uma das coisas de que gosta, pois faz o ator se colocar no lugar do outro.

É sempre curioso saber se o personagem tem algo da atriz, ou vice-versa. E Eliane revela que o ponto em comum entre as duas é o valor familiar. "A família, para mim, é minha prioridade absoluta, meu norte. Raina é uma mulher que comanda uma casa grande, marido, filhos, netos, é bastante sensata, contemporiza a situação, somos meio parecidas nesse aspecto." E o fato de a novela abordar um tema tão atual, ela considera ser absolutamente oportuna a discussão. "Nesse momento em que refugiados vivem debaixo de um preconceito horrível, e a maioria das pessoas tem ideias malformadas sobre essa questão", conta Eliane, que avalia que a novela, apesar de ser um entretenimento, consegue colocar assuntos que tragam mais reflexão, mais consciência para as pessoas.

ENTREVISTA COM AS AUTORAS

Como surgiu a inspiração para construir a história de ‘Órfãos da Terra’?

Thelma Guedes – Houve um período em que, a todo momento, chegava uma notícia, uma imagem, uma reportagem nova sobre o conflito no Oriente Médio, e isso nos tocou bastante. Eu sou filha de nordestinos – meus pais vieram para o Sudeste para fugir da seca do Nordeste. Eles também se sentiam como refugiados. Estamos fazendo uma novela amorosa, humana. É um novelão, com vilão, tramas se desenrolando, e, nesse contexto, tem a questão do refúgio.

Duca Rachid –

A gente ficou muito sensibilizada com as histórias que vinham não só da Síria, como da África. Também pelo fato de sermos descendentes de imigrantes. Meu avô era libanês. Minha avó veio de Portugal. Minha família é metade árabe, metade portuguesa.Ao pesquisar sobre esse assunto, tivemos contato com histórias de pessoas de vários lugares, ouvimos relatos impactantes, e isso foi nos comovendo muito.A gente foi pensando em como contar essa história do ponto de vista do folhetim, da influência cultural e da história de superação dessas pessoas, que é muito bonita. ‘Órfãos da Terra’ é uma novela com uma grande trama de amor e que se desenrola nesse contexto, que é bem atual.

A novela fala muito das misturas das culturas e dos povos que formam uma única nação, o Brasil. Teremos personagens de diferentes continentes em ‘Órfãosda Terra’. Podem falar um pouco sobre isso?

Thelma Guedes –

Eu acredito muito no potencial do nosso país, que é uma terra miscigenada e acolhedora. Muitas culturas somadas formam o povo brasileiro. A nossa intenção em retratá-las é valorizar as nossas origens e reforçar o conceito chave da novela, de que todos nós pertencemos a uma só ancestralidade.

Duca Rachid –

A dramaturgia vem para trazer essa mensagem de que não existem fronteiras geográficas que limitem a nossa empatia com o próximo. Além de brasileiros, congoleses, sírios ou libaneses, somos cidadãos desse planeta.Na trama, vamos trazer o que o nosso povo tem de melhor, que é o carinho em acolher, nossa vocação para tirar das adversidades lições de vida e de superação, além, é claro, do nosso reconhecido bom humor.

Thelma Guedes –

Desde a nossa primeira novela, a gente sempre buscou o tema da compaixão, a premissa do caminho do meio. ‘Joia Rara’ tinha isso muito forte, ‘Cama de Gato’ e ‘Cordel Encantado’ também. A mensagem principal dessa vez é a empatia, se colocar no lugar do outro e pensar no Brasil como um país grande, rico, receptivo, como sempre foi. O Cristo Redentor está de braços abertos. Todo mundo que vem aqui gosta, porque é um lugar alegre e acolhedor. E, mesmo passando por problemas, somos esse povo feliz e miscigenado.

Duca Rachid – A novela também mostra que o planeta em que a gente vive é esse, não temos outro. Por enquanto, a gente tem que viver aqui e conviver com as diferenças. A metáfora que a gente pode usar é o abraço: abrace o diferente. Não vamos perder a empatia, os valores humanos e empáticos, como a compaixão.

Como está sendo a parceria com o diretor artístico Gustavo Fernández?

Duca Rachid –

A nossa parceria com o Gustavo é histórica e muito feliz. Teve início em ‘Cama de Gato’ e, mais recentemente, em ‘Cordel Encantado’. Seu trabalho é minucioso e muito competente, o que colabora muito para o resultado final do produto.

Thelma Guedes – Nós escrevemos a obra, mas ficamos sempre atentas às cenas que vão ao ar. Várias vezes, tanto em ‘Cama de Gato’, quanto em ‘Cordel Encantado’, nós nos surpreendíamos positivamente com algumas cenas, que, após finalizadas, descobríamos que haviam sido dirigidas por ele. Ficamos muito seguras e satisfeitas de entregar essa novela aos cuidados do olhar sensível e coerente do Gustavo.

CONHEÇA ALGUNS PERSONAGENS

LailaFaiek (Julia Dalavia)– Decidida e com muita personalidade, a jovem síria vê a vida ruir quando sua casa é destruída em um bombardeio. No campo de refugiados, no Líbano, se apaixona à primeira vista por Jamil (Renato Góes). O sentimento é recíproco, mas eles enfrentam obstáculos para viver esse amor. O maior deles é o sheik Aziz Abdallah (HersonCapri), que nutre por ela uma verdadeira obsessão.

JamilZarif (Renato Góes)– O libanês é leal, determinado e foi adotado na infância, junto com o primo Houssein (BrunoCabrerizo), por Aziz Abdallah (HersonCapri). É o homem de confiança do sheik a ponto de ser prometido em casamento a Dalila (AliceWegmann), filha dele. Quando Laila (JuliaDalavia) foge de Aziz, Jamil recebe do patrão a missão de levá-la de volta, e vai buscá-la sem imaginar que ela é a mulher por quem se apaixonou.

Aziz Abdallah (Herson Capri) – O poderoso sheik não aceita ser contrariado. É casado com três mulheres, mas só tem amor pela filha Dalila (AliceWegmann), do relacionamento com Soraia (Letícia Sabatella). Volta toda sua ira para Laila (Julia Dalavia), após a fuga dela na noite de núpcias, e, em seguida, para Jamil (Renato Góes), por não perdoar a traição do mais leal de seus homens.

Dalila Abdallah (Alice Wegmann)– Arrogante e mimada, a filha de Aziz Abdallah (HersonCapri) e Soraia (Letícia Sabatella) estuda em Londres e, por isso, é uma jovem à frente do seu tempo para os padrões locais, mas conservadora, quando lhe interessa. É apaixonada por JamilZarif(Renato Góes). Ao descobrir o romance entre ele e Laila, fará de tudo para se vingar do casal.

Soraia Abdallah (Letícia Sabatella)– Submissa e conformada, a primeira esposa de Aziz (HersonCapri) e mãe de Dalila (AliceWegmann) nutre uma paixão platônica por Houssein (BrunoCabrerizo). Num lampejo de insubordinação, por sonhar com um destino diferente do seu para Laila (JuliaDalavia), ajuda a jovem a fugir do sheik antes do casamento deles ser consumado.

Fairouz (Yasmin Garcez)– A segunda esposa de Aziz (HersonCapri) mantém uma relação maternal com Soraia (Letícia Sabatella), a quem tenta proteger do sheik.

Áida (Darília Oliveira) – A terceira e mais jovem esposa de Aziz (HersonCapri)é falsa e ambiciosa. Ela não mede esforços para conseguir o posto de primeira esposa do sheik.

Houssein Zarif (Bruno Cabrerizo) – Primo de Jamil (Renato Góes), foi adotado com ele por Aziz (HersonCapri). É um dos capangas do sheik, mas em seu íntimo carrega uma paixão secreta por Soraia (Letícia Sabatella).

Elias Faiek (Marco Ricca)–

Casado comMissade(Ana Cecília Costa), pai de Laila (JuliaDalavia) e deKháled(Rodrigo Vidal), o engenheiro sírio perde a casa num bombardeio. Saído dos escombros com a família e o filho caçula ferido, foge para o Líbano. No campo de refugiados, eles iniciam uma jornada até o Brasil, onde tentam uma nova vida.

Missade Faiek (Ana Cecília Costa)– A mãe de Laila (JuliaDalavia) eKháled (Rodrigo Vidal) é uma mulher devotada à família que formou com Elias (Marco Ricca). Cozinheira de mão cheia, vê seu pequeno restaurante na Síria ser destruído pela guerra. Entre os parentes, é quem mais sofre com saudade da terra natal.

Kháled (Rodrigo Vidal) – Filho de Elias (Marco Ricca) e Missade (Ana Cecília Costa) e irmão mais novo de Laila (Julia Dalavia). Por conta do seu aniversário de cinco anos, toda a família se reúne em uma grande festa no Líbano, que termina tragicamente.

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