Publicado em 26 de abril de 2021 às 12:51
A temporada pandêmica de prêmios hollywoodianos chegou ao fim neste domingo, com a 93ª edição do Oscar, que foi bastante previsível até seus minutos finais. Quebrando a tradição, o prêmio de melhor filme foi anunciado antes dos de ator e atriz, e fez desta a grande noite de "Nomadland", que levou a estatueta máxima e as de direção, para Chloé Zhao, e de atriz, para Frances McDormand.>
Logo após a protagonista do longa receber o prêmio, no entanto, uma grande surpresa. Chadwick Boseman, que parecia destinado a receber um Oscar póstumo por "A Voz Suprema do Blues", perdeu para Anthony Hopkins, de "Meu Pai", que se tornou o ator mais velho a vencer, aos 83 anos.>
A cerimônia e a mudança na ordem de categorias pareciam pensadas para um encerramento catártico, em homenagem ao astro de "Pantera Negra", mas os votantes quiseram um desfecho diferente.>
Também foi um Oscar de marcos históricos. Ao levar a estatueta de direçkão, a chinesa Chloé Zhao se tornou apenas a segunda mulher na história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a sair vitoriosa na categoria, ao lado de Kathryn Bigelow, por "Guerra ao Terror", em 2009.>
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Ela também foi a primeira mulher não branca indicada e, portanto, vencedora. Ao lado do sul-coreano Bong Joon-ho, que ganhou no ano passado por "Parasita", e da leva de cineastas mexicanos vitoriosos nos últimos anos, Zhao mostra que a Academia está, mais do que nunca, de olho nos talentos internacionais.>
Esses fatos, sozinhos, foram responsáveis por fazer desta uma cerimônia histórica, dando força aos ventos de mudança que sopram sobre a organização desde a adoção de políticas pró-diversidade e a eclosão de movimentos como o MeToo e o #OscarsSoWhite.>
Não foi tão histórica, no entanto, a trajetória das plataformas de streaming, neste ano em que a Academia mudou suas regras para tornar longas lançados diretamente no sob demanda elegíveis --uma exceção pandêmica.>
A Netflix tinha duas fortes chances de finalmente faturar o troféu de filme, com "Mank" e "Os 7 de Chicago", mas ambos vinham perdendo força nos últimos meses. O último, aliás, acabou totalmente esquecido, apesar de ser o tipo de história que tradicionalmente agrada à Academia. Com isso, a Netflix triunfou apenas em categorias técnicas. Ainda assim, foi o estúdio mais celebrado da noite.>
A festa de entrega dos homenzinhos dourados começou no tapete vermelho, que ocorreu em paralelo a um pré-show com performances das músicas indicadas a canção original. Regina King, então, entrou na Union Station para começar os anúncios.>
Ela fez questão de deixar claro que a noite de gala, cheia de exceções por causa da pandemia, era à prova de Covid --os que estavam presentes no amplo saguão da estação de trem, sem máscara, foram vacinados, testados, testados novamente e orientados a manter distância dos colegas.>
Foi uma cerimônia com pouco glamour e espetáculo, mas muito mais intimista e calorosa do que poderíamos ter imaginado em meio a uma pandemia. Também foi um evento de celebração da diversidade, que deixou claro que Hollywood quer mudanças. Várias menções foram feitas ao assassinato de George Floyd, vale ressaltar.>
Quando McDormand e Hopkins receberam os prêmios de atriz e ator, no entanto, uma marca histórica importantíssima deixou de ser alcançada. Este poderia ter sido o primeiro Oscar com apenas atores não brancos triunfando nas quatro categorias de atuação.>
McDormand recebeu seu terceiro Oscar e ficou à frente de Carey Mulligan, de "Bela Vingança", que ganhou o Spirit, de Viola Davis, de "A Voz Suprema do Blues", que conquistou o SAG, de Andra Day, de "The United States vs. Billie Holiday", que levou o Globo de Ouro, e de Vanessa Kirby, de "Pieces of a Woman", que embolsou a Coppa Volpi no Festival de Veneza. Era uma corrida dificílima.>
Entre os coadjuvantes, no entanto, a diversidade falou alto. Youn Yuh-jung, de "Minari", dominou a temporada e a encerrou com o Oscar de atriz coadjuvante. A escolha fez dela a segunda atriz de>
ascendência asiática e a primeira sul-coreana a levar a estatueta --antes, apenas a nipo-americana Miyoshi Umeki, em 1958, havia conseguido.>
Glenn Close, enquanto isso, bateu um recorde ruim. Indicada pela oitava vez por "Era uma Vez um Sonho", ela empatou com Peter O'Toole como o ator ou atriz com mais nomeações frustradas na história.>
Na categoria de ator coadjuvante, Daniel Kaluuya também confirmou o favoritismo, levando o prêmio pelo trabalho em "Judas e o Messias Negro". Mesmo que o quarteto fantástico da diversidade não tenha se formado, as duas vitórias já sugerem mudanças na Academia e na indústria.>
Entre os roteiros premiados, "Bela Vingança", escrito e também dirigido por Emerald Fennell, ficou com a estatueta entre os originais. A vitória foi a primeira para uma mulher na categoria em 13 anos. O roteiro adaptado vencedor foi o de "Meu Pai", numa disputa na qual "Nomadland" vinha forte. A produção é uma releitura da peça escrita e agora adaptada pelo dramaturgo francês Florian Zeller.>
Categoria na qual o Brasil mais uma vez ficou de fora, a de melhor filme internacional premiou o dinamarquês "Druk - Mais uma Rodada". Thomas Vinterberg, também indicado em direção, recebeu o troféu e o dedicou à filha, morta num acidente. Foi a quarta vitória da Dinamarca.>
Provavelmente a mais previsível das categorias deste ano, a de melhor animação laureou "Soul", primeiro>
filme da Pixar com um protagonista negro. Um esforço em prol da diversidade que foi bem recompensado --mas, no palco, foram produtores brancos que aceitaram o tão cobiçado troféu.>
A animação também ficou com o troféu de trilha sonora, enquanto o de canção original foi para a nova estrela do R&B H.E.R., que compôs e cantou "Fight for You", de "Judas e o Messias Negro". A decisão da Academia foi um choque para Diane Warren --que não disfarçou o incômodo--, que estava em sua 12ª indicação ao Oscar, mas nunca encostou num dos homenzinhos dourados.>
Na seção técnica da premiação, a equipe de "A Voz Suprema do Blues" foi a primeira composta por artistas negros indicada e, agora, vencedora do Oscar de cabelo e maquiagem, fato destacado e aplaudido no discurso de agradecimento. O longa também levou o Oscar de figurino.>
"Tenet" saiu vitorioso em melhores efeitos especiais. "Mank", em direção de arte e fotografia, desapontando a equipe de "Nomadland", filme que com suas belas paisagens era o grande favorito. "O Som do Silêncio" ficou com melhor montagem e som.>
Houve poucas surpresas na seção de curtas-metragens, muito politizada. "Dois Estranhos", sobre violência policial, foi escolhido em melhor curta, enquanto "Se Algo Acontecer... Te Amo", que fala sobre tiroteios em escolas, e "Colette" ganharam nas categorias equivalentes de animação e documentário, nesta ordem. O documentário em longa-metragem premiado foi "Professor Polvo".>
Melhor filme>
"Nomadland"*>
"Os 7 de Chicago">
"Minari">
"Bela Vingança">
"O Som do Silêncio">
"Meu Pai">
"Judas e o Messias Negro">
"Mank">
Melhor direção>
Chloé Zhao, "Nomadland"*>
Lee Isaac Chung, "Minari">
Emerald Fennell, "Bela Vingança">
David Fincher, "Mank">
Thomas Vinterberg, "Druk - Mais uma Rodada">
Melhor ator>
Chadwick Boseman, "A Voz Suprema do Blues">
Anthony Hopkins, "Meu Pai"*>
Riz Ahmed, "O Som do Silêncio">
Steven Yeun, "Minari">
Gary Oldman, "Mank">
Melhor atriz>
Carey Mulligan, "Bela Vingança">
Frances McDormand, "Nomadland"*>
Andra Day, "The United States vs. Billie Holiday">
Viola Davis, "A Voz Suprema do Blues">
Vanessa Kirby, "Pieces of a Woman">
Melhor ator coadjuvante>
Daniel Kaluuya, "Judas e o Messias Negro"*>
Leslie Odom Jr., "Uma Noite em Miami">
Sacha Baron Cohen, "Os 7 de Chicago">
Lakeith Stanfield, "Judas e o Messias Negro">
Paul Raci, "O Som do Silêncio">
Melhor atriz coadjuvante>
Youn Yuh-jung, "Minari"*>
Olivia Colman, "Meu Pai">
Glenn Close, "Era uma Vez um Sonho">
Maria Bakalova, "Borat: Fita de Cinema Seguinte">
Amanda Seyfried, "Mank">
Melhor roteiro adaptado>
"Nomadland">
"Uma Noite em Miami">
"Meu Pai"*>
"Borat: Fita de Cinema Seguinte">
"O Tigre Branco">
Melhor roteiro original>
"Os 7 de Chicago">
"Bela Vingança"*>
"Minari">
"O Som do Silêncio">
"Judas e o Messias Negro">
Melhor figurino>
"A Voz Suprema do Blues"*>
"Mulan">
"Emma">
"Mank">
"Pinóquio">
Melhor trilha sonora>
"Relatos do Mundo">
"Soul"*>
"Mank">
"Destacamento Blood">
"Minari">
Melhor curta-metragem>
"Dois Estranhos"*>
"The Letter Room">
"Feeling Through">
"White Eye">
"The Present">
Melhor curta-metragem em animação>
"Se Algo Acontecer... Te Amo"*>
"Genius Loci">
"Yes-People">
"Opera">
"Toca">
Melhor som>
"O Som do Silêncio"*>
"Relatos do Mundo">
"Soul">
"Mank">
"Greyhound">
Melhor animação>
"Soul"*>
"Wolfwalkers">
"Dois Irmãos">
"A Caminho da Lua">
"Shaun, o Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca">
Melhor fotografia>
"Nomadland">
"Mank"*>
"Relatos do Mundo">
"Os 7 de Chicago">
"Judas e o Messias Negro">
Melhor documentário>
"Time">
"Crip Camp: Revolução pela Inclusão">
"Professor Polvo"*>
"Collective">
"The Mole Agent">
Melhor documentário em curta-metragem>
"A Concerto Is a Conversation">
"Uma Canção para Latasha">
"Colette"*>
"Do Not Split">
"Hunger Ward">
Melhor montagem>
"O Som do Silêncio"*>
"Os 7 de Chicago">
"Meu Pai">
"Nomadland">
"Bela Vingança">
Melhor filme internacional>
"Druk - Mais uma Rodada" (Dinamarca)*>
"Better Days" (Hong Kong)>
"Quo Vadis, Aida?" (Bósnia e Herzegovina)>
"O Homem que Vendeu Sua Pele" (Tunísia)>
"Collective" (Romênia)>
Melhor cabelo e maquiagem>
"A Voz Suprema do Blues"*>
"Pinóquio">
"Mank">
"Era uma Vez um Sonho">
"Emma">
Melhor canção original>
"Speak Now", de "Uma Noite em Miami">
"Io Si (Seen)", de "Rosa e Momo">
"Fight for You", de "Judas e o Messias Negro"*>
"Hear My Voice", de "Os 7 de Chicago">
"Husavik", de "Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars">
Melhor direção de arte>
"Mank"*>
"Relatos do Mundo">
"Tenet">
"Meu Pai">
"A Voz Suprema do Blues">
Melhores efeitos especiais>
"Tenet"*>
"O Céu da Meia-Noite">
"Love and Monsters">
"Mulan">
"O Grande Ivan">
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