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Netflix: série sobre crime de Elize Matsunaga é um deserto sem novidades

"Elize Matsunaga: Era uma Vez um Crime" traz entrevista exclusiva com mulher que matou e esquartejou marido em 2012, mas falta emoção

Publicado em 08/07/2021 às 17h06

A mini sinopse distribuída pela Netflix da série documental "Elize Matsunaga: Era uma Vez um Crime" consegue resumir quase toda a obra em apenas duas ou três magras linhas:

"Em um crime que chocou o Brasil, Elize Matsunaga mata e esquarteja o marido. Agora, ela dá sua primeira entrevista nesta série documental que explora o caso."

Ainda que o resumo fosse muito maior, não haveria nenhum risco de spoilers porque, em seus quatro capítulos, a série não apresenta nada de novo para quem teve algum interesse de acompanhar as notícias do crime ocorrido em 2012.

"Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime", série documental em cartaz na Netflix. Crédito: Netflix

A série de Elize reconta, de forma honesta, a história do crime com a participação da assassina confessa --a grande novidade--, que conta detalhes de sua vida, de como conheceu o marido, as brigas com ele e como tudo acabou em tragédia.

Pode provocar curiosidade quando ela fala da paixão dela por armas, por caçadas e pelas obras do pintor italiano Caravaggio, do século 16. "Foi uma pessoa mesmo que fez isso?", disse ela sobre a obra, enquanto são exibidas imagens de quadros do gênio do estilo barroco, frase que remete ao próprio crime.

Para quem nada sabe do crime, a primeira parte da história de Elize lembra muito o clássico "Uma Linda Mulher". Uma garota de programa vinda do interior e que, durante o trabalho, conhece um milionário, Marcos Matsunaga, executivo da Yoki, indústria de alimentos de quase R$ 2 bilhões à época. Os dois se apaixonaram, se casaram e tiveram uma filha.

Essa espécie de conto de fadas torna-se um filme de terror quando, após investigar o marido, Elize confirma as suspeitas de nova traição. Na versão dela, há uma forte discussão por conta disso, ela leva um tapa e, no desespero, acabando matando o marido e, depois, esquartejando o corpo.

Só por essa semelhança com a ficção, o caso Elize merecia, de fato, uma série documental. Um dos pontos positivos da série produzida pela Boutique (da série ficcional "3%") é a sobriedade como o assunto é tratado. Não há sensacionalismo diante de um assunto tão sério.

Falta, porém, um pouco de emoção. Diferente do que acontece com as grandes séries documentais da própria Netflix, a série Elize quase não consegue despertar comoção ou tirar o espectador do estado normal.

A expectativa por novidades foi criada quando surgiram as primeiras informações oficiais sobre o lançamento da série e, na ficha técnica, havia um destaque para a participação de uma jornalista investigativa.

Trata-se, porém, de um conjunto de entrevistas, entre advogados, peritos, policiais e repórteres, e boas imagens --muitas de arquivo de TV e do julgamento-- que ajudam a ilustrar o depoimento exclusivo de Elize, a grande novidade.

As belas imagens escolhidas, construção do roteiro e ausência de alguns assuntos espinhosos, como o 'casamento' na prisão e a relação conturbada com um deputado, dão certos ares de um trabalho de reconstrução de imagem.

"Está um dia ensolarado, é isso o que você merece", ouve Elize de sua advogada, quando tomam um café após a "saidinha" dela da prisão, em 2019.

A série não deixa de ser um bom material para ser visto por pessoas que, por algum motivo, não acompanharam o caso à época e serve, principalmente, como um registro histórico do "Caso Elize". Um dos motivos que parecem ter levado a assassina a conceder a entrevista foi poder contar à própria Filha "toda a verdade" do que aconteceu, conforme lembra um dos produtores.

"Hoje é o dia em que você vai contar a história para sua filha", diz o produtor, sobre a garota que Elize não vê desde o dia da prisão.

A entrevistada reforça essa ideia logo no início. "Quero ter a oportunidade de falar para ela o que houve de verdade. 'Olha minha filha, eu tentei fazer diferente, eu tentei não errar, mas eu não consegui", disse, em lágrimas.

Não se sabe qual será a reação da menina, com cerca de 9 anos atualmente. A julgar pela opinião da advogada da família, Patricia Kaddissi, há um longo trabalho ela frente para conquistar o coração da criança. "Eu acho que se ela tivesse pensado na filha, ela não teria feito o que ela fez. Ela [nem] sequer concordaria em participar desse documentário", disse ela, no início da série.

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